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13/01/2005

Bloomberg quer fazer eleitor esquecer de Giuliani

The New York Times
Michael Slackman

Em Nova York
Sim, a cidade está melhor para se viver porque a criminalidade caiu, disse Lewis Feldman num rápido intervalo de almoço na lanchonete Hole in the Wall Fish & Chips ("Peixe com Batatas Buraco na Parede"), na rua East 151 na região do Bronx (considerado o distrito mais violento da cidade). E o prefeito decididamente merece o crédito por isso: "O prefeito Giuliani", arrrematou Feldman.

Enquanto isso, o atual prefeito, Michael R. Bloomberg, estava a poucos quarteirões de distância, na faculdade Hostos Community College na região de Grand Concourse, fazendo o seu discurso de balanço anual e ao mesmo tempo lançando sua campanha para reeleição. E Bloomberg parecia estar falando diretamente para Feldman --era como se ele estivesse dizendo, "a cidade está melhor, e por favor me dê o crédito por isso".

Sob vários aspectos, a situação está boa na cidade de Nova York, ou pelo menos melhor do que estava logo depois de 11 de setembro de 2001. Os índices de emprego subiram e a criminalidade caiu --esses são dois dos principais indicadores observados pelos eleitores quando avaliam o trabalho do executivo da sua cidade.

Mas acontece que Bloomberg é uma anomalia --é a exceção à regra que estabelece que os líderes ganham crédito quando a situação está boa, mesmo que não tenham se empenhado para que isso acontecesse.

Pesquisas realizadas recentemente pelo Instituto da Universidade de Quinnipiac e pelo Instituto Marista para a Opinião Pública mostraram que a população efetivamente vê a cidade indo para o caminho certo, ainda que, pelas mesmas avaliações, Bloomberg não necessariamente recebe o crédito por isso, segundo os diretores das duas instituições.

"O povo não necessariamente relaciona as boas realizações com o atual prefeito", diz Lee M. Miringoff, diretor do Instituto Marista. "Ele não se beneficia de toda a boa vontade que está emanando da cidade".

Essa é a realidade bem conhecida pela equipe que faz a campanha de Bloomberg --que a disputa eleitoral será provavelmente como um referendo sobre a capacidade de Bloomberg em se conectar com a sensibilidade popular de que a cidade caminha na direção certa. O discurso do balanço anual, segundo assessores do prefeito, foi o primeiro passo, num esforço deliberado de Bloomberg para conquistar o crédito que ele e sua equipe acreditam que lhe é devido.

O discurso pintou um quadro róseo sobre as realizações do prefeito, divulgando uma agenda específica e compromissada.

"Há todo um espírito, uma confiança, uma expectativa em relação ao futuro que é nova e animadora", disse Bloomberg, sob a tensão do lançamento da plataforma de reeleição. "Será que alguém acha que já terminamos? Será que alguém pensa que não podemos fazer mais, ir mais adiante, ser ainda melhores? Vou lhes dizer uma coisa, nós estamos apenas começando".

Bloomberg fez esse discurso no South Bronx, dizendo que estava ali percorrendo uma espécie de rodízio --antes ele havia feito discursos nos distritos do Queens e de Brooklyn (também situados fora da ilha de Manhattan).

Mas não foi sem pensar nos democratas, já que o Bronx é reduto de Fernando Ferrer, ex-presidente do distrito e que, segundo as pesquisas, é o favorito para a indicação democrata à prefeitura. Também não passou despercebido aos observadores políticos o movimento de aproximação de Bloomberg em relação aos eleitores negros.

Se Bloomberg tivesse andado um pouco pelos quarteirões descobriria que, sim, as pessoas gostaram de lhe ver pela vizinhança. Mas também descobriria que as pessoas não estão apaixonadas por ele.

"Eu sei que ele é rico", disse Marc Ponce, 20 anos, que trabalha na região como segurança, num albergue para os sem-teto. "Eu vejo tudo subindo, os preços subindo. E é ele quem toma conta da cidade".

Se o prefeito tivesse visitado o restaurante tipicamente negro Sam's Soul Food na região de Grand Concourse, o proprietário Sam Amoah teria lhe dito que considera que a cidade vai bem, mas que os mais pobres estão passando por tempos difíceis. O restaurante de Amoah estava quase vazio, e o dono acha que isso se deve em grande parte ao fato de que as autoridades municipais não estão ajudando devidamente às pessoas que vivem por ali.

"Acho que ele só quer saber de negócios", disse Amoah. "É disso que ele quer saber. Ele quer captar dinheiro para a cidade, e acima de tudo é um empresário".

É só conversar com as pessoas por ali para ficar claro que Bloomberg está diante de um problema. Ele não é o seu típico prefeito de Nova York, com aquela personalidade exuberante, ao estilo de Rudolph W. Giuliani.

Amoah, como Feldman, disse que percebe Bloomberg como uma espécie de administrador do legado de Giuliani. Isso não é ruim, segundo Amoah, mas também não é uma recomendação poderosa para a reeleição.

"Eu gosto de Bloomberg", confessou Amoah, antes de emendar rapidamente seus pensamentos e dizer: "Eu gostava muito de Giuliani. Eu apreciava (o ex-prefeito) por causa de seus princípios".

Bloomberg entra na luta pela reeleição com grandes possibilidades, e virtualmente com dinheiro ilimitado para ajudar a espalhar sua mensagem. Os analistas eleitorais dizem que, com uma campanha bem focada, ele poderá ser capaz de demonstrar que a vida está melhor na cidade por causa dele.

"Ele não fatura muitos pontos no quesito 'gostabilidade', disse Maurice Carroll, diretor do Instituto de Pesquisas de Quinnipiac. "Isso não quer dizer que as pessoas o rejeitam, só quer dizer que elas não se sentem entusiasmadas com ele".

Mas Carroll disse que Bloomberg parece ter aprendido uma das lições mais importantes da política eleitoral: que os eleitores gostam de ser cortejados: "Acho que é isso o que ele está fazendo". Atual prefeito de NY tenta vencer a falta de carisma para se reeleger Marcelo Godoy

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