UOL Notícias Internacional
 

31/12/2004

Candidato palestino faz campanha para radicais

The New York Times
Steven Erlanger

Em Tel Aviv, Israel
Mahmoud Abbas, o principal candidato à presidência palestina, fez campanha nesta quinta-feira (30/12) no campo de refugiados de Jenin, onde foi carregado nos ombros por homens armados e recebido por Zakariya Zubeidi, um líder das Brigadas dos Mártires Al Aksa e um dos homens mais procurados por Israel.

Horas mais tarde, tropas israelenses próximas a Jenin prenderam o irmão de Zubeidi, Jibril, que também era procurado, quando ele tentava passar sem ser notado por um posto de inspeção militar.

Zakariya Zubeide foi um aliado de primeira hora de Abbas, apesar da potencial candidatura do mais extremista Marwan Barghouti, que está preso, argumentando que a unidade da Fatah, o principal movimento político palestino, é o que mais importa.

Abbas, que criticou a violência contra Israel, chamando-a de contraproducente, enfrenta sérios desafios por parte dos militantes armados da sua própria facção Fatah, assim como de grupos radicais como o Hamas e a Jihad Islâmica. Ele está fazendo campanha para a eleição, que ocorrerá em 9 de janeiro, abordando os temas segurança e unidade, e provavelmente será beneficiado politicamente pela sua aparição em Jenin com Zubeidi, que é também um favorito da mídia.

Mas um alto oficial militar israelense disse na quinta-feira que os extremistas representam o maior desafio para Abbas, agora e no futuro. Israel está muito preocupado com a possibilidade de Abbas ser assassinado antes da eleição por militantes que vêem a sua candidatura como "uma ameaça às suas existências políticas", disse o oficial. Ele manifestou alívio ao saber que Abbas não sofreu nenhum ataque em Jenin, "um local perigoso", e disse: "Temos informações de que há pessoas que querem matá-lo".

Segundo o oficial, não há ninguém com a mesma estatura política para suceder Abbas. "Se ele for morto, o caos aumentaria significativamente", advertiu.

Política israelense

O cenário político israelense ficou mais claro na quinta-feira, quando o primeiro-ministro Ariel Sharon e Shimon Peres, líder do Partido Trabalhista, usaram a criatividade para contornar um problema legal que tem sido um obstáculo ao acordo entre ambos para a formação de um governo de unidade com o objetivo de implementar a retirada de todos os assentamentos israelenses na Faixa de Gaza e de pelo menos quatro outros na Cisjordânia.

Peres, 81, exigiu ser nomeado vice-primeiro-ministro, um cargo ocupado por um aliado de Sharon no Likud, Ehud Olmert. Olmert, que atua como primeiro-ministro quando Sharon viaja ao exterior, se recusa a abrir mão do cargo, e a lei israelense estabelece que haja somente um vice-primeiro-ministro, embora, teoricamente, um número indefinido de vice-primeiros-ministros possa ser nomeado.

Como os políticos do Likud se opõem ao plano para a Faixa de Gaza, criando obstáculos para modificar a lei, Peres concordou em assumir o cargo de vice-primeiro-ministro.

Com a honra de todos salva, um novo governo poderia ser nomeado já na próxima segunda-feira, podendo apresentar alguns políticos trabalhistas mais jovens em cargos importantes, em especial Ophir Pines-Paz, 43, um crítico de Sharon, como ministro do Interior, e Yitzhak Herzog, 44, como ministro da Habitação e Construção.

Os dois ficaram respectivamente em primeiro e segundo lugar na votação realizada por seus colegas parlamentares para os cargos do gabinete, e representam uma nova geração do Partido Trabalhista.

Já Olmert causou sensação em uma entrevista publicada na quinta-feira no "The Jerusalem Post", na qual ele disse que assentamentos judaicos adicionais teriam que ser removidos da Cisjordânia, independentemente de haver negociações com os palestinos.

"Os interesses de Israel exigem que haja uma retirada em uma escala mais ampla do que aquela implícita no atual plano", disse Olmert, que freqüentemente diz em público aquilo que Sharon mais tarde endossa.

No entanto, a sua declaração do óbvio não foi politicamente sábia, e o gabinete de Sharon afirmou rapidamente que não existe atualmente um plano para a dissolução de mais assentamentos.

Mas em uma outra medida polêmica, uma rota revisada na Cisjordânia para a barreira de Israel contra homens-bomba penetrará mais profundamente no território ocupado, a fim de englobar dez assentamentos israelenses no entorno de Gush Etzion, onde vivem 50 mil pessoas, quatro vilas palestinas, com 18 mil habitantes, e uma grande porção de terra palestina na área de Belém, anunciou Haaretz.

A rota reduzirá, no entanto, os dissabores para os moradores palestinos da área de Gush Etzion, e inclui mais postos militares de passagem no muro, que ficarão abertos por mais tempo.

Sharon apresentará a rota revisada ao gabinete para que seja aprovado após as eleições palestinas, diz o jornal, que acrescenta que a medida poderá desencadear um novo conflito entre Israel e o novo líder palestino.

A nova rota englobando os assentamentos próximos a Gush Etzion é acompanhada de uma outra, mais próxima às fronteiras israelenses de 1967, nas colinas ao sul de Hebron, que não mais incluirá os cinco assentamentos naquela cidade, diz o jornal. Isso seria uma tentativa por parte de Sharon de agradar os críticos internos e internacionais.

Na Faixa de Gaza, forças israelenses deram continuidade a uma operação na localidade de Khan Younis, no norte da área, após uma semana na qual 55 morteiros foram disparados de lá contra assentamentos judaicos, informou o exército. Além disso, 23 foguetes Qassam foram lançados do local nas últimas duas semanas.

Na operação para neutralizar os ataques com morteiros e foguetes, as tropas israelenses mataram nove palestinos e feriram outros cinco. O exército informou que os palestinos estariam instalando explosivos ou atirando contra soldados israelenses, e incluíram entre os extremistas o líder do Hamas em Khan Younis, Yihye Jamal Marzouk.

Testemunhas palestinas disseram à Reuters e à Agência France-Presse que dois dos mortos eram adolescentes de 17 anos --Muhammad Abu al-Said e Osama Tuma, que sofriam de Síndrome de Down-- e que foram assassinados pelos israelenses quando observavam o combate de rua. Mahmoud Abbas é recebido pelo líder dos Mártires de Al Aksa Danilo Fonseca

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