UOL Notícias Internacional
 

02/01/2005

Tempestades impedem chegada da ajuda à Ásia

The New York Times
Raymond Bonner*

Em Jacarta, Indonésia
Fortes chuvas castigaram neste sábado (1/1) as áreas da Indonésia destruídas pelo tsunami, causando inundações no Sri Lanka. Um forte tremor atingiu a costa norte da província de Aceh, complicando o enorme esforço internacional para entregar água, alimentos e atendimento médico desesperadamente necessários.

Há cerca de 5 milhões de sobreviventes dos devastadores tsunamis da semana passada que precisam de ajuda, e o número de mortes já passa de 150 mil.

A ajuda planejada, já a maior da história, continuou crescendo quando o Japão prometeu US$ 500 milhões neste sábado, tornando-se o país que mais contribuiu individualmente, e os líderes regionais concordaram em realizar um encontro de cúpula de emergência na Indonésia, na próxima quinta-feira (6/1), que reunirá 23 países, o Banco Mundial, o Banco de Desenvolvimento Asiático e grandes doadores para discutir os esforços de ajuda humanitária e a reconstrução das áreas devastadas.

A ONU disse que iniciará um apelo público por recursos em 6 de janeiro, em Nova York, e realizará uma conferência internacional de doadores em Genebra, em 11 de janeiro.

O porta-aviões americano Abraham Lincoln e três navios que o acompanham chegaram no sábado na costa oeste de Sumatra e Aceh, e nove helicópteros começaram a transportar ajuda de depósitos até as áreas mais atingidas da costa, onde foram varridas cidades, estradas e comunicações.

Nove aviões de transporte C-130, os burros de carga da Força Aérea, transportaram medicamentos, cobertores e sacos de corpos para a Indonésia, Sri Lanka e Tailândia a partir de bases na Tailândia, disse um porta-voz das forças armadas americanas.

No Sri Lanka, funcionários americanos disseram que a primeira carga de suprimentos de ajuda chegou no sábado: cobertura plástica para abrigar 3.600 pessoas, grandes recipientes para água fresca e 5.400 galões. Cargas semelhantes chegarão nos próximos dias.

Jeffrey J. Lunstead, o embaixador americano no Sri Lanka e nas Maldivas, disse que o pacote inicial de ajuda é de US$ 2,6 milhões --um número que ele disse que crescerá substancialmente.

Funcionários americanos também disseram que sete outras embarcações, lideradas pelo navio de assalto anfíbio Bonhomme Richard, partiram de Guam e devem estar na costa do Sri Lanka na próxima semana. O Bonhomme Richard carrega helicópteros CH-46 Sea Knight e CH-53E Super Stallion.

Seis navios militares de carga mais lentos, carregados de alimentos, água, cobertores e um hospital portátil de 500 leitos, também partiram de Guam, mas devem levar cerca de duas semanas para chegar à região, disseram os funcionários.

Os primeiros relatos de doenças começaram a surgir nas regiões atingidas, mas as autoridades de saúde disseram que eram casos esparsos, em vez de uma evidência de epidemia. "Há cada vez mais relatos de surtos de diarréia vindos dos acampamentos de desabrigados no Sri Lanka e na Índia", disse o dr. David Nabarro, diretor executivo da Organização Mundial de Saúde, aos repórteres em Genebra.

Oficiais militares americanos disseram que 1.500 militares, a maioria marines, devem chegar ao Sri Lanka nos próximos dias. No domingo ou segunda-feira, um grupo avançado de 200 deve chegar para estabelecer a logística e dar início à reconstrução, usando helicópteros de carga pesada e hovercrafts para transportar ajuda e material de construção.

Claramente na defensiva devido às críticas aos Estados Unidos, que inicialmente prometeram US$ 35 milhões e depois elevaram sua contribuição para US$ 350 milhões, o embaixador americano em Jacarta, B. Lynn Pascoe, convocou uma coletiva de imprensa neste sábado para descrever os esforços americanos e, após responder as perguntas, seguiu para a pista do aeroporto da base da Força Aérea na Indonésia e posou para os fotógrafos ajudando a embarcar caixas de papelão de suprimentos de ajuda em um avião C-130 americano.

"Nós trabalhamos o mais rápido que pudemos" para encontrar dinheiro para o esforço de assistência, disse Pascoe. Assim que a notícia chegou à embaixada, ele diz ter destinado usado US$ 100 mil de seu fundo oficial à Cruz Vermelha Indonésia. À medida que a escala do desastre se tornava conhecida, a embaixada deu US$ 2,1 milhões para a Cruz Vermelha, disse ele.

"Nós começamos imediatamente a tirar de todos os fundos que tínhamos, para arroz, alimentos e macarrão", disse Pascoe, um diplomata de carreira que assumiu o posto aqui no final de outubro.

Três médicos da Marinha de um programa de pesquisa na embaixada foram enviados para Meulaboh, a sudeste de Banda Aceh, uma das áreas mais atingidas, disse Pascoe.

Refletindo parte dos obstáculos para a rápida distribuição de ajuda em um país onde há um forte senso de nacionalismo e profunda suspeita de soldados estrangeiros, quando os soldados americanos chegaram a Meulaboh, soldados indonésios, que não foram alertados, trataram-nos inicialmente com certa hostilidade, disse um oficial americano. Os Estados Unidos estão planejando estabelecer um hospital militar lá, disse Pascoe.

Os Estados Unidos possuem uma má imagem neste país predominantemente muçulmano, onde a batalha contra o terrorismo é amplamente vista como uma guerra contra os muçulmanos. A popularidade americana despencou acentuadamente desde o início da guerra no Iraque, com apenas 16% dos indonésios dizendo ter uma visão positiva dos Estados Unidos, uma queda em relação a mais de 65% há poucos anos.

Ao ser questioinado sobre se a ajuda poderia conquistar alguns corações e mentes, Pascoe evitou uma resposta direta. "Nós estamos tentando salvar vidas", disse ele, e reconstruir o país. "Esta é nossa meta. Este é o nosso plano."

Previsão de tsunamis

O esforço de ajuda das forças armadas americanas também é visto por alguns como um passo para a retomada da ajuda militar plena à Indonésia, que foi cortada pelo governo Clinton devido a violações de direitos humanos por parte dos militares indonésios.

Ao ser indagado sobre se esta ajuda poderia ser o primeiro passo para a retomada da ajuda militar plena, Pascoe se recusou a responder. "A questão é, como podemos conseguir ajuda mais eficazmente", disse ele.

Na área científica, especialistas em abalos sísmicos continuaram a debater como melhor aprimorar sua capacidade de alertar as pessoas sobre tsunamis. As autoridades encarregadas do sistema internacional de alerta existente, que cobre apenas o Oceano Pacífico, disseram durante a semana que acelerarão os esforços para expandi-lo para o Oceano Índico e outros mares onde há ameaça potencial.

Peter Pissierssens, diretor de serviços oceanográficos da Comissão Oceanográfica Intergovernamental, uma agência da ONU em Paris, disse que ela e os escritórios internacionais de desastre já estavam "trabalhando arduamente para unir forças e colocar em operação um sistema global de alerta".

Como primeiro passo, ele disse em uma mensagem por e-mail, a rede de alerta de tsunami, baseada em Honolulu, agora enviará boletins para "qualquer um que quiser receber mensagens". O site do escritório de tsunamis é http://ioc.unesco.org/itsu.

*Colaboraram Ian Fisher, do Sri Lanka, Thom Shanker, de Washington, e Andrew C. Revkin, de Nova York. Número de mortes chega à casa dos 150 mil; ajuda global aumenta George El Khouri Andolfato

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