UOL Notícias Internacional
 

30/12/2004

Arábia Saudita mata sete suspeitos de atentado

The New York Times
Neil MacFarquhar

No Cairo, Egito
Militantes aparentemente ligados à organização Al Qaeda transformaram dois bairros de Riyad, a capital saudita, em campos de batalha no final dessa quarta-feira (29/12), com carros-bomba explodindo nas dependências do ministério do Interior e num centro de treinamento para Forças de Emergência.

Sete militantes responsáveis pelos ataques foram abatidos em operação policial numa casa, de acordo com uma declaração lida na televisão estatal. Mas ainda não se sabe ao certo o total das baixas nesses ataques.

As primeiras estimativas se referiam à morte de dois terroristas suicidas, com 20 pessoas feridas, incluindo policiais com leves escoriações, principalmente devido aos vidros partidos, de acordo com comunicado do ministério do Interior e várias autoridades.

O general-brigadeiro Mansour Turki, porta-voz do ministério, não pôde confirmar o número de feridos, mas disse que entre eles não havia casos graves, e que as únicas mortes ocorridas tinham sido de militantes.

O príncipe Ahmed Abdel Aziz, que já há algum tempo é vice-ministro do Interior, foi à televisão saudita denunciar os autores do atentado como criminosos negligentes, que colocaram em risco vidas de muçulmanos.

Mas o efeito dos ataques foi mais psicológico que físico --mostraram que os rebeldes ainda são capazes de atacar em pleno coração da capital, apesar de uma operação policial nacional que já dura 19 meses. Essa operação, segundo a polícia, teria matado ou capturado três quartos dos mais procurados terroristas do país ligados à organização Al Qaeda, e teria desmantelado grande parte da rede subversiva. Foram presas centenas de pessoas, suspeitas de serem simpatizantes.

O general Turki descreveu os ataques como sendo ações de militantes cada vez mais desesperados: "Quando você se aproxima cada vez mais deles, eles reagem só para mostrar que ainda estão por aí".

Sobre o prédio do ministério do Interior, o general declarou: "Esse prédio é o símbolo das forças que estão atacando e confrontando os terroristas".

Turki acredita que os pequenos danos provocados por esses últimos ataques --especialmente se forem comparados aos ataques anteriores, perpetrados contra complexos residenciais e que mataram cerca de 100 pessoas, a maioria delas formada por estrangeiros-- são sinais de que a polícia está neutralizando a capacidade dos militantes:

"Podemos observar a fraqueza atual dos militantes por esse resultado do trabalho deles".

Os ataques foram a segunda ocorrência grave no mês de dezembro, depois de um período relativamente calmo, que sucedeu a decapitação de um refém americano, em junho. No dia 6 de dezembro, terroristas atacaram o fortemente defendido consulado americano em Jeddah, matando cinco funcionários locais. Após esse ataque, quatro dos cinco pistoleiros foram mortos.

Numa mensagem gravada, divulgada 10 dias após esse ataque, Osama bin Laden louvou o atentado em Jeddah, e ameaçou novas ofensivas contra instalações petrolíferas sauditas. Ataques anteriores realizados pela falange, inclusive o bombardeio de instalações policiais em Riyad no ultimo mês de abril, reduziram em grande parte o apoio público à idéia de que a Al Qaeda estava envolvida numa legítima guerra religiosa para expulsar todos os não muçulmanos da terra sagrada do Islã.

Petróleo

Apesar da relativa pouca gravidade dos ataques dessa quarta-feira, os mercados do petróleo rapidamente reagiram à violência, com súbitas altas nos preços mais importantes --nos Estados Unidos, o barril subiu U$ 1,87, chegando a US$ 43,64.

Segundo um diplomata ocidental, a primeira explosão do lado de fora do ministério pôde ser sentida em outros pontos da capital por volta das nove da noite, com uma nuvem de fumaça visível do bairro dos diplomatas, a muitos quilômetros de distância.

Essa bomba explodiu no começo da passagem subterrânea de uma importante avenida que leva ao ministério. A explosão abriu um flanco numa alta cerca de metal que circunda o prédio do ministério, que é semelhante a uma fortaleza, chegando a destruir o letreiro de uma fachada.

A explosão abalou prédios em toda a área ao redor, inclusive os do Hotel InterContinental, que tem prédios distribuídos de um outro lado da rua.

Imagens mostradas na televisão detalharam um táxi ensangüentado que aparentemente foi destruído pela explosão, já mais próximo da passagem subterrânea.

E no segundo ataque, policiais abriram fogo contra um carro que tentava invadir uma instalação das Forças de Emergência, atualmente concentradas no combate antiterrorismo. O carro explodiu a cerca de 400 metros do alvo, segundo o comunicado lido na televisão saudita.

Em seguida aconteceu uma perseguição, ainda não esclarecida. Mas noticiários locais e autoridades disseram que policiais cercaram os homens que ocupavam o carro após entrarem numa casa, situada num bairro na região do aeroporto. Sete homens foram mortos e, segundo o comunicado oficial, eles eram os responsáveis pelos dois ataques da noite.

Os ataques dessa quarta à noite aconteceram após uma série de incidentes, ocorridos no começo da semana, e que culminaram com a morte de um militante, dois feridos e muitas prisões. Apesar da pouca gravidade, ataque causa alta no preço do petróleo Marcelo Godoy

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