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19/01/2005

Irã afirma não se intimidar com 'ameaça' de Bush

The New York Times
Nazila Fathi

Em Teerã
As autoridades iranianas declararam nesta terça-feira (18/09) que o país não será intimidado por ameaças, um dia depois de o presidente Bush ter se recusado a descartar uma ação militar contra o Irã caso este continue a buscar armas nucleares.

"Nós não temos medo das ameaças e sanções dos inimigos estrangeiros, já que eles sabem muito bem que ao longo de sua história antiga e islâmica o Irã não tem sido um lugar para aventurismo", disse o ex-presidente do Irã, Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, para a agência de notícias estatal "Irna".

O ministro da Defesa do Irã, Ali Shamkhani, também pareceu fazer suas próprias ameaças, dizendo: "Nós desenvolvemos um poderio que nenhum país pode atacar, porque não possuem informação precisa sobre nossas capacidades militares", segundo a agência de notícias "Mehr" do Irã. "Nós produzimos equipamento a um ritmo rápido e com investimento mínimo, que resultou na maior força de dissuasão."

Rafsanjani anunciou em outubro que o Irã tinha aumentado com sucesso o alcance de seu míssil, Shahab-3, para 1.900 quilômetros, colocando Israel, bases militares americanas no Golfo Pérsico e até mesmo partes da Europa ao alcance.

A agência de notícias "Mehr", que supostamente tem laços estreitos com o gabinete do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, exaltou em termos não específicos a capacidade do Irã de retaliar contra qualquer ataque. "Hoje, a República Islâmica adquiriu enorme poderio militar, cujas dimensões permanecem desconhecidas, e está preparada para atacar qualquer intruso com uma chuva temível de fogo e morte", disse ela, segundo a agência de notícias "Reuters".

As autoridades iranianas também tinham mais a dizer sobre o artigo da revista "New Yorker", o qual sustentou que comandos americanos estão operando dentro do Irã desde meados de 2004, selecionando alvos para ataques aéreos. O porta-voz chefe do conselho de segurança nacional do Irã zombou da reportagem, a desprezando como um "blefe ridículo" e "guerra psicológica contra o Irã".

"A entrada de comandos americanos não é tão fácil, e acreditar nesta história seria ingenuidade", a rádio estatal citou como tendo dito o porta-voz, Ali Aghamohammadi.

Erro judiciário

O governo do Irã também recuou na terça-feira de sua ameaça de prender a vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2003, Shirin Ebadi. O judiciário disse que as intimações foram resultado de um erro administrativo.

Em um raro reconhecimento, Kamal Karimirad, um porta-voz do judiciário, disse que o funcionário que redigiu as intimações "não era experiente o bastante" e não declarou o motivo das intimações. Ele acrescentou que o funcionário também convocou erroneamente Ebadi para o Tribunal Revolucionário, a divisão que lida com crimes que ameaçam a segurança nacional.

Ebadi foi intimada por um tribunal na semana passada e tinha até domingo como prazo para aparecer perante um juiz, sob risco de ser presa. Ela desafiou a ordem e disse que o tribunal não estava qualificado para julgá-la, já que a ação foi impetrada por um querelante privado.

"O promotor analisou o caso quando soube que envolvia a sra. Ebadi e encontrou alguns erros", disse Karimirad em uma coletiva de imprensa semanal, informou a agência de notícias "Isna". "A promotoria gostaria de ver o querelante, mas ele ainda não foi encontrado", ele acrescentou, sugerindo que o caso poderia ser arquivado.

Ebadi, 57 anos, é uma advogada e ativista de direitos humanos que já entrou em choque com as autoridades no passado por defender dissidentes políticos. Neste caso ela estava representando a família de uma jornalista iraniano-canadense, Zahra Kazemi, que morreu durante sua detenção pelo judiciário iraniano em 2002. País diz ter ampliado arsenal, com míssel capaz de atingir a Europa George El Khouri Andolfato

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