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11/01/2005

Nasa vai atirar sonda de US$ 330 mi em cometa

The New York Times
Kenneth Chang, em San Diego e

Warren E. Leary, em Washington
Desde a formação do Sistema Solar, cometas se chocaram periodicamente com a Terra, criando crateras na superfície do nosso planeta e espalhando destroços cósmicos. Agora é a nossa vez de contra-atacar.

Na próxima quarta-feira (12/01), a Nasa lançará a sonda Deep Impact (Impacto Profundo) contra o cometa Tempel 1. Daqui a seis meses, se tudo correr bem, a sonda liberará uma unidade de impacto feita de cobre, de 370 quilos, que se chocará contra o núcleo do cometa a uma velocidade de 37 mil km/h, criando uma cratera que, segundo os cientistas, será tão grande quanto um ginásio esportivo.

O lançamento da sonda da Estação da Força Aérea em Cabo Canaveral, na Flórida, foi adiado duas vezes devido a dúvidas relativas ao software do equipamento e a problemas com o foguete propulsor Boeing Delta 2. Se a missão não tiver início até 28 de janeiro, o projeto de US$ 330 milhões terá que ser postergado por meses enquanto um novo cometa alvo é selecionado.

O impacto de 4 de julho, que deve lançar toneladas de material cometário no espaço, será muito mais do que uma espécie de espetáculo celestial de fogos de artifício para comemorar o 229º aniversário dos Estados Unidos. Os cientistas dizem que esse primeiro contato direto com o núcleo de um cometa deverá liberar alguns dos seus materiais internos originais para que se possa ver pela primeira vez de que são compostos esses corpos celestes gelados.

"O objetivo da Deep Impact é atingir o gelo e outros materiais nas profundezas de um cometa e determinar as suas propriedades e características", diz Michael A'Hearn, da Universidade de Maryland, o principal pesquisador do projeto. Tão pouco se sabe a respeito da estrutura dos cometas que os cientistas não estão certos sobre o que exatamente acontecerá quando o Tempel 1 for atingido, diz A'Hearn, embora eles esperem que uma nuvem de destroços em forma de cone seja lançada ao espaço.

Se os cometas, que são corpos celestes compostos de gelo, rochas e poeira, apresentarem porosidade, em vez de serem inteiramente compactos, conforme A'Hearn suspeita, a Deep Impact deverá produzir uma cratera de cerca de 30 metros de profundidade e 100 metros de diâmetro.

Mas se o cometa for como gelo compactado, a sonda, atingido-o com a energia de uma explosão de 4,5 toneladas de dinamite, poderá penetrar 100 metros ou mais, criando, porém, somente uma cratera de superfície reduzida, explica A'Hearn. Há até mesmo uma possibilidade extremamente remota de que o cometa seja tão poroso que a sonda o atravesse como uma bala.

"Vamos simplesmente atingi-lo e observar o que acontece", diz A'Hearn.

O impacto da sonda, que tem o tamanho de uma máquina de lavar roupa, não afetará a trajetória do cometa, um objeto que tem cerca de 14 quilômetros de comprimento por seis de largura, dizem os cientistas.

A Deep Impact, construída para a Nasa pela empresa Ball Aerospace and Technologies Corporation, é uma espaçonave gêmea composta de uma unidade de impacto e de um veículo de sobrevôo que contém a mais poderosa câmera telescópica já instalada em uma sonda espacial, bem como um espectrômetro de radiação infravermelha para a identificação dos materiais que compõem o cometa.

Cerca de 24 horas antes de interceptar o Tempel 1 a aproximadamente 134 milhões de quilômetros da Terra, a Deep Impact liberará a unidade de impacto na direção do cometa e mudará de rumo. Quando o cometa literalmente atropelar a unidade de impacto, a nave-mãe observará a colisão de uma distância de centenas de quilômetros. A unidade de impacto, levando 143 quilos de cobre como lastro para a criação de uma cratera significativa, também inclui um sistema de imagens que tirará fotos próximas do cometa até um pouco antes da colisão.

O impacto será também observado por vários observatórios na Terra e por centenas de astrônomos amadores, que deverão divulgar as suas observações telescópicas na Internet. Além disso, a frota de poderosos observatórios orbitais da Nasa, incluindo o Telescópio Espacial Hubble, o Observatório de Raios-X Chandra e o Telescópio Espacial de Infravermelho Spitzer, registrará o evento.

Devido à distância, nem o cometa nem o impacto serão visíveis da Terra a olho nu.

Acredita-se que os cometas sejam remanescentes de materiais que formaram o sistema solar cerca de 4,5 bilhões de anos atrás. Os astrônomos acham que os interiores dos cometas passaram por poucas modificações desde então e que contém gelo, gases, poeira e outros materiais originais responsáveis pela formação do Sistema Solar.

Um outro motivo para estudar os cometas e as suas estruturas é que eles, assim como os asteróides, podem atingir a Terra, causando danos cataclísmicos. Para a criação de um sistema potencial de defesa planetária é necessário que se conheçam mais esses objetos, na esperança de destruir os modificar a trajetória daqueles que representarem perigo.

Três maiores estrelas da Via-Láctea

A KW Sagitarii não é a estrela mais brilhante na Via-Láctea, e tampouco a mais densa ou pesada. Outras duas estrelas, a KY Cygni e a V354 Cephei, também não são as mais brilhantes, densas ou pesadas.

Mas essas três supergigantes vermelhas atraíram a atenção dos astrônomos porque parecem ser as maiores estrelas conhecidas, e possivelmente as maiores possíveis em se tratando de uma estrela normal (uma outra supergigante, a VV Cephei, pode ser ainda maior, mas foi distorcida pela gravidade de uma estrela conjunta).

Cada uma das três estrelas tem mais de um bilhão de quilômetros de diâmetro, ocupando o espaço de 3,4 bilhões de Sóis. Se estivesse situada no centro do Sistema Solar, uma estrela dessas ocuparia o espaço até a região que fica entre as órbitas de Júpiter e Saturno. Essas estrelas têm mais do dobro do tamanho de Betelgeuse, na constelação de Orion, uma supergigante vermelha conhecida pelos astrônomos amadores.

"Nós realmente sabemos, tanto do ponto de vista das observações quanto sob o aspecto teórico, qual é o tamanho máximo que uma estrela pode alcançar", explica Philip Massey, do Observatório Lowell, em Flagstaff, Arizona, que liderou a equipe internacional de astrônomos responsável pela pesquisa. "Esses astros alcançaram o limite máximo do tamanho para supergigantes vermelhas, segundo a teoria de evolução das estrelas", afirma.

Emily Levesque, estudante de graduação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e integrante da equipe científica, apresentou esses resultados na segunda-feira (10/01), em um simpósio local da Sociedade Astronômica Norte-Americana. Um trabalho científico descrevendo os resultados foi submetido ao periódico "The Astrophysical Journal".

À medida que as estrela se aproximam do término de suas vidas, elas exaurem o hidrogênio, que é o combustível nos seus núcleos. A fusão, o processo que cria luz e energia nas estrelas, é transferido a seguir para as suas camadas externas, e o aumento da pressão empurra essas camadas para fora. Quando o Sol atingir esse estágio daqui a quatro ou cinco bilhões de anos, ele provavelmente aumentará de diâmetro, alcançando a órbita de Vênus e tornando-se uma gigante vermelha.

Já a KW Sagitarii, a KY Cygni e a V354 Cephei são bem maiores e têm uma massa cerca de 25 vezes superior à do Sol, de forma que seus diâmetros aumentaram bem mais.

Os astrônomos não possuem instrumentos celestes para medir o tamanho das estrelas, que aparecem como meros pontos luminosos até mesmo quando examinadas com os mais poderosos telescópios. Em vez disso, as cores da luz emitida pelas moléculas das camadas externas indicam as temperaturas superficiais, e modelos de como funciona uma estrela geram estimativas sobre seus diâmetros. Mas as observações dessas supergigantes vermelhas conflitaram com os modelos.

Na nova pesquisa, Massey e seus colaboradores realizaram novas medições de 74 supergigantes vermelhas e descobriram que a mais fria, e, portanto, a maior, possuía temperaturas superficiais de 3.400 Cº, sendo cerca de 10% mais quente do que indicavam as primeiras medições. "Combinando isso com modelos estelares refinados, creio que tudo agora se encaixa", afirma Massey.

Embora a KW Sagitarii, a KY Cygni e a V354 Cephei sejam possivelmente as maiores estrelas possíveis na Via-Láctea, Massey disse que elas podem não ser as maiores do universo. Segundo ele, os modelos estelares prevêem que estrelas ainda maiores poderiam se transformar em galáxias com baixas concentrações de elementos mais pesados do que o hélio, como é o caso da vizinha Nuvem de Magalhães. Agência dos EUA também descobre maiores estrelas da Via Láctea Danilo Fonseca

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