UOL Notícias Internacional
 

12/01/2005

Indonésia veta ajuda estrangeira em área rebelde

The New York Times
Jane Perlez

Em Banda Aceh, Indonésia
As forças armadas indonésias ordenaram nesta terça-feira (11/01) que as equipes estrangeiras de ajuda restrinjam suas operações às duas principais cidades atingidas pelo maremoto, em um esforço para assegurar o controle sobre as operações internacionais de ajuda humanitária aqui.

Foras destas cidades, Banda Aceh e a vizinha Meulaboh, os trabalhadores de ajuda precisarão de permissão especial para ir até as áreas mais remotas, onde centenas de milhares de pessoas foram atingidas pelo desastre, disse o comandante militar da Indonésia, o general Endriartono Sutarto, em uma coletiva de imprensa realizada aqui.

"Por ora, eu gostaria da presença estrangeira apenas em Banda Aceh e Meulaboh", disse Endriartono. "Fora destas áreas os estrangeiros devem ser acompanhados pelos militares indonésios." A ONU estima que cerca de 400 mil pessoas na província de Aceh foram deslocadas pelo maremoto e diz que muitas das vítimas estão abrigadas em pequenas cidades e aldeias.

As novas restrições permitirão que as forças armadas aumentem sua presença no interior, onde os rebeldes são mais fortes e onde os civis mais temem os soldados indonésios.

O general afirmou que as novas medidas são necessárias para proteger os trabalhadores de ajuda estrangeiros dos rebeldes separatistas que a Indonésia vem combatendo há 30 anos. Mas os rebeldes do Movimento Aceh Livre, conhecido pela acrossemia indonésia GAM, divulgaram uma declaração na terça-feira garantindo "a segurança e o livre acesso a todas as partes de Aceh aos trabalhadores internacionais de ajuda humanitária".

Até o momento, não ocorreram incidentes em Aceh envolvendo os rebeldes e os caminhões do Programa Mundial de Alimentos da ONU, disse Ian Clarke, o chefe de escritório local do programa. Cerca de 40 caminhões carregados de alimentos têm percorrido por dia a estrada que liga a cidade de Medan até Banda Aceh sem problemas, disse ele.

Os trabalhadores de ajuda expressaram preocupação nos últimos dias de que as forças armadas indonésias, temendo a possibilidade de perderem o controle ou o que conquistaram arduamente nos últimos anos, usariam o conflito civil como pretexto para restringir suas atividades.

Havia um ceticismo considerável na terça-feira entre os grupos de ajuda humanitária sobre se e como as novas restrições seriam implementadas. Muitas agências internacionais de ajuda, incluindo o Programa Mundial de Alimentos, estão relutantes em trabalhar com escoltas militares por temerem que a aceitação de proteção de soldados de um lado poderia envolvê-las no conflito.

Apenas em "circunstâncias muito raras" o Programa Mundial de Alimentos aceita escoltas militares, disse Bettina Luescher, uma porta-voz do programa. Ela apontou para Darfur, no Sudão, onde há um conflito civil em andamento, mas onde os caminhões do programa nunca são acompanhados por pessoal militar.

A Medecins du Monde, uma agência francesa especializada na entrega de suprimentos médicos, também tem uma política de recusa de escolta militar, e continuará a aplicá-la em Aceh, disse Pierre Foldes, o diretor local do programa. "Sempre que as forças armadas indonésias o protegem elas querem se envolver no seu programa", disse Foldes.

Antes do tsunami, Aceh era virtualmente proibida para estrangeiros. Uma lei marcial foi declarada em maio de 2003 e relaxada para um estado de "emergência civil" no ano seguinte, à medida que cerca de 30 mil a 40 mil soldados enfraqueceram severamente os rebeldes. O Human Rights Watch, um grupo de direitos humanos baseado em Nova York, e outras organizações têm acusado constantemente as forças armadas indonésias de severos abusos contra civis.

Os Estados Unidos encerraram a ajuda militar à Indonésia uma década atrás, citando relatos críveis de violações de direitos humanos contra civis no Timor Leste. Nesta semana, as restrições foram relaxadas para peças sobressalentes, para que as aeronaves militares de transporte da Indonésia possam ser usadas na entrega de ajuda.

Com a disseminação de estrangeiros por toda Aceh nas últimas duas semanas, disseram os trabalhadores de ajuda, o controle rígido imposto pelas forças armadas teve que necessariamente ser relaxado e as operações de ajuda prosseguiram sem qualquer interferência.

Controle militar

O general fez seus comentários durante uma coletiva de imprensa matinal e os elaborou posteriormente em uma breve entrevista. Ele veio à capital provincial para se dirigir ao pessoal militar estrangeiro que está envolvido na pilotagem de aviões e helicópteros e na condução de navios com suprimentos até o porto.

"Uma equipe médica estrangeira precisa estar trabalhando com uma equipe do Departamento de Saúde indonésio", disse o general, explicando a política, "e juntas elas serão acompanhadas por militares indonésios a qualquer lugar fora de Banda Aceh e Meulaboh".

Em um texto preparado, o general disse que equipamento militar estrangeiro e assistência "estarão sob controle operacional" das forças armadas indonésias. Oficiais indonésios serão nomeados como oficiais de ligação para cada aeronave ou navio militar estrangeiro, disse ele.

Além de anunciar as restrições aos movimentos fora das duas principais cidades, as forças armadas disseram na terça-feira que estão exigindo que os militares sejam notificados pelas agências de ajuda sobre onde pretendem entregar a ajuda. Durante o conflito civil, alimento foi alvo tanto das forças armadas quanto dos rebeldes, e informação precisa sobre onde os alimentos serão entregues para os civis poderá ser de ajuda para as forças armadas em seu combate contra os rebeldes separatistas.

As forças armadas também disseram na terça-feira que pediram ao governo para fazer uma lista de todos os trabalhadores de ajuda humanitária presentes na província. País usa a ação humanitária para retomar os redutos de insurgentes George El Khouri Andolfato

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