UOL Notícias Internacional
 

12/01/2005

Sharon telefona para Abbas para acertar encontro

The New York Times
Steven Erlanger

Em Jerusalém
O primeiro-ministro israelense Ariel Sharon telefonou nesta terça-feira (11/01) para o recém eleito presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, para parabenizá-lo por sua eleição. A conversa de 10 minutos foi o contato de mais alto nível entre israelenses e palestinos em vários anos.

"O sr. Abbas e o sr. Sharon falaram sobre formas de retomar o processo de paz e sobre um encontro entre os dois, que será marcado nos próximos dias", disse o porta-voz de Abbas, Maher Shalabi.

Sharon telefonou para Abbas e "o parabenizou por seu feito pessoal e sua vitória nas eleições, e lhe desejou sucesso", disse o gabinete de Sharon. Um assessor de Sharon disse que o primeiro-ministro ofereceu cooperação a Abbas e manutenção do diálogo, e que uma reunião será realizada "no futuro próximo".

A última vez que Sharon falou com Iasser Arafat, o então presidente da Autoridade Palestina, foi poucos meses depois do início do segundo levante palestino, em setembro de 2000. Sharon considerava Arafat como um obstáculo para a paz e se recusava a encontrar com ele.

Autoridades palestinas e israelenses querem preparar a reunião de forma que venha a produzir resultados concretos, para que ambos os líderes possam apontá-los como avanços, o que também ajudaria a manter seus respectivos críticos acuados.

Questões de segurança estarão no topo da agenda israelense, disse o assessor de Sharon, em particular a promessa palestina, no plano de paz conhecido como "roteiro para a paz", de desmontar a infra-estrutura do terrorismo e impedir o incitamento e ataques contra os israelenses. Israel também quer coordenar com os palestinos sua retirada dos assentamentos da Faixa de Gaza, que supostamente começarão em junho.

"Este primeiro encontro é muito, muito importante", disse o ministro das Relações Exteriores de Israel, Silvan Shalom, em uma entrevista nesta terça-feira. "Ele deve ser bem preparado --nós devemos cuidar para que o resultado seja positivo."

A ação contra o terror é vital, disse Sharon, e Gaza será um grande teste. "Se eles puderem nos mostrar que podem reconstruir suas vidas e deter o terrorismo", disse ele, "isto encorajará nós todos a seguirmos adiante com a paz. Mas se houver caos lá e nós sofrermos mais ataques poderosos, isto mostrará que não há nada que possa ser feito com os palestinos".

Ao ser questionado se queria que os palestinos tivessem sucesso ou fracassassem, ele disse: "É claro que queremos que tenham sucesso". Ele disse que considera Abbas sincero em sua oposição à violência.

Sharon e Abbas se encontraram pela última vez em 2003, quando Abbas foi brevemente o primeiro-ministro palestino, antes de renunciar devido à frustração com a recusa de Arafat em delegar poderes, em particular em relação à segurança.

O presidente Bush convidou Abbas a visitar a Casa Branca, outro sinal de que o longo congelamento de contatos sérios com os palestinos foi quebrado pela morte de Arafat e eleição de Abbas.

Americanos e israelenses pediram aos palestinos para que enxuguem e reformem as várias e rivais forças de segurança palestinas --há 10 a 12 delas, dependendo da forma como são contadas-- em três sob um único comando.

Segundo propostas que estão circulando no Legislativo palestino, os três serviços de segurança serão de "segurança geral", abrangendo a polícia criminal, de trânsito, choque e antidrogas, assim como as forças de segurança preventiva; "inteligência geral", unificando as várias agências de inteligência; e "segurança nacional", incorporando a Força 17, ou os ex-guarda-costas de Arafat, e as forças de segurança nacional, um exército nascente.

Abbas, como presidente, seria o comandante supremo, mas as forças responderiam ao Conselho de Segurança Nacional, que seria presidido pelo primeiro-ministro, Ahmed Qureia. O general Nasser Youssef está sendo considerado como comandante geral das forças de segurança ou como ministro do Interior.

Em outro indício de que Abbas pode estar agindo rapidamente para assegurar o controle, o conselheiro de segurança nacional de Arafat, Jibril Rajoub, renunciou na terça-feira.

Em sua carta de renúncia a Abbas, Rajoub disse que estava deixando o cargo em reconhecimento "às novas realidades após o martírio de nosso presidente e símbolo de nossa luta", Arafat. "Minha renúncia lhe dará a oportunidade de nomear quem considerar apto a esta posição."

Rajoub é o ex-chefe da segurança preventiva da Cisjordânia e rival de Muhammad Dahlan, o ex-chefe da segurança preventiva em Gaza. Dahlan foi ministro do Interior de Abbas em seu breve Gabinete e é considerado um aliado.

O ex-conselheiro de segurança nacional pediu a Abbas que realize "mudanças fundamentais e imediatas na hierarquia da liderança do aparato de segurança, de forma a garantir sua força e eficiência". É possível que Abbas nomeie novamente Rajoub ou lhe dê outro cargo.

Abbas reuniu Rajoub e Dahlan na segunda-feira para tentar um entendimento entre eles. Segundo seus aliados, Dahlan não está buscando um cargo ministerial, mas será crucial para o esforço de Abbas para controlar Gaza após Israel retirar seus assentamentos de lá.

Sharon realizou a primeira reunião ministerial de seu novo governo, que agora inclui os partidos Trabalhista e Judaísmo Unido da Torá.

O governo foi apoiado pelo Parlamento na noite de segunda-feira com uma votação de 58 a 56 votos, com 6 abstenções, e teria fracassado se não fosse pelo apoio do pacifista Partido Yahad e pela abstenção de dois legisladores árabes-israelenses, já que 13 membros do Partido Likud de Sharon votaram contra o governo devido à sua oposição ao plano de Gaza.

Sharon ainda precisa ter o orçamento aprovado antes do final de março, a última ameaça real ao plano de Gaza.

Shalom, que se posiciona entre Sharon e os rebeldes, disse achar que a divisão no Likud não é permanente e estará superada assim que a evacuação de Gaza estiver concluída. Mas ele também disse que preferiria deixar Gaza por meio de negociação com os palestinos, em vez de desistir dos assentamentos unilateralmente, sem nada em troca.

A dificuldade da tarefa de Abbas ficou claramente acentuada na terça-feira no sul de Gaza, onde militantes dispararam foguetes e morteiros contra enclaves judeus, e um foguete contra uma cidade de fronteira israelense. Ninguém foi ferido.

Os palestinos também dispararam contra policiais israelenses que procuravam por carros roubados perto da cidade de Tulkarm, na Cisjordânia; um policial foi ferido e dois atiradores palestinos foram mortos. É o melhor contato diplomático de israelenses e palestinos há anos George El Khouri Andolfato

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