UOL Notícias Internacional
 

31/12/2004

Número de vítimas do maremoto chega a 125 mil

The New York Times
Jane Perlez e Amy Waldman

Em Jacarta, Indonésia
Os sobreviventes suportaram nesta quinta-feira (30/12) o quarto dia sem alimento, água ou medicamentos, enquanto países e agências de ajuda lutavam para articular o maior esforço de ajuda humanitária do mundo e a contagem de mortos da devastação se aproxima de 125 mil.

O número de vítimas saltou na Indonésia do dia para a noite, após as autoridades de saúde terem dito que quase 28 mil mortos foram encontrados em Sumatra, perto do epicentro do enorme terremoto submarino do último domingo. Grandes partes da província mais ao norte da ilha, Aceh, continuam inacessíveis e teme-se que até 20 mil pessoas estejam mortas na área.

Tal número em Aceh, que contém quase todos os mortos na Indonésia, torna a província o local mais duramente atingido do desastre, que foi sentido até mesmo na África.

O governo disse que começou a lançar macarrão instantâneo e medicamentos para aqueles que ainda estão presos entre os penhascos da costa oeste de Aceh, mas mesmo nas cidades, como a capital provincial, Banda Aceh, ainda falta qualquer tipo de ajuda e a frustração começa a crescer.

O número de vítimas da devastação que varreu quase uma dúzia de países asiáticos saltou para próximo de 125 mil na quinta-feira, assim que a Indonésia disse que pelo menos 80 mil pessoas morreram somente aqui.

A entrega de água e alimentos para os sobreviventes nas áreas mais atingidas da província de Aceh continua dificultada pela falta de combustível e caminhões, burocracia e, em muitos casos, pela falta de pessoal, incluindo motoristas e médicos, muitos dos quais presumivelmente mortos.

A ameaça de cólera e tifo, e o cheiro de decomposição, se tornaram tão severos que as pessoas passaram a cremar os corpos inchados, expostos ao sol tropical desde domingo, na cidade de Banda Aceh. Uma comissão de clérigos muçulmanos indonésios disse que estão considerando dar permissão oficial para a cremação dos corpos, uma prática proibida pelo Islã exceto em situações de emergência.

Em Nagappattinam, Índia, nervos à flor da pele e um pequeno tremor secundário criaram pânico por todo o Sul da Ásia na quinta-feira, assim que o governo indiano emitiu um alerta de outra tsunami ao longo da costa sul da Índia.

Na Índia e no Sri Lanka, muitos fugiram das praias por temerem mais ondas mortais, atrapalhando o esforço de ajuda e suspendendo temporariamente o resgate de corpos em muitas áreas.

Três tremores secundários que registraram pouco mais de 5 na escala Richter levaram as autoridades da Índia a divulgar o que veio a ser um alarme falso. A reação exagerada do governo refletiu a sensibilidade das autoridades indianas às críticas de que deveriam ter alertado as aldeias costeiras sobre a tsunami, que em muitos casos foram atingidas duas ou três horas depois do terremoto de domingo, que devastou grande parte do Sul da Ásia.

O alerta foi dado um dia depois de líderes mundiais, incluindo o presidente Bush, terem prometido ajuda de longo prazo aos países asiáticos enquanto a impaciência com o ritmo dos esforços de ajuda humanitária crescia juntamente com o número estimado de mortos do desastre.

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, pediu na quinta-feira por uma reunião de emergência do Grupo dos Oito para discutir as opções de ajuda e redução da dívida, em resposta ao que chamou de "o pior cataclisma da era moderna", segundo a agência de notícias "Reuters".

O governo Bush anunciou que o secretário de Estado, Colin L. Powell, e o governador da Flórida, Jeb Bush, visitarão as áreas afetadas ao redor do Oceano Índico neste fim de semana. A Casa Branca disse que Jeb Bush, o irmão do presidente, foi escolhido para a viagem por já ter experiência em lidar com desastres naturais na Flórida.

Três navios da Marinha dos Estados Unidos, parte de um grupo expedicionário de ataque a caminho do Iraque, que partiu de San Diego e conta com mais de 2 mil marines, deveriam se aproximar na quinta-feira do Estreito de Malaca e poderiam ser desviados para Aceh, disse um oficial militar americano. Comunidade internacional ensaia mobilização para ajudar a região George El Khouri Andolfato

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