UOL Notícias Internacional
 

11/01/2005

Rebeldes matam comandante da polícia de Bagdá

The New York Times
Khalid Al Ansary e

Richard A. Oppel Jr

Em Bagdá
Atiradores assassinaram o chefe de polícia de Bagdá e seu filho na segunda-feira (10/01), o segundo assassinato de uma alta autoridade em Bagdá em cinco dias. Os insurgentes continuam uma campanha incansável para aterrorizar e matar autoridades iraquianas antes do dia das eleições parlamentares nacionais, marcadas para 30 de janeiro.

Uma hora depois da morte do comandante Amer Naief, enquanto ele e seu filho saíam de casa, no sul de Bagdá, um suicida matou quatro policiais e feriu 19. O atacante detonou uma caminhonete carregada de explosivos ao lado de uma delegacia de polícia, em uma seção sul de Bagdá, de acordo com o chefe de um hospital próximo que tratou os feridos.

O exército americano também informou que, pela segunda vez em quatro dias, os insurgentes explodiram uma grande bomba na estrada, para destruir um veículo de combate Bradley. Os Bradleys são veículos resistentes e altamente blindados para transporte de tropas. O ataque, durante uma patrulha no sudoeste de Bagdá, matou dois soldados e feriu quatro. No dia 6 de janeiro, outro ataque em estrada matou todos os sete soldados dentro de um Bradley, no noroeste de Bagdá.

Oficiais americanos já vinham advertindo que os insurgentes estavam montando aparelhos explosivos cada vez maiores, para derrotar as armas e blindagens superiores das forças americanas. Em muitos casos, as autoridades americanas dizem que os ataques consistem de várias bombas de artilharia russas, aproximadamente do tamanho das usadas pelo Howitzer americano, unidas e fundidas para detonarem ao mesmo tempo.

Também na segunda-feira, o presidente da Ucrânia, Leonid Kuchma, determinou a retirada, nos próximos seis meses, de seus mais de 1.600 soldados do Iraque. O anúncio foi feito depois que uma forte explosão no Sul do Iraque, no domingo, matou sete militares ucranianos e um soldado cazaque. Comentários iniciais de autoridades de defesa da Ucrânia no domingo associaram a explosão a um acidente em um paiol de munição, cerca de 80 km a sudeste de Bagdá.

No entanto, segundo publicou a agência de notícias France-Presse na segunda-feira, um alto comandante ucraniano, Vladimir Mojarovsky teria dito: "De acordo com informações preliminares, podemos dizer que a causa mais provável dessa tragédia foi um ataque planejado".

A retirada das tropas ucranianas do Iraque já era esperada já que o presidente eleito, Viktor A. Yushchenko, prometera fazer da sua volta uma prioridade.

Em meio a ataques incessantes, o primeiro-ministro interino iraquiano, Ayad Allawi, procurou assegurar aos iraquianos que suas forças continuam fazendo progressos na repressão à insurgência.

Allawi fez uma visita a uma delegacia de polícia em Bagdá pela manhã, que foi considerada ao menos parcialmente como aparição de campanha, já que o primeiro-ministro encabeça sua própria chapa de candidatos à eleição.

Na oportunidade, anunciou que 150 "gangsteres" foram presos em Bagdá, "especialistas em seqüestros, saques, falsificações e assassinatos pelo país", de acordo com uma reportagem da visita transcrita pela Associated Press.

O ministro do interior, Falah Al Nakeeb, disse que os suspeitos serão apresentados na televisão. "Queremos assegurar aos iraquianos que colocaremos fim ao crime e ao terrorismo no país, o mais cedo possível", disse.

Mais tarde em uma conferência com repórteres, Allawi reiterou sua promessa de que a violência não afetará os planos de prosseguir com as eleições. Ele revelou que o comandante de um dos grupos insurgentes mais perigosos no Iraque, o Exército de Mohammed, tinha sido capturado dias depois de assumir o comando de um predecessor capturado.

O comandante Naief foi morto perto das 7h30, por "atiradores desconhecidos" enquanto ele e seu filho, também policial, deixavam sua casa no bairro de Dora, disse o porta-voz do ministério do interior, Adnan Abdul Rahman. O ramo da Al Qaeda que opera no Iraque e é liderado pelo jordaniano Abu Musab Al Zarqawi assumiu a responsabilidade pelos assassinatos, em uma declaração pela Internet, de acordo com vários noticiários.

O grupo de Zarqawi também disse ter sido responsável pelo assassinato do governador da província de Bagdá, Ali Al Haidari, na semana passada, que foi morto de forma similar: seu carro foi coberto de tiros ao sair de casa pela manhã.

Autoridades americanas descreveram os ataques às autoridades iraquianas como um plano coordenado para desestabilizar as forças de segurança iraquianas. Os americanos contam com elas para garantirem as eleições e, eventualmente, assumirem o policiamento do país.

As autoridades também dizem que os ataques são um esforço para assustar os iraquianos comuns, para que fiquem em casa e não votem, provando que nem mesmo policiais de alto escalão ou políticos estão seguros.

Em torno das 8h30, uma hora depois da morte do comandante Naief, mais policiais foram atacados no distrito de Madaien, ao sul de Bagdá, quando um suicida detonou sua caminhonete ao lado de uma delegacia, disse Khalid Abdul-Wahid, diretor do hospital Zafaraniyah, para onde os feridos foram levados. Uma hora depois, um morteiro caiu em uma casa no mesmo distrito, ferindo duas crianças, acrescentou. É a 2ª autoridade do Iraque morta em cinco dias; eleição é no dia 30 Deborah Weinberg

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