UOL Notícias Internacional
 

01/01/2005

Caos impede que ajuda chegue a quem precisa

The New York Times
Robert MacFadden

Em Nova York
Chegou apenas nesta sexta-feira (31/12) a primeira leva de recursos do esforço mundial para socorrer as vítimas do tsunami na Indonésia e em outras nações devastadas. O número oficial de mortos já passa de 140 mil. O desastre desanima as celebrações do Ano Novo pelo mundo.

A ajuda internacional, por enquanto, está disponível apenas para um pequeno grupo de comunidades, as mais duramente atingidas pelas ondas gigantes, no norte da ilha de Sumatra. Um avião atirava comida, remédios e outros suprimentos, enquanto equipes no solo os armazenava.

Mas a operação de ajuda foi prejudicada pela falta de caminhões e combustível para transportar os produtos. Estradas e pontes destruídos e falhas no fornecimento de energia também impediram que a maioria das pessoas que precisam urgentemente da ajuda a recebesse.

Cinco dias depois de um terremoto submarino ter provocado ondas gigantes que devastaram as costas de 12 países no Oceano Índico, as dimensões da catástrofe ainda estão sendo avaliadas. O número de mortos talvez nunca seja conhecido com precisão.

O número de cadáveres pode ser contabilizado em apenas alguns lugares. O caos atingiu algumas áreas de tal forma que o total de vítimas pode ser só um palpite. De quinta para sexta-feira, a Indonésia aumentou o número estimado de mortos de 80 para cem mil.

"Nós não tínhamos sido atingidos pela devastadora fúria da natureza de forma tão dura desde a erupção do vulcão Krakatoa, em 1883", disse nesta sexta o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, durante discurso por ocasião da véspera da passagem de ano. Em 1883, a erupção do vulcão e um tsunami (ondas gigantes decorrentes de abalos sísmicos) causaram a morte de 36 mil pessoas.

Pelo menos 500 mil pessoas estão com ferimentos graves, segundo estimativas de oficiais para quem a ameaça de epidemias pode elevar drasticamente o número de mortos. Por enquanto, epidemias de cólera ou outras doenças não se materializaram, e também não há registros de fome nas áreas atingidas.

Mas está claro que a ajuda internacional, com suas dificuldades de articulação devido ao seu caráter global e orçamento de milhões de dólares, corre uma luta contra o tempo para salvar cerca de 5 milhões de pessoas desabrigadas e desamparadas por esta que já é considerada uma dos piores calamidades da história da humanidade.

Réveillon

Com imagens de cominidades inundadas e de sobreviventes debilitados implorando por ajuda, o mundo não está no clima para festejar o Ano Novo. Muitas nações mantiveram a agenda de celebraçções, com queima de fogos, concertos e outros eventos públicos, mas reservaram reflexões --e doações-- para as vítimas.

Na Europa --de onde 7 mil pessoas ainda estão desaparecidas na Ásia--, Suécia, Noruega, Finlândia e Alemanha hastearam bandeiras a meio pau. Paris instalou faixas negras entre as árvores dos Campos Elíseos. Austrália e outros países observaram um minuto de silêncio. Algumas cidades italianas cancelaram festas e queimas de fogos e enviaram o dinheiro para as vítimas.

O esforço internacional para ajudar as vítimas ganhou intensidade nesta sexta. Os EUA aumentaram sua doação de US$ 35 milhões para US$ 350 milhões (cerca de R$ 900 milhões). Recursos doados por diversos países, pela ONU, Banco Mundial, centenas de organizações privadas e milhões de pessoas somam cerca de US$ 500 milhões. Ficou claro que as cifras podem aumentar se houver necessidade.

Problemas logísticos

Os problemas para oferecer alívio imediato se devem mais a dificuldades logísticas que à falta de dólares.

Nesta sexta, helicópteros militares fizeram dez incursões para despejar comida e outros recursos na devastada cidade de Muelaboh, na província de Aceh, no noroeste da ilha de Sumatra, a área mais gravemente atingida pelo tusunami. Sete caminhões com comida e suprimentos médicos chegaram à cidade, assim como várias embarcações pequenas, que também trouxeram ajuda material.

Enquanto isso, veículos militares americanos começaram a desembarcar em aeroportos da Indonésia, Tailândia e Sri Lanka. Outros vôos chegaram da Austrália e da Nova Zelândia. Segundo autoridades indonésias, 42 vôos de 18 países chegaram à província de Aceh.

Além disso, diversos navios de guerra americanos, liderados pelo porta-aviões Abraham Lincoln e pelo navio anfíbio Bonhomme Richard, rumaram para os estreitos de Malaca, entre a Tailândia e Sumatra, para oferecer o serviço de seus centros cirúrgicos e helicópteros além de toneladas de suprimentos. Total de mortos na Ásia chega a 140 mil; desastre eclipsa Réveillon Alexandre Bigeli

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