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18/01/2005

Fibras não curam prisão de ventre, conclui estudo

The New York Times
Nicholas Bakalar

Em Nova York
Apesar da quantidade de comerciais de televisão insistentes no assunto, uma dieta com poucas fibras normalmente não é a causa de prisão de ventre. E consumir suplementos de fibras provavelmente não traz a cura, de acordo com um novo estudo recém-divulgado.

Na verdade, um suplemento de fibras pode até piorar os sintomas em alguns pacientes, especialmente entre os casos mais graves. Um estudo retrospectivo publicado na edição de janeiro da "The American Journal of Gastroenterology" (Revista Americana de Gastroenterologia) sugere que muitas outras crenças sobre a constipação (e os sintomas da prisão de ventre) são pouco mais que mitos persistentes.

De acordo com a Escola Americana de Gastroenterologia, a constipação é o motivo para pelo menos 2,5 milhões de visitas anuais aos medicos nos EUA. A ACNielsen, empresa de informações sobre o mercado, informa que os americanos gastaram mais de US$ 700 milhões (mais de R$ 2 bilhões) no ano passado em remédios laxantes nos balcões das farmácias. Mesmo assim, muitos dos conselhos que esses pacientes receberam --incluindo as recomendações médicas-- provavelmente não foram muito úteis.

As fibras estão longe da condição de panacéia contra todos os males. Num estudo recente, menos da metade dos pacientes que se declararam constipados é formada por pacientes que não tiveram qualquer reação à adição de fibras na dieta. E os estudos que compararam pessoas com constipação crônica aos grupos sem essa condição não mostraram qualquer diferença em seus consumos de fibras na alimentação.

Na melhor das hipóteses para os defensores das fibras, uma dieta de baixo teor fibroso pode contribuir para a constipação numa observada minoria de pacientes. Nesse caso, os suplementos de fibras podem ser úteis. Foi o que descobriram pesquisadores liderados pelo dr. Stefan Mueller-Lissner, professor de medicina na Universidade de Humboldt, em Berlim, na Alemanha.

Uma maior ingestão de líquidos é freqüentemente recomendada contra a constipação, mas estudos recentes dizem que não funciona. Embora possa parecer que o acréscimo de água às fezes duras seja capaz de amolecê-las, não há comprovação científica de que a adição de líquidos alcance esse resultado nem que cure a constipação.

Se as fibras e os líquidos não ajudam muito, o que dizer do aumento de exercícios físicos, contra a constipação? Os estudos dizem que não.

Apesar dos outros benefícios comprovados que proporcionam, os exercícios são basicamente ineficazes contra a constipação. Parecem ajudar os pacientes mais velhos desde que integrem um programa mais abrangente, mas não funcionam para os pacientes mais jovens e gravemente constipados.

Se por um lado atividades como a maratona podem ativar o sistema digestivo, exercícios com aumento progressivo praticados por pessoas saudáveis não tiveram efeito notável nas funções intestinais.

Então, o que realmente funciona contra a prisão de ventre?

"Eu começo tentando com uma dieta de fibras", diz Mueller-Lissner. "Ameixas secas e outras frutas podem ser eficazes, embora 'estofamentos' possam ocorrer como efeito colateral".

Se essas atitudes não funcionarem, o dr. Mueller-Lissner recomenda os laxantes. Além dos aditivos de fibras, há três outros tipos: amolecedores de fezes (Colace, por exemplo), laxantes salinos como leite de magnésia, e laxantes estimulantes, como Dulcolax, Correctol e outros.

"Eu recomendo macrogol", ingrediente ativo no Colace e em outras marcas, segundo o médico.

Ele acrescentou: "Se isso for ineficaz ou não for tolerado, eu mudaria para bisacodyl", o ingrediente ativo em Correctol e em outros estimulantes, "ou um composto correlato".

Essas drogas não são prejudiciais em doses normais, diz o dr. Mueller-Lissner. Alguns especialistas acreditam que laxantes estimulantes que ativam os intestinos podem aumentar os riscos para o câncer colorectal, mas há poucas provas. A constipação crônica por sua vez é associada a um risco crescente de câncer, mas não há provas de que laxantes utilizados em doses recomendadas possam aumentar os riscos.

Outros medicos suspeitam que os remédios possam ter uma série de efeitos adversos colaterais --que eles podem criar hábitos psicológicos, dependência física, que podem provocar nova constipação, afetar os nervos e os músculos que controlam os intestinos.

Mueller-Lissner diz acreditar que cabe ao paciente dizer qual é a sua freqüência normal de movimentos intestinais. "A variação estatística do conceito de normalidade vai de três evacuações por dia a três por semana".

"Mas em termos clínicos isso é irrelevante. Se não há doença orgânica no quadro da constipação, uma baixa emissão de fezes não é prejudicial. O tratamento só acontece se o paciente se queixar". Para médicos, elas podem até piorar a constipação dos pacientes Marcelo Godoy

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