UOL Notícias Internacional
 

11/01/2005

Abbas diz já estar pronto para negociar com Israel

The New York Times
Greg Myre

Na Faixa de Gaza
Recém-saído de uma vitória por grande margem na eleição presidencial palestina, Mahmoud Abbas disse nesta segunda-feira (10/01) que espera retomar as negociações de paz com Israel após mais de quatro anos de violência.

"Nós estendemos nossas mãos aos nossos vizinhos", disse Abbas na cidade de Ramallah, na Cisjordânia. "Nós estamos prontos para a paz, paz baseada na justiça. Nós esperamos que a resposta deles seja positiva."

O triunfo eleitoral de Abbas lhe valeu claros endossos dos líderes mundiais, e Israel reiterou sua disposição de trabalhar com ele, apesar de estar pedindo pela repressão aos militantes. Enquanto isso, os simpatizantes palestinos de Abbas expressaram esperança de que o resultado da eleição sinalize melhores perspectivas.

Em um sinal de que a vitória de Abbas poderá promover uma nova rodada de diplomacia, o presidente Bush disse estar preparado para se encontrar com o novo líder palestino em Washington --algo que ele se recusava a fazer com Iasser Arafat.

"É essencial que Israel mantenha a visão de dois Estados vivendo lado a lado em paz; e que à medida que os palestinos comecem a desenvolver as instituições de um Estado, que o governo de Israel apóie o desenvolvimento de tais instituições", disse Bush na Casa Branca.

Os resultados oficiais da eleição de domingo deram a Abbas 62% dos votos, o distanciando facilmente de seu principal concorrente, o dr. Mustafa Barghouti, que recebeu pouco menos de 20%.

Abbas, 69 anos, é um pragmático que pede pelo fim dos ataques palestinos contra Israel e por negociações que levem ao Estado palestino.

Ele não enfrentou nenhum candidato de sua estatura e contou com pleno apoio do Fatah, o movimento político palestino dominante fundado por Arafat.

Ainda assim, com sua vitória decisiva em uma eleição realizada sem problemas sérios, Abbas poderá alegar de forma razoável que dispõe das mais fortes credenciais democráticas entre qualquer líder árabe.

"Poderá ser o começo de uma nova era", disse Ziad Abu Amr, um legislador palestino e um ex-membro do Gabinete que é um aliado próximo de Abbas.

"Nós podemos estar estabelecendo a base para uma segunda democracia no Oriente Médio", disse Amr, se referindo indiretamente a Israel, que freqüentemente chama a si mesma de a única democracia da região.

Todavia, Abbas pode esperar apenas uma breve lua-de-mel.

Israel julgará se ele é capaz de impedir os ataques palestinos que ele tem condenado. E os palestinos querem que ele aja em uma série de questões, que incluem a remoção das restrições de viagem impostas por Israel, a reconstrução de economia destruída, a eliminação da corrupção palestina e a imposição da lei e ordem nas ruas.

Abbas, que deverá tomar posse nesta quarta-feira (12/01), substituirá Arafat, que morreu em 11 de novembro, após quase quatro décadas como o líder palestino preeminente. Sua morte gerou preocupação de que as áreas palestinas poderiam mergulhar na anarquia. Mas até o momento, a transição tem sido relativamente tranqüila e em ordem.

Mahmoud Abbas seguiu direto para o trabalho na segunda-feira, realizando uma série de reuniões em Ramallah, que incluíram conversas com o primeiro-ministro, Ahmed Qurei.

Com o fim da eleição, Qurei e o Gabinete devem renunciar segundo a lei palestina. Mas Abbas disse que escolherá Qurei para formar um novo governo.

O ex-presidente Jimmy Carter, que liderou um grupo internacional de monitoramento das eleições, se encontrou com Abbas na segunda-feira e disse que ele conquistou "uma vitória notavelmente maravilhosa".

"Isto abre uma oportunidade, na minha opinião, para a retomada das negociações de paz", disse Carter posteriormente.

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, se recusava a negociar com Arafat e o acusava de encorajar a violência contra Israel. Mas Sharon realizou várias reuniões em 2003 com Abbas, quando este serviu brevemente como primeiro-ministro palestino. Quando renunciou, Abbas expressou frustração com Israel, dizendo que ele recebeu pouca ajuda enquanto tentava realizar as reformas.

Ainda assim, tanto Abbas quanto Sharon disseram que estão dispostos a se encontrar no futuro próximo. A principal exigência de Sharon é o fim da violência.

"Os palestinos ainda não estão combatendo o terror, e apesar de suas declarações na campanha eleitoral terem sido encorajadoras, ele será testado pela forma como enfrentar o terror", disse Sharon ao senador John Kerry, durante a visita deste a Israel, segundo uma declaração divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro.

Abbas disse que não usará as forças de segurança palestinas contra as facções armadas, mas sim que espera persuadir os grupos a baixarem suas armas. O grupo militante Hamas, que tem realizado muitos atentados suicidas contra Israel, tem rejeitado o pedido de Abbas para o fim dos ataques.

O Hamas se recusou a lançar um candidato na eleição presidencial e pediu a seus eleitores que não participassem da eleição. Ainda assim, o grupo tem realizado negociações com Abbas e disse que tais contatos continuarão.

"Nós vamos negociar com ele, e nós dependemos do diálogo como a única forma de resolver as disputas palestinas", disse Sami Abu Zuhri, um porta-voz do Hamas em Gaza. Mas, ele acrescentou, "nós enfatizamos nossa recusa de negociar com a ocupação". Ele disse que o Hamas continuará com seu "projeto de resistência".

Abbas aguardava por uma grande vitória que lhe desse um mandato para realização das difíceis reformas. Apesar de sua margem de vitória ter sido alta, como esperado, o comparecimento dos eleitores foi relativamente baixo.

A Comissão Eleitoral Central Palestina se recusou a dar o percentual de eleitores que votaram. A comissão citou confusão diante dos procedimentos no domingo, que abriram a votação para todos os palestinos maiores de 18 anos, mesmo se não tivessem se registrado antecipadamente.

Aparentemente, mais da metade dos eleitores registrados votou. Mas dentro do universo de eleitores potenciais, tanto registrados quanto não-registrados, parece que menos da metade foi às urnas. Presidente eleito mantém diálgo com todos os segmentos da região George El Khouri Andolfato

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