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07/01/2005

Embora não esteja pronto, Iraque deve ter eleição

The New York Times
Dexter Filkins

Em Bagdá
Faltando três semanas para as eleições nacionais, quatro das 18 províncias do país ainda não estão suficientemente seguras para o processo eleitoral, disse na quinta-feira (6/1) o comandante das forças terrestres norte-americanas no Iraque.

Falando em uma coletiva à imprensa aqui, o general Thomas Metz disse que planeja intensificar a ação militar contra os insurgentes nos próximos dias para garantir que esses lugares se tornem seguros para a eleição. Todas as quatro províncias ficam no coração da região sunita do país, que compõe o centro da resistência contra o projeto apoiado pelos norte-americanos: Al Anbar, que inclui Fallujah e Ramadi; Nineva, onde fica a problemática cidade de Mossul; Salahadin, que inclui Tikrit, a terra natal de Saddam Hussein, e partes de Bagdá.

Metz disse que as outras 14 províncias estão prontas para as eleições, e afirmou acreditar que as forças iraquianas de segurança, que com freqüência apresentaram um péssimo desempenho contra os guerrilheiros, serão em grande parte responsáveis pela segurança de cerca de 9.000 urnas distribuídas pelo país.

As forças armadas norte-americanas pretendem manter distância dos locais de votação para não irritarem os eleitores iraquianos, e só se engajarão em operações militares se isso for solicitado pelas forças iraquianas.

A declaração de Metz de que ainda há partes significantes do país demasiadamente instáveis para que nelas sejam realizadas eleições foi feita após várias grandes ofensivas contra redutos da resistência em Fallujah, Samara e áreas ao sul de Bagdá.

"Eu diria hoje que daqui a três semanas não haveria muita condição de realizar eleições nessas províncias", admitiu Metz. "Essas são as quatro áreas nas quais presenciamos grande quantidade de ataques e nas quais continuaremos a concentrar as nossas energias".

Como parte do plano, as forças norte-americanas intensificaram nesta semana as operações militares em Mossul e seus arredores, a cidade dominada por sunitas, no norte do Iraque, que se mostrou particularmente violenta nas últimas semanas. As autoridades militares norte-americanas recentemente duplicaram o número de tropas na região de Mossul, enviando para lá cerca de 3.000 soldados, além de terem despachado "números significativos" de forças iraquianas para a região.

Apesar das dificuldades, Metz apresentou uma avaliação basicamente otimista da situação da segurança por aqui nas últimas semanas antes das eleições, marcadas para 30 de janeiro. Metz disse que os ataques contra forças norte-americanas e iraquianas diminuíram nas últimas semanas, após o feriado de um mês do ramadã, que há sinais de que a "qualidade" dos combatentes começou a declinar e que a execução de alguns dos ataques recentes foi ruim.

Metz, um general de três estrelas, disse que forças norte-americanas e iraquianas foram atacadas em média 70 vezes por dia na última semana. Ele disse esperar que o número de ataques diários chegue a 85 à medida que o dia da eleição se aproxime. Os insurgentes lançaram um número espetacular de ataques contra as forças de segurança iraquianas na semana passada, matando mais de 80 policiais e soldados.

O general disse que a recente onda de mortíferos ataques suicidas, que matou dezenas de civis, é um sinal do desespero dos insurgentes, que não exprimiram nenhuma idéia política além da determinação em expulsar os norte-americanos.

"Assassinatos, seqüestros e torturas não são as ferramentas de um movimento popular", criticou o general.

Mas mesmo com o decréscimo dos ataques recentes, a sua freqüência ainda excede em muito o número de ataques enfrentados pelas forças norte-americanas no final de 2003, quando a insurgência começou a ganhar impulso. Naquela época, o número médio de ataques diários era de 50.

Assim como outras autoridades norte-americanas graduadas, Metz disse que se opõe a um adiamento das eleições, afirmando que tal medida daria aos insurgentes mais tempo para tentarem destruir o processo democrático.

"Creio que a possibilidade de haver uma guerra civil seria maior com um adiamento da eleição", afirmou.

Metz disse ser a favor da realização das eleições na data marcada, ainda que isso signifique que um número significativo de eleitores iraquianos dela não participe. Muitos clérigos sunitas e líderes políticos afirmaram que pretendem ficar longe das urnas, alguns devido à violência, outros porque insistem em dizer que não é possível a realização de uma eleição justa em meio a uma operação militar realizada por uma força estrangeira de ocupação.

"Parte da democracia é o direito de escolher", afirmou Metz. "Se o povo resolver boicotar as eleições, essa será a sua escolha". Quatro províncias ainda são inseguras, aponta general americano Danilo Fonseca

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