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05/01/2005

"Alias" repete clichê da falsidade na 4ª temporada

The New York Times
Virginia Heffernan

Em Nova York
Norman Jean Roy/Touchstone/NYT

Quarta temporada das aventuras de Sydney Bristow estréia nos EUA
O que você pensa a respeito do badalado seriado "Alias" depende muito do que você pensa a respeito da atriz Jennifer Garner.

Se a grande beleza da atriz lhe sugere uma infinita variedade, então a alegação de profundidade da série, que é buscada com grave atenção ao rosto de Garner, soará verdadeira. No Brasil, a série é apresentada às 19h das quartas, no canal pago Sony.

Mas se, para você, os modos de Garner --sorrindo com covinhas, ou precocemente solene, como uma escoteira-- parecem apenas dois truques que ela está sendo forçada a repetir em vez de atuar, então a série não passa de um tédio.

Em uma segunda análise, "Alias", cujo episódio de duas horas que inicia a quarta temporada será exibido pela rede ABC na noite desta quarta-feira (5/1) nos EUA, não é nada mais do que uma história em quadrinhos pretensiosa: estática, alegórica, um prazer apenas para os viciados, mas também difícil de doer de criticar nestes tempos em que os quadrinhos americanos se tornaram, por meio da nostalgia masculina e da canonização da "graphic novel", sacrossantos.

Vamos ser honestos. Muitos de nós não gostam de histórias em quadrinhos e fingem interesse em suas nervosas cenas de combate bif-bang e na forma como redimem perdedores, apenas para impressionar e servir àqueles perdedores.

E, mesmo admitindo que a dinâmica de redenção --os pequenos garotos X-Men encontrando um superpoder em sua excentricidade e solidão--, pode ser tocante, não há nada pior do que escutar alguém explicando, seriamente, o Sindicato e a Força Sombria, o Disco Rígido e a Lança de Plutônio. E os personagens: insatisfatórios. Um é bom e o outro é mal, e então um é mal fingindo ser bom, e então um é bom fingindo ser mal.

Zzzz.

"Alias", que é uma produção de J.J. Abrams, que também criou a série
"Lost" (sucesso nos EUA ainda inédito no Brasil), não é diferente. Quando a história teve início, Sydney Bristow (Garner) era boa fazendo o bem, trabalhando para o que achava ser uma boa agência do governo (agências do governo são sempre boas).

Então ela descobriu que a agência era má: uma agência antigoverno. Então ela resolveu se tornar boa fingindo ser má e continuar trabalhando na agência como uma agente dupla, prestando contas ao bom governo americano, e em particular para um agente boa pinta chamado Michael Vaughn (Michael Vartan).

Por algum motivo, isto foi tolerável por uma temporada. A organização abertamente maligna de Sydney tinha seus próprios adversários, e ela, é claro, agora enfrentava sua organização maligna, de forma que havia bastante conflito e muitas ocasiões para perucas, sotaques do Leste Europeu e combates cheios de saltos, tudo bonito de se ver.

Mas os personagens e situações são tão derivativos, e a trama é tão cheia de trapaças, que a série se tornou cansativa. O pai de Sydney, Jack Bristow (Victor Garber, que é bom) é um tipo intermitentemente bom fingindo ser mal, e sua mãe, um tipo viva fingindo estar morta.

Uma subtrama tipo "Código Da Vinci", envolvendo uma figura fictícia da Renascença italiana chamada Milo Rambaldi e sua profecia (a Profecia, naturalmente), tem se arrastado interminavelmente e deve ter feito pelo menos alguns espectadores se perguntarem por que estão perdendo tanto tempo investigando os falsos diários de Rambaldi quando poderiam estar estudando os reais de Leonardo.

Houve várias mortes falsas em "Alias". É possível contar que pessoas que parecem mortas geralmente aparecerão na série vivas e conspirando. Amnésia, outro recurso padrão das novelas, ganhou proeminência na lógica da terceira temporada.

Personagens corretos se misturam com corruptos tão freqüentemente que inevitavelmente se misturam. Na segunda temporada, a série --cansada, talvez, da velha duplicidade psicológica-- introduziu a "cópia genética", que se tornou a forma pomposa da série explorar a velha trama dos gêmeos, que as novelas empregam quando estão desesperadas.

Estréia da 4ª temporada

O episódio da noite desta quarta-feira começa com uma Sydney travestida, como de costume: desta vez ela está vestindo uma lingerie "teddy" em uma cabine de trem, seduzindo um cientista aparentemente russo em busca de segredos sobre isótopos. Uma luta tem início rapidamente, e de repente Sydney está prestes a cair do trem. Mas não cai.

Um flashback mostra Sydney fingindo alguns erros em outra missão e sendo falsamente demitida. Na verdade, ela foi transferida para um grupo de inteligência ainda mais secreto e autônomo chamado "Apenas Pessoal Autorizado", mas ela diz a todos que abandonou a espionagem, recuperando assim seu disfarce.

No novo grupo estão todos os antigos companheiros: Jack, é claro, e Vaughn, assim como Dixon (Carl Lumbly), o geek Marshall (Kevin Weisman) e o malvado Sloane (Ron Rifkin), o ex-chefe dos bandidos, que agora passou a ser correto ou é um malvado fingindo ser bom.

Os novos superamigos seguem para suas primeiras missões: o caso do isótopo e um roubo a museu relacionado, que permite a Sydney se vestir como gatuna e se balançar por uma exposição não vigiada.

O esporádico romance de Sydney e Vaughn, interrompido toda vez que um deles está morto ou envolvido com outra pessoa, é reaceso. Sua meia-irmã, Nadia (Mia Maestro), aparece para multiplicar as cenas de ação com garotas. E seu relacionamento problemático com seu pai fica ainda mais problemático e possivelmente menos problemático enquanto ele oscila na estima de Sydney entre ser mal fingindo ser bom e bom fingindo ser mal.

Resumindo, um típico episódio de "Alias".

Garner, que quando não está de peruca ainda exibe um cabelo castanho aparentemente natural, parece honestamente bela nos closes. Mas como uma personagem que foi traída por todos à sua volta --e que enfrenta a morte regularmente-- ela já deveria ter um ar de Anna Karenina a esta altura.

Em vez disso, quando parece meiga, ela apenas não se permite ir longe o bastante. Isto também é ruim, pois se ela sorrisse após as acrobacias e não parecesse tão solene, ela poderia se passar por Lynda Carter na antiga "Mulher-Maravilha". E então aqueles que não gostam de histórias em quadrinhos poderiam desprezar esta série como tola sem arrependimento.

Alias

J.J. Abrams, criador e produtor executivo; Ken Olin, diretor e produtor executivo; Jeff Melvoin, produtor executivo; Jeffrey Bell, Jesse Alexander e Jeff Pinkner, co-produtores executivos; escrito por Abrams e Melvoin.

Com Jennifer Garner (Sydney Bristow), Victor Garber (Jack Bristow), Ron Rifkin (Arvin Sloane), Michael Vartan (Michael Vaughn), Carl Lumbly (Marcus Dixon), Kevin Weisman (Marshall Flinkman), Greg Grunberg (Eric Weiss) e Mia Maestro (Nadia Santos). Série em que nada é o que parece insiste em identidades fajutas George El Khouri Andolfato

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