UOL Notícias Internacional
 

06/01/2005

Feira de tecnologia promete inovação e negócios

The New York Times
Saul Hansell

Em Las Vegas
Rex Wong escolheu a música e contratou as modelos. A partir desta quinta-feira (6/1), elas começarão a desfilar seu mais recente design: players de vídeo portáteis cor-de-rosa com estojos de falsa pele de crocodilo cor-de-rosa.

Como muitos designers que planejam exibir suas linhas de primavera aqui, Wong, o presidente de uma nova empresa de eletrônicos chamada X2, espera impressionar alguns dos mais perspicazes tecno-fashionistas: os 130 mil visitantes esperados na anual Consumer Electronics Show (feira de eletrônicos de consumo), que realizou uma prévia na quarta-feira para a imprensa e abre formalmente no dia seguinte.

A feira, disse Wong, "é o único local onde todos estão, a mídia e os compradores de todas as partes do mundo".

Como as passarelas de Paris e Milão estão para o ramo da moda, os corredores do Centro de Convenções de Las Vegas estarão nesta semana para o mundo dos aparelhos digitais. Todas as coisas de áudio e vídeo se tornaram tão inseridas na vida cotidiana americana e do comércio que a feira, antes um sonolento encontro de negócios para varejistas de aparelhos de som e TV, agora, em termos de espaço de exibição, é a maior feira anual do país. Ela mantém tal posição desde 2001, segundo a revista "Tradeshow Week".

Por grande parte dos anos 90, a maior feira era a Comdex, de informática. Mas agora que o hardware e o software de informática são considerados apenas os ingredientes brutos dos eletrônicos de consumo, a feira representa a vanguarda da tecnologia de pegar som e imagens --desde os primeiros passos do bebê ao clímax de um sucesso arrasa-quarteirão de Hollywood-- e encolhê-los ao tamanho de um cubo de açúcar. Ou expandi-los para preencher toda uma parede. Ou transmiti-los em um instante para o pátio, ou para todo o mundo. Tudo sem fios, é claro.

A feira e a indústria de US$ 124 bilhões por ano que ela representa se tornaram importantes nos círculos de tecnologia, tanto que astros da indústria de informática agora se sentem obrigados a comparecer.

Bill Gates, o presidente da Microsoft, será um importante orador. Assim como Craig R. Barrett, executivo-chefe da Intel, e Carly Fiorina, presidente e executiva-chefe da Hewlett-Packard.

E tamanho é o poder de lobby da patrocinadora com sede em Washington, a Associação de Eletrônicos de Consumo, que 150 membros do Congresso e autoridades regulatórias do governo, incluindo o presidente da Comissão Federal de Comunicações, Michael K. Powell, deverão comparecer ao evento. Será uma averiguação de fatos, ao estilo Las Vegas.

Mas no geral, pequenos empreendedores e grandes conglomerados --2.500 empresas ao todo, espalhando seus produtos em um espaço de exposição equivalente a 11 quarteirões de Nova York- estarão competindo para promover suas mais recentes inovações para um público de varejistas de eletrônicos, jornalistas, investidores e concorrentes. (Apesar do "consumo" no nome, a feira é fechada ao público.)

Entre os novos produtos prontos para lançamento estão a altamente antecipada primeira versão americana do PlayStation Portable da Sony, um game portátil sem fio e dispositivo de entretenimento capaz de também tocar música e vídeos. Haverá milhões de câmeras digitais e aparelhos de som automotivos, cada um dependendo tanto do design como da tecnologia para se diferenciarem.

Nos extremos de tamanho, a Samsung planeja exibir uma TV de plasma medindo diagonalmente dois metros, enquanto a Motorola apresentará um celular tão pequeno que é inserido em um gorro para ser usado enquanto se realiza snowboarding.

Os aparelhos que gerarem mais interesse entre os varejistas na feira estarão entre aqueles que provavelmente receberão uma promoção mais proeminente, nesta primavera, nas lojas de eletrônicos de consumo e nas lojas online.

Outros aparelhos --disponíveis apenas para serem vistos por convidados nas suítes de hotel onde os acordos de distribuição são fechados-- poderão não estar prontos para exibição pública até a feira do próximo ano.

Lugares comuns da era digital como e-mail e videoconferência podem fazer esta feira gigantesca parecer anacrônica. Mas o apelo de fechar negócios pessoalmente torna os executivos do setor dispostos a se submeterem aos notórios congestionamentos da feira, dias de trabalho de 18 horas e latejante sobrecarga sensorial.

O Salão Sul do centro de convenções, onde as empresas de som automotivo competem com os mais novos sistemas de som para veículos utilitários esportivos, pode ser particularmente perigoso.

"À medida que nos tornamos mais conectados pela Internet", disse David Lane, proprietário da Stereo Shop, uma loja de eletrônicos em Rochester, Nova York, "eu posso receber as informações de que preciso sobre produtos e preços enquanto estou sentado na minha loja".

Mas ao fazer a peregrinação anual a Las Vegas, ele acrescentou, "eu posso me encontrar com os chefes de meus vendedores. Às vezes as pessoas precisam estar face a face para desenvolver relacionamentos pessoais".

E não há substituto online para ser capaz de ver como um produto realmente se parece ou qual é a sensação quando você se senta nele.

"Uma coisa que você não pode fazer pela Internet é permitir que as pessoas experimentem o que você esta produzindo", disse Michel Jacques, presidente da D-Box, uma empresa sediada perto de Montreal e que produz poltronas de couro de US$ 5 mil que sacodem e vibram à medida que a ação esquenta enquanto você assiste filmes em seu aparelho de TV de tela grande. "O que estamos fazendo é muito difícil de explicar em palavras."

Evolução

Quando teve início há mais de três décadas, a Consumer Electronics Show era basicamente uma reunião de fabricantes de aparelhos de televisão e de som e vendedores. Posteriormente, ela serviu como exposição para produtores de vídeos pornográficos e videogames, até estas indústrias crescerem tanto que passaram a ter suas próprias feiras.

Apenas recentemente o evento adquiriu sua atual proeminência, impelida por uma série de inovações na tecnologia digital. Há seis ou sete anos, disse Jeff Stone, executivo-chefe da Tweeter, uma rede de lojas de eletrônicos, a feira "era um tédio só".

"Você vinha ver as mesmas TVs com apenas alguns apitos novos", disse Stone. Mas com a chegada de verdadeiras tecnologias multimídia para os consumidores, ele disse, "os últimos anos têm sido realmente empolgantes".

Toda a algazarra forçou expositores a não medirem esforços para chamar a atenção. A Philips construiu uma torre de quase 6 metros com luzes brilhantes para mostrar sua nova linha de televisores, que iluminam a sala com cores diferentes dependendo do programa.

"Se você estiver assistindo a um jogo de futebol, ela mostrará uma luz verde", disse o vice-presidente sênior da Philips, Des Power. "Se você estiver assistindo 'Lawrence da Arábia', você terá uma luz laranja ou amarela para acompanhar a areia."

A Motorola contará com uma equipe de campeões de snowboarding deslizando em uma rampa de 45 metros com neve artificial, construída no estacionamento do centro de convenções, para mostrar uma nova linha de roupas que está fazendo com a Burton Snowboarding. Além do gorro, a linha inclui um capacete e uma jaqueta, cada um deles com alto-falantes e microfones inseridos capazes de conexão sem fio com um celular ou player portátil de música.

Negócios

Grande parte da ação real deve acontecer no pavilhão da feira.

Escondidos atrás dos palcos do vasto estande da Panasonic estão 30 salas de conferência, onde seus executivos se encontrarão com varejistas, negociarão contratos com fornecedores potenciais e talvez forjarão alianças com concorrentes.

A feira também será o fórum para uma grande batalha entre os proponentes de dois formatos concorrentes para uma nova geração de videodiscos de alta definição --com um lado, liderado pela Sony, defendendo uma tecnologia chamada Blu-ray e a outra, defendida pela Toshiba, chamada HD-DVD. Cada uma terá uma coletiva de imprensa para defender sua tecnologia. E cada uma buscará encontrar na feira aliados entre fabricantes, estúdios e varejistas.

"Nós esperamos que a feira ajudará o disco Blu-ray a ganhar impulso", disse Andy Parson, vice-presidente sênior para tecnologia avançada da Pioneer Electronics, uma das promotoras do Blu-ray.

Gary Shapiro, o presidente da Associação de Eletrônicos de Consumo, planeja acompanhar legisladores e reguladores pela feira. Sua agenda será acentuar as posições da indústria sobre questões políticas, como encorajar a adoção da televisão de alta definição e desencorajar a imposição de tarifas de importação sobre eletrônicos.

Ele também buscará conversar com os executivos dos estúdios de Hollywood e sistemas de televisão a cabo que visitarem a feira, indústrias que têm lutado contra os fabricantes de eletrônicos devido a aparelhos que dizem estarem minando seus modelos de negócios, ao permitirem que os telespectadores evitem facilmente os comerciais ou troquem cópias digitais de música e outros conteúdos de mídia.

O jantar anual de Shapiro no Hotel Bellagio, na noite desta sexta-feira, reunirá a delegação de Washington e 350 titãs das indústrias representadas aqui. "Eu tenho uma teoria de tenda grande", comentou Shapiro.

O orador do jantar será Michael Ramsay, executivo-chefe da TiVo, a empresa pioneira --mas deficitária-- de gravação de vídeo que tem ajudado os consumidores a controlarem a que programas de televisão assistirão e quando.

Um momento mais animado, talvez, ocorrerá na mesma noite no Paris Hotel, naquela que tradicionalmente é a festa mais ostentosa da feira, patrocinada pela Monster Cable, a fabricante de acessórios de áudio e vídeo de alto preço, que estão entre os produtos mais lucrativos da indústria. Neste ano, ela terá um show de Rod Stewart para 4 mil convidados.

"Todo mundo lá é alguém", disse Noel Lee, o fundador da empresa, que adotou o título de "monstro chefe".

O ímpeto competitivo de exibicionismo é tamanho que uma das funções de Karen Chupka, a vice-presidente de eventos e conferências da Associação de Eletrônicos de Consumo, é determinar o que é vulgar, incômodo ou perigoso --mesmo dentro dos padrões de Las Vegas.

"Pessoas já tentaram trazer tigres vivos", disse Chupka. "Eles não foram aprovados." Evento em Las Vegas mobiliza fabricantes e especialistas do setor George El Khouri Andolfato

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