UOL Notícias Internacional
 

05/01/2005

Atentado a governador ameaça eleição no Iraque

The New York Times
Richard A. Oppel Jr.

Em Bagdá, Iraque
Pistoleiros ligados à rede terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden, mataram o governador da província de Bagdá, nesta terça-feira (4/1), a mais alta autoridade iraquiana assassinada desde maio. O atentado ocorreu pouco tempo depois da explosão de uma enorme bomba em um caminhão-tanque, que matou 10 pessoas e feriu cerca de 60 no centro de Bagdá, perto das principais instalações americanas e do Ministério do Interior. Ao menos oito dos mortos eram militares iraquianos.

O governador Ali Al Haidari e vários de seus guarda-costas foram mortos depois que ele saiu de casa pela manhã, de acordo com o Ministério do Interior. Haidari é a mais alta autoridade iraquiana assassinada desde que o presidente do Conselho Governante do Iraque, Ezzedine Salim, político islâmico e escritor, foi morto por um suicida no dia 17 de maio.

A violência no Iraque, que também matou um marine e quatro soldados americanos, levou o presidente interino do Iraque, Ghazi Al Yawar, a instar a Organização das Nações Unidas a avaliar se o Iraque deve ou não prosseguir com as eleições marcadas para o dia 30 de janeiro.

"A ONU, como um organismo independente de legitimidade, deve realmente assumir a responsabilidade de avaliar se é possível ou não" realizar as eleições, disse al Yawar, xeque sunita, em uma entrevista com a Reuters. "Segundo a lógica, há sinais de que será difícil."

Seus comentários reverteram a posição que expressara em Washington, em dezembro, quando afirmou junto com o presidente Bush que as eleições deveriam ser organizadas como programado, apesar da violência. No entanto, essa mensagem foi reiterada em Washington, pelo governo Bush, nesta terça.

O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, disse que, na segunda-feira, o presidente Bush e o primeiro-ministro interino do Iraque, Ayad Allawi, tinham falado da importância de realizar as eleições conforme programado e que "não há discussão de um adiamento das eleições".

"A maior parte do país está em um ambiente seguro o suficiente para prosseguir com as eleições", disse McClellan. Ele acrescentou que as forças americanas estavam trabalhando com as autoridades de segurança iraquianas para melhorar as condições nos locais onde ainda não eram adequadas, de forma que "o maior número de pessoas possa participar".

Uma alta autoridade do Departamento de Estado dos EUA no Iraque, que falou aos repórteres em Washington por meio de uma ligação do Pentágono, repetiu a mensagem.

"Acho que, definitivamente, as eleições serão feitas no dia 30 de janeiro", disse, na terça-feira, sob condição de anonimato. "Não acho que haja qualquer dúvida aqui no Iraque. E, francamente, não vejo a situação de segurança piorando. Acho que, de fato, está um pouco melhor do que, digamos, há seis semanas" e que, "na maior parte do Iraque, a situação não é tão ruim, honestamente".

A Casa Branca também recebeu o apoio do ministro de Relações Exteriores do Iraque, Hoshyar Zebari, que disse aos repórteres que o governo interino ainda estava determinado a prosseguir com as eleições no dia 30 de janeiro.

Em Phuket, Tailândia, o secretário de Estado Colin L. Powell, disse que ficou triste em saber da morte do governador Haidari. "Novamente, mostra que há assassinos e terroristas, elementos do antigo regime do Iraque, que não querem as eleições", disse ele. "Eles não querem que o povo do Iraque escolha seus líderes. Querem voltar ao passado."

Al Qaeda

O grupo terrorista chefiado pelo líder da Al Qaeda no Iraque, Abu Musab Al Zarqawi, assumiu a responsabilidade pelo ataque em uma página na Internet, chamando Al Haidari de "autocrata" e sua morte de um esforço para "liberar a cidade e todo o país".

O grupo de Zarqawi também assumiu a responsabilidade por detonar o caminhão de combustível pela manhã no oeste de Bagdá, enquanto invadia o posto de polícia no bairro de Qadissiya. Testemunhas disseram que os guardas atiraram contra o caminhão enquanto vinha em sua direção. Eles mataram o motorista mas não conseguiram impedir a explosão.

"A polícia tinha atirado no suicida, mas o caminhão continuou avançando e matou a maior parte dos que estavam no portão da frente, civis ou guardas", disse um agente militar de 23 anos. Os insurgentes "não querem eleições, os terroristas não querem um país estável", disse ele.

Muhammed Hashem, um trabalhador de 40 anos que mora ali perto disse: "Acordamos às 9h com o barulho da explosão e vimos as janelas destruídas e destroços em toda parte."

"O local já tinha sido alvo de ataques duas vezes. Os americanos e a polícia deveriam ter providenciado maior segurança, mas não o fizeram", disse Hashem. "O sangue iraquiano tornou-se tão barato que as pessoas são mortas todos os dias por razões triviais."

Os dois ataques sangrentos convergiram no Hospital Yarmouk, em Bagdá. Enquanto as vítimas do caminhão-tanque chegavam, a viúva do governador Haidari esperava com seu filho de 16 anos, Hussein. "Não temos mais a quem recorrer", disse ela.

As baixas americanas ocorreram em três ataques, segundo os militares. No norte de Bagdá, três soldados da Primeira Divisão de Cavalaria foram mortos e dois ficaram feridos com a explosão de uma bomba improvisada, perto das 11 horas no horário local.

Cerca de 30 minutos depois, um soldado da Primeira Divisão de Infantaria foi morto e um ferido quando uma bomba explodiu perto de Balad, local de uma base aérea americana, cerca de 80 km ao norte de Bagdá. Um Marine foi morto enquanto executava operações de segurança com a Primeira Força Expedicionária Marine, na província de Al Anbar, região sunita a oeste da capital.

No dia anterior, na segunda-feira, mais de 20 iraquianos e ocidentais morreram em cinco ataques diferentes, que incluíram carros-bomba e armadilhas com artilharia escondida e um corpo sem cabeça. No domingo, 18 soldados iraquianos e um civil foram mortos em Balad, a 80 km ao norte de Bagdá, quando um homem-bomba detonou seu veículo perto de um ponto de ônibus cheio de guardas iraquianos.

Para os oficiais americanos, a violência tem a intenção de prejudicar as eleições nacionais e lançar o Iraque em um caos ainda mais profundo. Entretanto, vários entrevistados na cena da explosão do caminhão-tanque disseram que o ataque apenas reforçou sua determinação de votar.

"É verdade que não querem que agente participe das eleições", disse um rapaz de 26 anos próximo ao local da explosão perto do Ministério do Interior. "Mas eu lhe digo que agora estou mais determinado a ir aos centros eleitorais e votar."

*Colaboraram Christine Hauser, Zaineb Obeid e Layla Istifan, de Bagdá, e David Stout, de Washington. Presidente pede para ONU avaliar se votação no dia 30 é possível Deborah Weinberg

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