UOL Notícias Internacional
 

29/12/2004

Caos e o número de vítimas aumentam na Ásia

The New York Times
David Rohde*

Em Colombo, Sri Lanka
Jean Chung/The New York Times

Equipes de resgate caminham por destroços em resort na Tailândia
As águas que roubaram dezenas de milhares de pessoas das costas da Ásia e Leste da África, no último domingo (26/12), devolveram seus corpos às praias na terça-feira, e as autoridades dobraram o número de mortos para mais de 68 mil.

Dezenas de equipes de resgate internacionais chegaram à região na esperança de conter doenças e a falta de abrigo. Com dezenas de milhares de pessoas ainda desaparecidas, especialmente nas regiões mais remotas, o número certamente continuará subindo.

Nesta terça-feira (28), somente a Indonésia estimou ao menos 27 mil mortos. O Sri Lanka estimou mais de 21 mil, com 4 mil desaparecidos.

Milhares de turistas estrangeiros, a maioria deles da Europa, estão desaparecidos. Enquanto as autoridades lutavam para contar os mortos e desaparecidos, outro desafio surgiu: impedir a disseminação de doenças.

Alimentos estragados e o esgoto a céu aberto podem criar um terreno fértil para germes. O clima tropical constante por todo o ano, que torna a Tailândia e o Sri Lanka atraentes para turistas estrangeiros, agora é o pior inimigo dos países.

Enquanto as autoridades de saúde locais correm para criar covas coletivas ou piras para lidar com o número crescente de corpos, dizendo que os cadáveres representam um risco imediato à saúde, autoridades da Organização Mundial de Saúde enfatizaram que o maior risco de uma epidemia ainda pode vir dos sobreviventes.

Autoridades da organização disseram nesta terça que, devido ao risco menor de epidemia causada pelos corpos não enterrados, sepulturas coletivas e cremações imediatas não eram necessárias. Em vez disso, disseram as autoridades, parentes e amigos devem ter tempo, se possível, para primeiro identificarem os corpos.

A maior fonte provável de doenças são os sobreviventes, disse a dra. Maria Connelly, membro da equipe de resposta de emergência da organização.

As autoridades de saúde estão preocupadas com cólera e outros agentes infecciosos presentes nas áreas afetadas.

O dr. David Nabarro, chefe das operações de crise da Organização Mundial de Saúde, disse em Genebra: "O terror inicial associado às tsunamis e ao próprio terremoto poderá ser pequeno diante do sofrimento de longo prazo nas comunidades afetadas", divulgaram as agências de notícias.

Sobreviventes na Indonésia, Índia e Sri Lanka se queixaram do ritmo lento dos esforços de ajuda humanitária locais e internacionais, divulgaram as agências de notícias. Mas as organizações de ajuda disseram que, devido à escala da devastação em uma dúzia de países, elas estão enfrentando o maior esforço de ajuda humanitária da história.

Os economistas estimam os estragos na região em bilhões de dólares.

As descrições dos horrores de domingo continuaram sendo relatadas.

Um caso descoberto na terça-feira pelos repórteres foi o de um trem do Sri Lanka chamado "Rainha do Mar", que levava banhistas de Colombo para Galle: ele foi arrastado até um pântano pela inundação no domingo, matando pelo menos 800 pessoas. Os vagões estavam virados e os trilhos arrancados.

Em Banda Aceh na Indonésia, dois dias após ter sido atingida pelas ondas, milhares de corpos inchados ainda estavam dispostos nos campos, necrotérios e mesquitas a espera de identificação e enterro apressado. Imagens de televisão mostraram tratores enterrando dezenas de corpos em covas coletivas, que eram pouco mais do que buracos lamacentos cheios de água fétida.

A província de Aceh, na ponta noroeste da ilha de Sumatra, na Indonésia, foi a mais duramente atingida tanto pelo terremoto quanto pelas tsunamis resultantes. Os rebeldes da guerra civil na região declararam um cessar-fogo para que as equipes de resgate possam ajudar os necessitados. Enquanto isso, refugiados se alimentavam do encontravam e foi relatado um grande número de saques.

No Estado indiano de Tamil Nadu, as autoridades estavam lutando para encontrar abrigo para cerca de 100 mil pessoas, que ficaram desabrigadas ao longo de uma extensão costeira de mais de 200 quilômetros. Os repórteres descreveram médicos deixando mortos não identificados ao ar livre, voluntários carregando corpos com as mãos nuas e cadáveres sendo transportados em carros abertos.

No Sri Lanka, a porta-voz do Programa de Desenvolvimento da ONU disse que o país necessita virtualmente de tudo, de medicamentos a roupas: "São os itens principais de ajuda, como água, alimentos, roupas e medicamentos", disse ela.

Cerca de 18 mil a 20 mil turistas estrangeiros que sobreviveram às ondas se dirigiram para Colombo, a capital do país, segundo autoridades do Ministério das Relações Exteriores do Sri Lanka. Os hotéis da cidade estão lotados, com alguns turistas dormindo nos salões de conferência. Outros estão acampados nos lobbies dos hotéis, aguardando vôos para retornarem ao seus países.

No moderno aeroporto internacional de Colombo na noite de terça-feira, diplomatas de vários países chegavam para resgatar seus cidadãos em dificuldades de um país que até recentemente era considerado uma história nascente de sucesso.

Desde um cessar-fogo em 2002, que colocou fim a 20 anos de uma guerra civil brutal, o turismo e o investimento estrangeiro cresceram, dando ao Sri Lanka uma economia relativamente estável e um dos mercados de ações de maior crescimento no mundo.

Mas enquanto os diplomatas desembarcavam do avião, uma jovem e sorridente mulher cingalesa, trajando um luminoso sari de seda verde, segurava uma placa que registrava a realidade da ilha. Em vez de segurar uma placa dando as boas-vindas a um grupo de turistas, a placa da mulher dizia: "equipes de ajuda estrangeiras".

*Colaborou Larry Altman, em Nova York.

Sobreviventes enfrentam o pós-maremoto: doença e falta de abrigos George El Khouri Andolfato

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