UOL Notícias Internacional
 

06/01/2005

Internet ajuda famílas de desaparecidos na Ásia

The New York Times
Scott Shane e

Nicholas Confessore

Em Nova York
As notícias tiveram um impacto como o da onda, uma inundação de imagens e palavras que fluíram por todos os canais de televisão e que foram estampadas nas primeiras páginas de todos os jornais. Mas horas após o tsunami atingir as costas do sul da Ásia, Lisa Bauman, uma enfermeira de Austin, Texas, não tivera notícias de seu irmão e sua família, que visitavam a Indonésia.

Assim como milhares de outros parentes e amigos preocupados, envolvidos neste que é o mais global dos desastres, ela se voltou para o mais global dos meios de comunicação. Lisa colocou mensagens em meia dúzia de sites da Internet, incluindo aquele criado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha:

"Por favor, ajudem-me a encontrar o meu irmão Thomas Bauman Jr., a sua mulher Vivi Gunawan e seus dois filhos... Não tivemos nenhuma notícia. Vocês estavam no mesmo vôo? Ou os viram no aeroporto?"

Ela passou horas na Internet, examinando listas e fotos de vítimas e sobreviventes divulgadas por hospitais e autoridades governamentais e acessando a versão online do jornal "The Jakarta Post" para obter notícias mais detalhadas.

Lisa recebeu mensagens consoladoras de desconhecidos, mas pouca informação. Finalmente, na noite da última quinta-feira, a sua mãe conseguiu falar por telefone com Thomas Bauman e descobriu que todos os membros da família estavam bem.

Experiências como a dos Bauman ilustram o extraordinário alcance da Internet, mas também as suas limitações. Em dezenas de sites --salas de conversas virtuais e boletins de mensagens recém-criados por companhias de viagens, agências de notícias e organizações de ajuda humanitária-- os indivíduos podem inserir breves descrições físicas de amigos e familiares desaparecidos, assim como pedidos de informação.

Várias pessoas que colocaram tais mensagens na Internet são parentes de turistas ocidentais que viajavam pela Ásia quando ocorreu o maremoto. Eles recorreram à Internet para decifrarem nomes de localidades desconhecidas ou encontrar mapas de pequenas vilas à beira da praia que só haviam visto em cartões postais.

Eles verificam listas de mortos, divulgados em sites governamentais e atualizados por autoridades locais, ou visitam as páginas de hospitais estrangeiros, alguns dos quais publicaram fotos de crianças ocidentais cujos pais foram mortos pelas ondas.

A Internet se tornou também o principal canal de doação privada para aquilo que está se transformando na maior iniciativa de ajuda internacional humanitária em décadas. Até a terça-feira passada a Amazon.com disse ter arrecadado mais de US$ 14 milhões ao oferecer o seu site como canal de doação à Cruz Vermelha dos Estados Unidos.

Cerca de metade das doações de US$ 92 milhões recebidas até o momento pela Cruz Vermelha dos Estados Unidos foi feita pela Internet.

A maioria dos mortos não é composta de turistas, mas de moradores da Tailândia, Indonésia, Índia, Sri Lanka e outros locais onde o acesso a Internet ainda é precário.

Mas mesmo os americanos e europeus, que dispõem de fácil acesso à Internet, parecem ter mais chances de receber condolências do que de encontrar os seus entes queridos: de uma dúzia de pessoas contatadas por The New York Times e que colocaram mensagens na Internet buscando notícias de parentes desaparecidos, nenhuma recebeu qualquer resposta com informações úteis.

Esther Dyson, editora do jornal online "Release 1.0" e autora conhecida de trabalhos sobre o impacto da Internet, disse que não se devem considerar os boletins de notícias online um fracasso. Segundo Esther, eles representam um salto tecnológico incrível para além daquilo que era possível em casos de desastres uma década atrás.

"Qualquer pessoa no mundo pode montar um desses boletins, e qualquer outra é capaz de realizar buscas nesses sites e encontrar um nome", diz ela. "Isso é um milagre. As mesmas ferramentas que utilizamos para encontrar as melhores ofertas na Amazon são utilizadas quando tentamos descobrir quem está vivo ou morto".

Qualquer que seja o seu principal valor como instrumento para localizar os desaparecidos, as mensagens e fotos públicas transformaram a Web em um memorial da catástrofe, marcado pela diversidade e pelo clima de desespero:

  • "Procuramos a nossa colega de república, Pamela Lim, uma indonésia que trabalha na Austrália. Ela viajou para Jacarta na época do Natal e iria para Medan no final de dezembro".

  • "Precisamos de informações sobre a pastora Ruth Snyder, que trabalhava na Indonésia como missionária. Ela pregava nas prisões".

  • "Procuro a minha melhor amiga, Lia Schnackenberg. Na última vez que nos comunicamos, ela estava em um bangalô na praia. Não sei exatamente onde".

  • "Busco informações sobre o meu amigo Siri Nanda, que mora em Habaraduwa (próximo a Kogalla) e trabalhava na praia nas proximidades do Hotel Koggala".

    O site do Hotel Siam View, na Baía de Arugam, no Sri Lanka, costumava trazer descrições de seus quartos e cópias do menu do seu restaurante. Agora ele está ligado a uma página sem ilustrações que traz as últimas notícias sobre o desastre e uma lista dos moradores locais mortos e desaparecidos.

    E-mails e sites na Internet são valiosos para o trabalho de coordenação logística de governos e agências privada, diz Paul Meyer, um empresário de Washington que trabalhou com o fornecimento de tecnologias em situações de crises da África Ocidental aos Bálcãs.

    "Em uma crise como o maremoto, o problema fundamental é saber quem está no comando", explica Meyer, diretor-executivo da Voxiva, que se preparava para oferecer os seus serviços de comunicação na área atingida pelo desastre. Falando sobre a Web, ele diz: "Há um papel real a ser desempenhado por um fórum centralizado de informações".

    Mas acrescenta: "É preciso que sejamos realistas a respeito do alcance da Internet. Não existem cibercafés nas vilas arruinadas de Sumatra". O tsunami reforça a Web enquanto meio capilarizado de informação Danilo Fonseca
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