UOL Notícias Internacional
 

15/01/2005

Democratas escolhem líder para voltar ao poder

The New York Times
Adam Nagourney

Em Washington
Howard Dean anunciou sua candidatura à presidência do Comitê Nacional Democrata declarando que o Partido Democrata não precisa adotar idéias republicanas para retomar a Casa Branca e o Congresso.

E quando Timothy J. Roemer, o ex-congressista de Indiana, se juntou à disputa, ele disse que os democratas se tornaram identificados demais com os direitos de aborto e precisam fortalecer sua reputação em questões de segurança nacional para terem apelo junto aos eleitores moderados.

Mas apesar de toda a conversa sobre idéias e questões por parte de símbolos dos dois lados do espectro democrata, a luta pelo comando do Comitê Nacional Democrata está sendo vista cada vez mais pelos democratas como sendo menos uma medida de onde ir ideologicamente, e mais como um teste à moda antiga de logística, capacidade administrativa e popularidade pessoal (ou falta de).

Independente de toda a conversa sobre aborto, casamento gay e segurança nacional, os 447 membros do comitê democrata, que escolherão o próximo presidente em 12 de fevereiro, parecem mais preocupados com a forma como os republicanos os derrotaram em fundamentos políticos em novembro, apesar dos esforços de Terry McAuliffe, o presidente que está deixando o cargo, que foram amplamente aplaudidos pelos democratas.

E à medida que sete candidatos potenciais se preparam para aparecer perante os líderes democratas em um fórum em Saint Louis, neste sábado (15/01), estes estão deixando claro que estão procurando acima de tudo por alguém que os torne competitivos novamente ao longo dos próximos quatro anos.

"Eu não acho que deva ser ou seja sobre ideologia. Trata-se da mecânica da vitória eleitoral e de como podemos melhorar", disse Mark Brewer, presidente da Associação das Cadeiras Estaduais Democratas, que estará entrevistando os candidatos em Nova York, no próximo domingo, na esperança de endossar um. "Trata-se de tornar o partido mais eficaz em termos de candidatos eleitorais."

O governador do Novo México, Bill Richardson, o chefe da Associação dos Governadores Democratas, que também está buscando endossar um candidato, descreveu a disputa como importante, mas não o "momento definidor para o futuro do partido".

"O que estamos procurando é um candidato com forte capacidade organizacional e de desenvolvimento do partido, que seja de fora de Washington e um moderado", disse Richardson em uma entrevista.

Jim Jordan, um gerente da campanha presidencial do senador John Kerry e um atormentador de Dean que agora está aconselhando este, disse: "Visão, filosofia e senso estratégico importam, mas são tão importantes quanto ter o tamanho, força, experiência e tenacidade para mover o partido, para reformar e governar uma instituição muito difícil".

Desta forma, um candidato, Simon Rosenberg, o chefe da moderada Nova Rede Democrata, tem coletado endossos de poderosos democratas ao apontar sua experiência na administração de sua própria organização. "Eu acho que no momento, as pessoas pragmáticas no Comitê Nacional Democrata realmente sabem que precisam de alguém capaz de administrar o partido", disse Rosenberg.

Outro, o deputado Martin Frost do Texas, aponta para seu sucesso na eleição de democratas quando ele chefiou o Comitê Democrata de Campanha ao Congresso, prometendo fazer o mesmo por seu partido. "Expandir a base, trabalhar com a base, trabalhar com os diretórios estaduais", disse Frost. "Isto representa grande parte disto. Ninguém deve perder de vista o fato de que este é um grande trabalho administrativo."

E Donnie Fowler Jr., um ativista da Carolina do Sul, tem prometido aos líderes do partido em entrevistas que destinará dinheiro para treinamento de funcionários estaduais do partido e que enviará tropas para ajudar nas disputas estaduais.

Mesmo Dean está ocupando seu tempo em questões básicas, prometendo que o Comitê Nacional Democrata vai melhorar os salários dos diretores executivos dos diretórios estaduais, e evitando entrar em ideologia, ao menos em parte. "Eu não estou concorrendo a presidente, assim meu trabalho é fazer com que outra pessoa seja eleita presidente", disse Dean para a conservadora "Fox News" após anunciar sua candidatura. "É o candidato que fala pelo partido, não o presidente do partido."

Se a história servir de guia, as grandes decisões temáticas sobre o que o partido deve dizer e para onde deve ir serão guiadas pelos líderes no Congresso nos próximos dois anos, e presumivelmente pelos candidatos que concorrerão à presidência logo depois disto. "Deixe Hillary Clinton, Evan Bayh, Howard Dean e John Kerry brigarem sobre qual será a mensagem", disse Joe Trippi, que dirigiu a campanha presidencial de Dean, mas está apoiando Rosenberg na disputa pelo comando do partido.

McAuliffe é reconhecido por muitas coisas --eliminar as dívidas do partido e elaborar uma lista de eleitores democratas, sem contar suas ousadas previsões que não necessariamente se concretizaram-- mas ajudar seu partido a descobrir o que é que defende não está nesta lista.

Ainda assim, esta disputa não está transcorrendo em um vácuo, e os comentários destes candidatos refletem o difícil debate pós-derrota que está em andamento no partido no momento. Em particular, os candidatos estão discutindo até que ponto o partido precisa se afastar de questões tradicionais como direitos de aborto e direitos dos gays, que muitos democratas acreditam ter contribuído para a derrota de Kerry.

E a decisão de Dean de concorrer certamente a tornou mais ideológica do que o normal. Caso ele vença, sua proeminência e sinceridade sugerem que ele romperá com o papel mais tradicional exercido pelos líderes do partido.

Até certo ponto, isto é responsável por certo desconforto entre muitos democratas em relação a Dean, que é identificado com a esquerda antiguerra do partido. Ele tem buscado atenuar sua postura ideológica, como quando disse aos democratas que o partido precisa estar aberto aos adversários do aborto.

Alguns democratas tentaram se unir em torno de uma alternativa potencial a Dean. Roemer foi encorajado a concorrer por Harry Reid, o líder da minoria no Senado, e Nancy Pelosi, a líder da minoria na Câmara, e alguns democratas pediram para McAuliffe considerar sua permanência no cargo. Mas até o momento, pelo menos, tal desconforto ainda não se traduziu em um movimento em plena escala para deter Dean.

Há dois outros candidatos conhecidos: Wellington Webb, o ex-prefeito de Denver, e David Leland, o ex-presidente do diretório democrata de Ohio. Mike McCurry, um antigo estrategista democrata que está apoiando Simon, previu que se Dean perder, não será devido às suas posições.

"No final do dia, o partido não rejeitará Dean porque ele conduzirá o partido demais para a esquerda", disse ele. "Eles rejeitarão Dean se não acharem que ele será capaz de desenvolver o partido ou reformar a instituição." Partido de Howard Dean busca presidente de talento à moda antiga George El Khouri Andolfato

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