UOL Notícias Internacional
 

05/01/2005

Abbas ataca Israel, após tanque matar 7 jovens

The New York Times
Greg Myre*

Em Jerusalém
A quatro dias das eleições presidenciais palestinas, marcadas para este domingo, dia 9, um tiro de tanque israelense matou, na Faixa de Gaza, sete jovens palestinos que colhiam morangos, segundo testemunhas. O episódio levou o principal candidato, Mahmoud Abbas, a fazer um virulento ataque a Israel, que ele chamou de "inimigo sionista".

Israel respondeu prontamente. O vice-primeiro-ministro Ehud Olmert disse que as declarações de Abbas eram "intoleráveis e inaceitáveis" e não poderiam "servir de base para cooperação futura".

A morte do líder palestino Iasser Arafat, no dia 11 de novembro, trouxe um breve período de violência e hostilidade reduzidas. No entanto, as mortes de terça-feira e as amargas recriminações subseqüentes lembraram os dias negros dos últimos quatro anos e marcaram uma ruptura no diálogo público relativamente contido entre Abbas e líderes israelenses.

Os problemas começaram pela manhã, quando palestinos atiraram quatro rodadas de morteiros, ferindo um civil israelense em uma zona industrial no limite norte da Faixa de Gaza, disseram os militares israelenses. Um deles quase atingiu um ônibus escolar que levava crianças no norte de Gaza, acrescentaram.

Depois disso, um tanque israelense abriu fogo contra um grupo de palestinos que acreditava ser responsável por lançar os morteiros, em uma fazenda no subúrbio de Beit Lahiya, disseram os militares.

Sete jovens palestinos que trabalhavam em uma plantação de morangos, com idades entre 11 e 17 anos, morreram, de acordo com parentes, testemunhas e autoridades palestinas no Hospital Kamal Adwan, que disseram que outros 11 civis palestinos tinham ficado feridos.

Dr. Mahmoud Al Asli, diretor do hospital, disse que seis membros da família Ghaben, inclusive três irmãos, tinham sido mortos. A família Ghaben confirmou os nomes e idades dados no hospital, segundo a Associated Press.

Abbas, que estava fazendo campanha no sul de Gaza na hora dos atentados, disse: "Estamos orando pelas almas dos mártires que foram mortos nesta terça-feira pelos tiros do inimigo sionista."

Abbas, comumente chamado de Abu Mazen, é conhecido por sua temperança e previamente evitou tais referências a Israel, rotineiramente utilizadas por facções militantes como o Hamas.

Um oficial israelense falou, sob condição de anonimato, que cinco dos mortos pertenciam ao Hamas, mas admitiu que civis podem ter sido atingidos. O Hamas, que normalmente faz declarações vangloriosas quando seus membros são mortos, disse que não tinha sofrido mortes no incidente.

A Brigada de Mártires Al Aqsa distribuiu um vídeo mostrando os ataques de morteiros e disse que os tinha executado junto com outra facção, os Comitês de Resistência Popular.

Islam Aldaabalah, um lavrador de 16 anos que trabalhava na fazenda, sofreu múltiplos cortes no rosto, braços e pernas. Ele disse que tinha visto os militantes lançarem morteiros dos campos e que um tanque israelense logo chegou e atirou, mas não atingiu ninguém.

Os militantes esconderam-se atrás de uma construção, depois fugiram lançando mais morteiros, ele disse. Cerca de 15 minutos depois, um tanque atirou novamente, mas os militantes não estavam mais na área, apenas os camponeses, disse Aldaabalah.

"Estávamos ali em pé, quando o disparo veio em nossa direção", disse em sua cama no hospital. "Fui atingido, e meus amigos morreram."

O Centro Palestino de Direitos Humanos disse que tinha investigado o episódio e concluído que "todas as vítimas do ataque eram menores que trabalhavam em sua terra".

O coronel Avi Levy, comandante de brigada no norte de Gaza, disse a uma rádio israelense: "Compreendemos que o tiro de fato atingiu aquela unidade."

Mas admitiu a possibilidade de mortes de civis. "No evento de nosso fogo atingir civis, deve-se protestar contra terroristas que atiram morteiros a partir de habitações civis", acrescentou.

***INTERTÍTULO***

O primeiro-ministro israelense Ariel Sharon disse que estaria disposto a se encontrar com Abbas. Israel vem discretamente apoiando o candidato, fugindo de um envolvimento direto nas eleições palestinas, marcadas para domingo. Autoridades israelenses vinham evitando comentar os discursos de campanha de Abbas, mas reagiram nesta terça.

"A nação israelense está muito preocupada com as declarações recentes de Abu Mazen, de teor muito militante", disse o ministro das relações exteriores, Silvan Shalom.

Depois de fazer seus comentários iniciais na cidade de Khan Yunis, no sul de Gaza, Abbas foi para o hospital Kamal Adwan. Quando seu carro estava estacionando, a área foi chacoalhada por dois estrondos, o som de foguetes palestinos sendo lançados contra Israel, de acordo com duas testemunhas. O Hamas depois assumiu sua autoria.

Em vez de sair do carro, Abbas foi retirado da área. Ele deixou Gaza e apareceu mais tarde, em um comício de campanha na cidade da Cisjordânia de Ramallah.

Até a morte de Arafat, Abbas, 69, era conhecido como negociador discreto, por trás das cenas, que tinha pouco ou nenhum apoio popular nas ruas palestinas. Durante a campanha, ele procurou o estreito caminho do meio.

Ele apareceu em comícios com militantes armados e apelou a eles, dizendo que ia tentar protegê-los das batidas militares israelenses. Tais declarações geraram aplausos e Abbas parece estar conquistando ao menos alguns dos palestinos mais jovens.

No entanto, ele também disse que a solução para o conflito do Oriente Médio é a negociação, e que os ataques palestinos contra Israel são contraproducentes para o objetivo palestino de tornar-se um Estado. Ele critica consistentemente os ataques palestinos com foguetes e o fez novamente na terça-feira.

"Isso é errado", disse Abbas. "Ainda condeno os foguetes e não vou pedir desculpas. Na maior parte dos ataques com foguetes, pagamos o preço."

Um porta-voz do Hamas, Mushir Al Masri, disse que Abbas estava errado em pedir um fim aos ataques com foguetes. "O líder palestino deve apoiar a escolha do povo e defendê-lo, em vez de se promover para o inimigo", disse Masri. Ele acusou a liderança palestina de ceder e fazer concessões gratuitas.

*Colaborou Taghreed El Khodary, de Gaza. Candidato palestino radicaliza o discurso a quatro dias das eleições Deborah Weinberg

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