UOL Notícias Internacional
 

05/01/2005

Cresce ajuda global a áreas afetadas pelo tsunami

The New York Times
Scott Shane,

Em Jacarta, Indonésia
"Estamos fazendo progressos extraordinários no sentido de alcançar a maioria das pessoas afetadas na maior parte das áreas", disse o coordenador de emergência da Organização das Nações Unidas (ONU). "Estamos enfrentando também obstáculos extraordinários em muitas, muitas áreas".

Egeland disse que a resposta global é "fenomenal" e afirmou esperar que o mundo tenha estabelecido um novo padrão de ajuda às nações pobres. "Em dez dias presenciamos mais auxílio às vítimas do maremoto do que toda a ajuda relativa a emergências no mundo em todo o ano passado, incluindo àquela às vítimas da violência da região de Darfur, no Sudão", disse ele no programa "Today", da rede de televisão NBC.

Enquanto os líderes dos países doadores se preparam para participar de um encontro aqui na próxima quinta-feira para discutir formas de coordenar a ajuda, a Alemanha anunciou que contribuirá com US$ 668 milhões, o que faz do país o maior doador até o momento.

O Japão ofereceu US$ 500 milhões e os Estados Unidos US$ 350 milhões, além do uso de embarcações, aeronaves e outros instrumentos militares de apoio.

Nesta terça-feira (4/1), as forças norte-americanas demonstraram ser essenciais para o fornecimento de helicópteros e para o transporte de suprimentos, quando um avião de carga atingiu um búfalo no aeroporto em Banda Aceh, no caótico centro da área mais atingida da Indonésia, fazendo com que a pista ficasse fechada durante a maior parte do dia e demonstrando a fragilidade da logística daquela que, segundo as autoridades internacionais e oficiais militares, seria a maior operação de auxílio humanitário da história.

Com as redes internacionais de televisão mostrando repetidamente imagens das forças armadas norte-americanas fornecendo ajuda às vítimas do maremoto, o secretário de Estado, Colin L. Powell, que visitou o arruinado centro tailandês de turismo em Phuket no início do segundo dia da sua viagem pela região, na companhia do governador da Flórida, Jeb Bush, reconheceu que a missão humanitária pode melhorar a imagem dos Estados Unidos em partes do mundo muçulmano furiosas com as políticas norte-americanas no Oriente Médio e com as operações militares no Iraque e no Afeganistão.

Falando a jornalistas na companhia do ministro indonésio do Exterior, Hassan Wirayuda, Powell afirmou que a ajuda norte-americana é condizente com a magnitude da catástrofe humana, especialmente na Indonésia, a nação muçulmana mais populosa do mundo, onde moravam dois terços das 150 mil pessoas mortas no maremoto.

Mas, observando que a maioria das vítimas é muçulmana, ele falou sobre a natureza da iniciativa de ajuda norte-americana. "Estamos fazendo isso independentemente da religião", disse Powell. "Mas creio que a iniciativa proporciona aos povos muçulmanos e ao resto do mundo a oportunidade de presenciar a generosidade norte-americana, os valores norte-americanos em ação".

"Os Estados Unidos não são um país antimuçulmano", acrescentou Powell. "Somos uma sociedade variada na qual há respeito a todas as religiões. E espero que como resultado dos nossos esforços, como resultado de nossos pilotos de helicóptero terem sido vistos pelos cidadãos indonésios que ajudamos, o nosso sistema de valores fique fortalecido na região".

Wirayuda, pós-graduado pela Escola de Direito da Universidade Harvard, elogiou a ação das forças armadas norte-americanas nos trabalhos de auxílio humanitário.

"Apreciamos particularmente o papel crucial desempenhado pelas forças armadas dos Estados Unidos no fornecimento de helicópteros para a assistência humanitária às vítimas e aos sobreviventes em áreas remotas e isoladas", afirmou.

A missão de ajuda humanitária penetrou profundamente nas regiões atingidas da Sumatra, naquela que é uma corrida contra o tempo para dezenas de milhares de pessoas, entre as cerca de 400 mil que se acredita estarem feridas ou desabrigadas desde que o gigantesco terremoto submarino, em 26 de dezembro, gerou ondas que varreram as ilhas da costa ocidental da Indonésia.

A Organização Mundial de Saúde advertiu que a pneumonia, a diarréia, a malária e numerosas infecções, incluindo os ferimentos gangrenados que não estão sendo tratados no calor tropical, afligem várias vítimas em Aceh, a província mais afetada de Sumatra. A região adjacente à cidade costeira de Meulaboh, ainda inacessível, a não ser por helicópteros, é motivo de especial preocupação.

"O número de mortos em Meulaboh é algo que desafia a imaginação", disse à agência Reuters o diretor indonésio do grupo de ajuda humanitária Comitê Internacional de Resgate, Aitor Lacomba. "Dezenas de milhares de pessoas necessitam de assistência imediata na região".

Ao mesmo tempo, a magnitude integral da devastação em outras regiões passou a ser mais bem compreendida. Autoridades indianas, que disseram que o número de mortos ultrapassou 15 mil, elevaram a estimativa dos desaparecidos nas ilhas Andaman e Nicobar para mais de 6.000, à medida que sofreram pressões crescentes de grupos internacionais de auxílio para permitir a entrada de estrangeiros no arquipélago e na Baía de Bengala.

No início do dia, Powell e o governador Bush, o irmão do presidente, visitaram a ilha de Phuket, a região turística tailandesa duramente atingida, e ofereceram a assistência técnica dos Estados Unidos para ajudar a Tailândia a criar um sistema de alerta regional para a proteção contra futuros desastres.

De pé no calor escaldante próximo a uma parede coberta de fotografias dos desaparecidos, Powell sugeriu que o desafio de fornecer auxílio aos sobreviventes na Tailândia pode ser superado e que a maior necessidade aqui pode ser a da ajuda para a tarefa repugnante de identificar corpos em processo acelerado de decomposição.

Especialistas em medicina legal trabalhando em laboratórios improvisados na ilha estão usando agora exames de DNA para reduzirem a lista de vítimas não identificadas.

"O desafio difícil que presenciei aqui nesta tarde, e no qual vou pensar para ver o que mais podemos fazer, diz respeito à identificação dos corpos", disse Powell, após se reunir com uma equipe de médicos legistas militares dos Estados Unidos, que geralmente lidam com os restos mortais de soldados norte-americanos desaparecidos em ação.

O ministro do Exterior tailandês, Surakiart Sathirathai, disse que o seu governo registrou 5.187 mortes, das quais um pouco mais da metade diz respeito a estrangeiros, a maior parte deles turistas de férias em hotéis e pousadas à beira da praia.

Ainda não foram identificados 362 corpos, incluindo aqueles cujos estágios de decomposição estão tão avançados que se tornou impossível determinar se são de tailandeses ou de europeus, informou Surakiart. Há 3.810 pessoas registradas como desaparecidas.

Powell disse que uma tarefa ainda por ser completada é uma busca entre as árvores dos manguezais da Tailândia, que crescem na água e em cujas raízes aéreas pode haver cadáveres presos.

Em Phuket, Powell e o governador Bush fizeram uma parada para agradecer às autoridades consulares de vários países que, sentadas em mesas de uma sala lotada, trabalhavam no sentido de ajudarem amigos e parentes dos turistas mortos pelo maremoto a identificarem os corpos e enviarem-nos a seus países de origem.

O secretário de Estado disse que os problemas da Tailândia são modestos quando comparados aos da Indonésia, especialmente na região de Aceh, que ele e Jeb Bush deverão visitar nesta quarta-feira.

Powell disse que Mianmar --no passado conhecido como Burma ou Birmânia--, não parece ter sofrido muito com o tsunami, com base em fotos da costa do país tiradas por satélites. Outras autoridades governamentais disseram que visitantes da Cruz Vermelha e de outras organizações confirmaram tal impressão.

As autoridades de Mianmar anunciaram que 59 pessoas morreram no país devido à tragédia, mas especialistas de outras regiões acreditam que esse número possa ser bem maior.

O governador Bush disse a uma multidão em Phuket que, mesmo considerando os quatro furacões que atingiram o sudeste dos Estados Unidos nas seis semanas de agosto e setembro do ano passado, nada se compara à devastação causada aqui pelo maremoto.

No Aeroporto Internacional de Bangkok, Powell e Bush puderam ver as montanhas de suprimentos doados que chegam à Tailândia, ao fazerem uma breve visita aos hangares de depósito de materiais. Pacotes de macarrão e garrafões plásticos de água mineral estavam empilhados próximos a uma cena sinistra: pilhas de caixões de madeira vazios, pintados de branco e com inscrições em tailandês.

Do lado de fora, sob o sol, havia de pilha de doações locais, incluindo roupas, lençóis e cobertores. O administrador da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID na sigla em inglês), Andrew Natsios, sacudia a cabeça diante da cena caótica.

"Tudo isso parece tão familiar", disse ele. "As pessoas são muito generosas, mas há problemas de distribuição. Mas isto é melhor do que aquilo que vi em muitos lugares". Collin Powell e Jeb Bush verificam situação de Phuket, na Tailândia Danilo Fonseca

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