UOL Notícias Internacional
 

14/01/2005

Caminhão-bomba é resposta para a paz de Abbas

The New York Times
Steven Erlanger

Em Jerusalém
Pelo menos dois, possivelmente três, palestinos explodiram um caminhão-bomba e depois a si mesmos na noite desta quinta-feira (13/01), em uma passagem movimentada na Faixa de Gaza, em um ataque coordenado com outros militantes que dispararam morteiros e armas automáticas contra soldados israelenses.

Pelo menos cinco israelenses e três palestinos foram mortos durante o ataque, segundo o exército israelense, a imprensa e médicos palestinos. Outras 10 pessoas ficaram feridas, pelo menos quatro delas israelenses.

O ataque ocorreu pouco antes das 23h na passagem de Karni, onde produtos agrícolas e outros bens passam entre Israel e a Faixa de Gaza. Os militantes entraram na passagem minutos antes do horário de fechamento em um caminhão carregado de explosivos, disse o exército de Israel, explodindo-o contra a parede do terminal da passagem, que divide os lados palestino e israelense.

Dois homens --alguns relatos na madrugada de sexta-feira diziam três-- entraram no lado israelense do terminal e explodiram a si mesmos. Enquanto os explosivos detonavam, outros militantes palestinos dispararam morteiros e armas automáticas contra as tropas israelenses.

Outro relato disse que os três agressores não eram homens-bomba suicidas, mas entraram no lado israelense do terminal disparando contra os soldados israelenses, que finalmente os mataram.

O grande ataque bem-organizado foi uma dura resposta aos esforços do recém-eleito presidente palestino, Mahmoud Abbas, para acertar um fim à violência.

Abbas, eleito no domingo, tem pedido publicamente por um fim dos ataques contra Israel, que considera contraproducentes para a formação de um Estado palestino independente, e tem buscado um "diálogo nacional" com vários grupos armados para acertar um cessar-fogo. Eles incluem as Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, que fazem parte de seu próprio movimento Fatah, assim como radicais islâmicos como o Hamas e a Jihad Islâmica.

A violência é um tapa em Abbas e mostra alguns dos desafios que ele enfrenta ao substituir o falecido Iasser Arafat, que foi um herói para os combatentes.

Três grupos militantes palestinos reivindicaram responsabilidade conjunta pelo ataque, incluindo as Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, o Hamas e os Comitês de Resistência Popular, que representam um esforço para agrupar militantes locais em operações conjuntas.

O horário de funcionamento de Karni foi recentemente ampliado para permitir a travessia de mais bens, em uma medida israelense para ajudar Abbas ao afrouxar ligeiramente o controle rígido sobre Gaza.

O tiroteio durou até quase meia-noite, dificultando a chegada das ambulâncias ao local. Na semana passada, dias antes da eleição, um palestino altamente armado atacou a barreira de Erez no norte de Gaza, explodindo um buraco no túnel e disparando granadas e um rifle contra soldados israelenses, que finalmente o mataram a tiros.

Na madrugada de sexta-feira, cerca de duas horas depois do ataque a Karni, helicópteros de ataque israelenses dispararam foguetes contra o campo de refugiados de Deir Al Balah, na região central de Gaza, onde supostamente viviam os militantes envolvidos no ataque.

Os palestinos disseram que pelo menos um foguete atingiu um prédio dirigido por uma caridade com laços com o Hamas e a Jihad Islâmica. Os israelenses disseram que militantes vivem entre os refugiados comuns, que o prédio era usado por militantes e que o Hamas utiliza seu braço de caridade como cobertura para seu braço armado.

Tanques israelenses também dispararam contra alvos ao sul da Cidade de Gaza, disseram moradores.

A inteligência militar israelense previu um aumento da violência enquanto Israel se prepara para desmontar seus 21 assentamentos em Gaza neste verão e redistribuir suas tropas, em um esforço dos militantes palestinos para fazer parecer que Israel está se retirando sob fogo e derrotada.

O governo israelense insiste que não cederá na segurança, seja em Gaza ou em qualquer outro lugar, e que responderá com força aos ataques militares e terroristas. Ao mesmo tempo, as autoridades israelenses disseram que estão tentando não fazer nada para tornar o trabalho de Abbas mais difícil, e estão dispostos a responder na mesma moeda a um cessar da violência.

Elas disseram que entregarão a responsabilidade pela segurança pública às forças da Autoridade Palestina em Gaza, e nos grandes centros populacionais da Cisjordânia assim que os palestinos estiverem prontos.

Abbas prometeu reorganizar as várias forças de segurança palestinas rivais em três divisões sob um único comando, e incorporar vários combatentes armados na polícia.

Nesta quinta-feira, Abbas disse a clérigos cristãos que prosseguirá nas reformas de segurança e a implementação dos compromissos segundo a primeira etapa do chamado roteiro para a paz, um plano de paz adotado em 2003 pelos Estados Unidos, União Européia, Rússia e ONU.

"O roteiro para a paz começa com compromissos de segurança e eventualmente lida com questões do status final, como fronteiras e Jerusalém", disse Abbas. "Nós estamos prontos para implementar nossos compromissos, e esperamos que o lado israelense faça o mesmo."

Mas Israel também insiste que qualquer cessar-fogo, caso Abbas tenha sucesso em obter um, seja seguido pelo desmonte da infra-estrutura dos grupos armados, como é exigido dos palestinos segundo o roteiro para a paz.

"A questão agora é se ele tem a vontade e a determinação para colocar um fim ao terror palestino", disse o ministro das Relações Exteriores de Israel, Silvan Shalom, em uma coletiva de imprensa na quinta-feira. "O teste dele é agora."

Palestinos divididos

Os israelenses querem ver o Hamas e grupos como ele desarmados, as armas ilegais confiscadas e as fábricas para produção dos rudimentares foguetes Qassam desmontadas.

Mas as autoridades palestinas e ocidentais que conversaram nos últimos dias com Abbas dizem que ele não está disposto a confrontar os grupos armados ou provocar uma guerra civil, mas sim em se concentrar em persuadi-los a aceitarem um cessar-fogo.

Mas a violência em Gaza tanto na quarta quanto na noite de quinta-feira não é um bom agouro para Abbas, e também dá evidência da falta de coesão entre os palestinos armados.

No mesmo dia, soldados israelenses mataram dois palestinos em Gaza, um dos quais estava transportando uma vizinha grávida e seu marido para o hospital. Segundo o exército, o homem estava acelerando seu carro na direção de um pelotão em Beit Lahiya, que estava caçando militantes procurados, e ignorou os pedidos e disparos de alerta para parar. O marido ficou ferido e a mulher posteriormente deu à luz um menino.

Outro homem foi morto enquanto as tropas realizavam uma batida no campo de refugiados de Bureij. O exército israelense disse que ele estava armado e que era membro do Comitê de Resistência Popular.

Na Cisjordânia, em Hebron, as forças israelenses prenderam Khalil Mahsin, o fundador da divisão local da Jihad Islâmica. Ele vinha sendo procurado há mais de oito anos pela organização de vários ataques terroristas, disse o exército.

Também na quinta-feira, Nir Levi, um comandante da guarda de fronteira israelense, foi sentenciado a 14 meses de prisão. Ele foi condenado de ter cometido abusos contra dois palestinos em Abu Dis, uma aldeia a leste de Jerusalém, em setembro passado. Ele e quatro policiais sob seu comando bateram em um dos homens e enfiaram o cano da arma na boca dele. Os homens também foram queimados com cigarros, forçados a beber urina e a saltar de uma janela no segundo andar.

Levi disse ao tribunal que ficou enfurecido naquele dia pelo ataque a bomba palestino contra uma barreira próxima. O tribunal adiou as decisões dos casos de seus subordinados.

A suprema corte israelense também ordenou ao governo que suspenda as obras de um segmento da contestada barreira da Cisjordânia, perto de Jerusalém. Os juízes deram ao governo uma semana para explicar uma seção desviada de 30 quilômetros, depois que nove aldeias palestinas argumentaram que a rota as isolou demais de suas plantações. Atentado na Faixa de Gaza expões grave divisão entre os palestinos George El Khouri Andolfato

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