UOL Notícias Internacional
 

04/01/2005

Estilistas buscam nova sofisticação para a moda

The New York Times
Cathy Horyn

Em Nova York
Steve Forrest/NYTimes

Moda para elas não será hippie, embora abandone o clássico
Estilistas da moda geralmente são pessoas sensíveis, com um bom senso de humor. Mas quando o assunto é a produção de novas coleções, parecem o Dr. Frankenstein. Eles criam um monstro e depois se arrependem.

Há um ano, eles foram todos arrebatados pelas roupas de damas elegantes. Podia-se pensar que uma capa de pele era a coisa mais incrível. Agora, eles se arrependem.

"Se eu vir mais uma saia estreita de tweed, vou..." disse o estilista Lazaro Hernandez, da equipe de Proenza Schouler.

É fácil perdoá-lo. É jovem, e a pressão para criar roupas que deixam as lojas ricas e as pessoas se sentindo um pouco mais importantes é enorme.

De fato, a mulher neoconservadora de 2004 pode ter sumido, mas não será substituída pela mulher largada ou hippie, a não ser que seja do tipo luxo. O estimulado apetite pelo luxo, não se satisfaz com o grunge, ou mesmo com uma dose boa de minimalismo.

Há pouco tempo, Francisco Costa, estilista da Calvin Klein, fez uma apresentação para os compradores da Saks Fifth Avenue, que queriam ver o que estava preparando para o outono de 2005. A exibição para essa estação será daqui a um mês. Logo, as torres da Sétima Avenida estarão bem iluminadas.

De qualquer forma, disse Costa, eles querem luxo: "Eles disseram: 'Preço não é problema'". Apesar de concordar que as mulheres querem roupas fáceis e que a maior parte dos consumidores tem opiniões quixotescas sobre o valor --compram seu vinho no Costco e pagam excessivamente por jeans de marca-- ele não discutiu a questão da Saks.

"Os negócios são difíceis", disse ele. Um dos tecidos que usará neste outono é uma mistura de cashmere e pele de marta.

Narciso Rodriguez, em seu estúdio, acrescentou sua opinião: "A moda precisa de uma mudança há muito tempo." Mas ele duvida que o grunge volte. "Nenhum estilista é estúpido o suficiente para fazer grunge, porque nenhuma loja vai comprá-lo", disse ele. "Não é o que vende."

Ele prosseguiu: "A moda é para as três pessoas que andam com roupas assimétricas e rasgadas, ou para o cliente que quer um paletó que caia bem?"

Essa é uma distinção fundamental, que ficará evidente em 2005: as tendências são específicas de cada estilista. Lanvin é conhecida por seu jeito moderno, Rodriguez por seu glamour sexy, Dior por chamar a atenção.

E esses são rótulos evidentes. E as dezenas de marcas menores, como Libertine e Cloak, que oferecem visuais altamente individualizados?

"Não há mais um consenso da moda", disse David Wolfe, diretor de criação da Doneger Group, que prevê as tendências da moda para clientes como Wal-Mart e Nordstrom. "Em vez de um consenso, há milhares de subdivisões, progredindo em velocidades diferentes." Ele acrescentou: "É quase como se o consumidor tivesse se tornado um solista no mercado. E isso dificulta o planejamento de movimentos de massa de mercadorias."

Apesar disso, alguns desses ramos parecem promissores. Ronnie Cooke Newhouse, diretora de arte em Londres, disse que tem observado as mulheres em estilos vagamente históricos: Lucy Ferry com uma jaqueta que parecia medieval; a estilista L'Wren Scott com um sobretudo e blusa Lanvin.

Nas exibições de Paris em Outubro, Daphne Guinness, sempre original, vestiu uma jaqueta de ombros altos e um sapato vermelho e o outro preto, mas do mesmo estilo. A inglesa tem um gênio para excentricidade, mas as roupas de primavera da Alexander McQueen e Balenciaga também têm floreios de costume e de época.

Topshop, a rede de moda britânica que dita o rumo para outros comerciantes, está vendendo saias longas. "Estamos experimentando há um mês", disse Jane Shepherdson, diretora da marca, antes do Natal. "Elas funcionaram bem em todas as lojas."

As mulheres têm vestido saias, que agora são estreitas, com botas ou sapatos sem salto.

Estilistas ainda estão visitando a Relic, loja de roupas de época londrina, para olhar os Westwoods e os Rabannes. Mas, como disse o proprietário Steven Philip:

"Estou tão cansado da roupa de época e tenho uma loja disso. Esses estilistas estão tentando caçar o próprio rabo. As pessoas estão secas por um grande espetáculo chamativo."

Philip vê um fino raio de esperança, porém. "A Comme des Garçons está voando pela loja", disse ele. "É a marca líder do momento". Isso sugere um interesse no estilo puro, em vez de uma releitura, e talvez um interesse no amanhã em vez de ontem. De todas as mostras da primavera, nenhuma foi mais audaciosa do que a Comme des Garçons. Poucas mulheres terão a coragem, porém, de combinar uma jaqueta de couro pesada com um tutu cor de rosa.

Mas você não precisa ter um galinheiro para comer ovos. O gênero é um dos temas favoritos da moda. Tudo o que o estilista Rei Kawakubo fez foi pegar alguns estereótipos e enfeitá-los, em uma época em que a televisão de realidade declarou que estava aberta a temporada para transformação do corpo.

Coleções como a de Comme des Garçons também fornecem um tema para se pensar. Será que vamos ver usos diferentes de volume? Mais misturas inesperadas?

Doug Lloyd, diretor de arte de Nova York acha que sim. Ele disse que não ficaria surpreso se aqueles que dão o ritmo da moda, como Miuccia Prada, buscassem inspiração no bloco Oriental. Isso significaria mais tecidos lavados, até alguns novos usos de sintéticos e roupas com visual inocente.

Hernadez, de Proenza Schouler, disse que ele e seu parceiro, Jack McCollough, estão se concentrando nos volumes para o outono. "Gostamos da justaposição de volumes diferentes", disse Hernandez. "Compreendo a coisa do luxo, mas as pessoas em nossa faixa etária querem estilo."

O ponto médio de cada década parece produzir uma estrela dominante. Nos anos 90, foi Tom Ford, na Gucci. Muitos dos observadores da moda dizem que o momento está certo para Phoebe Philo, da Chloe. Considerando-se Tóquio a cidade da moda, o centro disso é uma loja chamada Lovelace. E a Lovelace dedica mais espaço à Chloe do que a qualquer marca comparável. Philo, que recentemente tornou-se mãe, desenha roupas que não são casuais demais nem elegantes demais, mas sempre ficam bem com jeans. Isso é importante para as jovens.

A proprietária da Chloe, Compagnie Financiere Richemont, recentemente disse ao Women's Wear Daily que planeja investir milhões na expansão da marca.

Economia

Independentemente da forma que a moda adotará, por trás de cada decisão deste ano estará o estresse da debilidade do dólar. Rodriguez, como outros estilistas que usam as fábricas italianas, disse que seus tecidos custarão 30% mais caro neste ano.

Como seu orçamento é baixo, não pode absorver o custo extra. Seu plano é lançar mais roupas mais cedo, para que as lojas tenham maior chance de vendê-las ao preço pleno e dar aos consumidores mais moda para seus dólares.

Ronald L. Frasch, vice-diretor da Saks, disse que os consumidores não sentirão a pontada dos preços mais altos por um tempo. "A questão maior será no outono, porque os materiais são mais luxuosos", disse Frasch. Ele acha mais provável que os homens adiem uma compra quando virem que o terno que compraram há um ano está 30 a 40% mais caro.

Wolfe, do Doneger Group, explicou a questão em termos reais. Se uma mulher gastava meio contra-cheque para comprar uma bolsa cobiçada, logo estará gastando o salário do mês inteiro, se for tão importante para ela.

De qualquer forma, para quem faz previsões, 2005 já foi. Wolfe está olhando para 2006. "Será o início da diminuição, da simplificação, do enxugamento", disse ele. "E isso vai ter todo tipo de implicações para o design. Muitos produtos atualmente são exageradamente estilizados". Ele prevê o início de um "movimento estético" que levará as pessoas de fato a se vangloriarem de ter apenas uma bolsa ou casaco caros.

Wolfe riu. "Gosto da idéia", disse ele, "é tão elitista". "A dama se foi, mas não procure o vagabundo", é o mote de 2005 Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,71
    3,127
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,37
    64.938,02
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host