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28/12/2004

Número de vítimas de maremoto passa de 25 mil

The New York Times
Seth Mydans

Em Colombo, Sri Lanka
Amy Waldman/The New York Times

Indiano recebe ajuda para carregar o corpo da mulher a túmulo coletivo
O gigantesco terremoto submarino que engoliu as costas da Indonésia até a África poderá se transformar na pior catástrofe natural da história recente, tanto por sua escala quanto amplitude, disseram autoridades governamentais e de ajuda internacional nesta terça-feira (28/12).

O número oficial de vítimas --25 mil mortos e milhares de desaparecidos-- ganhou destaque em um dia em que sobreviventes em desespero buscavam desaparecidos, recuperavam corpos e realizavam às pressas enterros coletivos em diversos países por milhares de quilômetros.

Pelo menos um terço dos mortos eram crianças, estimaram autoridades de ajuda humanitária.

A Cruz Vermelha Internacional e autoridades do governo daqui --e da Indonésia, Malásia, Tailândia, Índia e Maldivas, assim como da distante Somália-- alertaram que as centenas de milhares de pessoas desabrigadas e sem água potável, e o risco de epidemias de cólera e outras doenças transmitidas pela água, poderiam resultar em tantas mortes quanto às das ondas iniciais.

Imagens da região apresentavam um quadro de dor implacável. Pais e mães choravam por filhos afogados. Corpos eram arranjados em longas filas em valas cavadas às pressas. Aldeões sentados em casas arruinadas, atônitos. Hotéis em alguns dos resorts mais luxuosos da Tailândia foram transformados em necrotérios improvisados.

"Este pode ser o pior desastre natural da história recente porque está afetando muitas áreas costeiras densamente povoadas", disse Jan Egeland, um coordenador de ajuda humanitária de emergência da ONU, em uma coletiva de imprensa em Nova York.

"Desastres naturais geralmente atingem um, dois ou três países, não oito ou nove costas enormes como ocorreu aqui", ele acrescentou. "Já foram registradas ondas maiores. Mas nenhuma onda afetou tantas pessoas."

Cerca da metade das mortes informadas ocorreu aqui no Sri Lanka, onde as estimativas saltaram na segunda-feira para mais de 12 mil mortos, e onde mais de um milhão de pessoas teriam perdido seus lares.

Na ponta oeste da ilha indonésia de Sumatra, a destruição foi duplamente feroz, causada tanto pelo terremoto, que ocorreu a 240 quilômetros de distância, quanto pelas ondas gigantes que se seguiram. A agência de notícias "The Associated Press" relatou da capital provincial de Banda Aceh que cadáveres inchados enchiam as ruas e milhares de sobreviventes se amontoavam sem abrigo.

Cerca de 5 mil pessoas foram confirmadas mortas, mas espera-se que tal número no mínimo dobrará. O vice-presidente Jusuf Kalla disse que compareceu a um enterro coletivo de 1.500 pessoas. A área esteve fechada aos jornalistas e trabalhadores de ajuda humanitária devido à continuidade da guerra civil e apenas alguns poucos jornalistas locais tiveram acesso.

Egeland, o coordenador da ONU, disse: "Nós não temos idéia" do número de pessoas afetadas em Aceh. Ele disse que tem sido impossível falar com os contatos locais até mesmo por telefone por satélite, o que ele chamou de "um mau sinal".

A Índia informou mais de 4 mil mortos. Centenas estavam mortos ou desaparecidos na ilhas resort do sul da Tailândia, muitos dos quais turistas estrangeiros.

Egeland disse que o grande problema agora é coordenar o imenso esforço de ajuda internacional, um desafio particularmente intimidador dada a disseminação da devastação.

"Recursos locais, nacionais e regionais, precisam ser coordenados com a resposta internacional", disse ele. "Nós agora estamos organizando sistemas de controle com as autoridades de aeroportos para sabermos o que está chegando, para não recebermos ajuda não solicitada. No passado muitos países enviaram ajuda não solicitada que acabou entupindo os aeroportos e sobrecarregando as instalação e funcionários alfandegários, atrasando o que era mais importante, a água e o equipamento de saneamento que precisávamos mais desesperadamente."

Ele disse que o valor dos estragos "provavelmente ultrapassará muitos bilhões de dólares".

"Nós não podemos calcular o custo para estas sociedades pobres e para os pescadores sem nome e aldeias de pesca e semelhantes que simplesmente foram eliminados", disse ele. "Centenas de milhares de vidas desapareceram."

Um vídeo amador exibido pela televisão mostrou as cenas assustadoras das imensas muralhas de água se chocando contra palmeiras e por sobre os prédios, avançando pelas ruas costeiras arrastando carros e escombros.

Tendo gritos como fundo, pessoas eram vistas escalando prédios, sendo arrastadas pela correnteza, fugindo, chorando, carregando feridos e abraçando crianças mortas.

À medida que a água recuava, quase tão rapidamente quanto chegou, corpos eram vistos em galhos de árvores e carros quebrados e destroços de casas enchiam a costa como se tivesse sido atingida por um tornado. Parte dos corpos e destroços foram arrastados para o mar.

Há o temor de mais milhares de mortos nas ilhas Andaman e Nicobar da Índia, que também ficavam perto do epicentro e onde as comunicações foram quase totalmente cortadas.

"Nas ilhas de Andaman e Nicobar, o número de mortos passa de 3 mil", disse Rana Mathew, um porta-voz do governo. "As ilhas do Sul foram as mais afetadas. Ainda não foi estabelecido nenhum contato com a ilha de Nancoveri. Logo, o número de mortos pode subir. E milhares de pessoas estão desaparecidas."

Um número menor de mortos foi informado na Malásia, Maldivas, Mianmar, Bangladesh e nas ilhas Seicheles, assim como ao longo da distante costa africana, particularmente na Somália, onde aldeias inteiras teriam desaparecido.

"Todos os pescadores que estavam no mar não voltaram", disse Yusuf Ismail, um porta-voz da presidência.

Turistas surpreendidos

Na Tailândia, o governo disse que 918 pessoas morreram, 7.396 ficaram feridas e milhares estão desaparecidas, a maioria nas pequenas ilhas resort ou entre os barcos cheios de mergulhadores recreativos que seguiram para o mar na manhã que antecedeu a chegada da onda.

"Eu diria que o número de mortos definitivamente ultrapassará 1.000", disse o primeiro-ministro Thaksin Shinawatra após visitar a ilha Phuket, a mais proeminente das praias resort da Tailândia, onde o número de mortos era de 130. "Ainda temos muito o que fazer na coleta de corpos."

Muitos dos mortos lá eram estrangeiros, mas a mais proeminente das vítimas foi Poom Jensen, 21 anos, o neto tailandês-americano do rei Bhumipol Adulyadej.

A ilha menor de Phi Phi, que foi cenário do filme "A Praia", estrelado por Leonardo DiCaprio, foi uma das mais atingidas. Em outra pequena ilha, os proprietários do Phraphong Resort de elite disseram que apenas 70 dos 170 hóspedes foram encontrados após a inundação.

Além do enorme número de mortos, foi a presença de um grande número de turistas estrangeiros que diferenciou este desastre de muitos tufões e inundações que anualmente castigam a região.

No Sri Lanka, o governo disse que até 200 turistas estrangeiros foram mortos. Na Tailândia, uma autoridade estimou que 20% a 30% dos mortos eram estrangeiros que estavam passando o feriado de Natal em suas praias.

Entre as vítimas estavam pessoas da Alemanha, Japão, Itália, Suécia, França, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Hungria, Holanda, Noruega, Suíça, Turquia, Espanha e Rússia. O número de americanos confirmados como mortos é de oito.

Pobres devastados

Mas estes números são minúsculos em comparação com a devastação sofrida pelos pescadores, fazendeiros e trabalhadores, a maioria pobres, que habitam as costas destes países do Sul e Sudeste Asiático.

No Sri Lanka, Susil Premajayantha, um ministro e porta-voz do governo, disse que os lares de cerca de 1,5 milhão de pessoas foram destruídos ou danificados. Poucas dispõem de recursos para retomar suas vidas sem ajuda.

Ele disse que 1.430 quilômetros de estrada de ferro que ficam ao sul da capital, Colombo, foram destruídos pelas águas, juntamente com pelo menos três pontes. Autoridades locais disseram para a "Associated Press" que cerca de 1.500 passageiros estavam presos em vagões de um trem pego pelas ondas.

Durante o caos, pelo menos 400 prisioneiros escaparam de duas prisões no Sul e as autoridades lhes concederam anistia caso se entreguem. Por toda a região, policiais armados e soldados patrulham em uma tentativa de impedir saques.

A Pesquisa Geológica dos Estados Unidos disse que o terremoto de 9.0 de magnitude, ocorrido na manhã de domingo, foi o quarto maior em um século e o maior no mundo desde 1964, quando um terremoto de 9.2 na escala Richter atingiu o Alasca.

Vários fortes tremores posteriores se seguiram.

"Nós enviamos 15 mil soldados para campo para procurar por sobreviventes", disse Edy Sulistiadi, um porta-voz das forças armadas indonésias, que estão enfrentando rebeldes separatistas na região. "Mas o que mais estão fazendo é recolher corpos."

E há milhares de desaparecidos e milhões de desabrigados na Ásia George El Khouri Andolfato

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