UOL Notícias Internacional
 

20/01/2005

EUA seguem divididos sobre Bush, diz pesquisa

The New York Times
Janet Elder* e

Adam Nagourney
Na véspera da segunda posse do presidente Bush, a maioria dos americanos diz que não espera que a economia melhorará ou que as tropas americanas serão retiradas do Iraque antes da saída de Bush da Casa Branca, e muitos têm reservas sobre seu plano de reformar o Seguro Social, segundo a mais recente pesquisa The New York Times/CBS News.

70% disseram achar que Bush conseguirá mudar o sistema do Seguro Social. E a pesquisa revelou que 43% dos entrevistados esperam que mais formas de aborto serão ilegais quando Bush deixar a Casa Branca, dadas as esperadas nomeações de Bush para a Suprema Corte.

A pesquisa Times/CBS News ofereceu o tipo de retrato conflitante da posição da nação em relação a Bush, que ficou evidente ao longo da campanha presidencial do ano passado. Quase 60% dos pesquisados disseram estar otimistas em relação aos próximos quatro anos na véspera da posse de Bush, mas claras maiorias reprovaram a administração da economia por parte de Bush e a guerra no Iraque.

Quase dois terços disseram que um segundo mandato de Bush deixará o país com um déficit ainda maior, enquanto 47% disseram que o segundo mandato dividirá os americanos. Os americanos disseram que não esperam nenhuma melhoria no atendimento de saúde, educação ou na redução dos custos dos medicamentos prescritos para o idosos até janeiro de 2009.

Pouco menos de 80%, incluindo a maioria daqueles que disseram que votaram em Bush em novembro, disseram que não será possível reformar o Seguro Social, reduzir impostos e financiar a guerra no Iraque sem aumentar o déficit orçamentário, apesar das promessas de Bush do contrário.

Os resultados, obtidos após uma eleição tensamente competitiva, sugerem que Bush não conta com um amplo apoio popular enquanto embarca naquele que a Casa Branca sinalizou que será um segundo mandato extraordinariamente ambicioso, que em muitas formas começará com a posse e discurso de Bush nesta quinta-feira (20/01).

Isso poderá minar sua força no Congresso, onde até mesmo alguns republicanos expressaram preocupação em relação a alguns aspectos importantes dos planos de Bush para o Seguro Social.

O índice de aprovação de Bush está em 49% no momento em que ele inicia seu segundo mandato --um índice significativamente mais baixo do que os de início de segundo mandato dos dois últimos presidentes reeleitos, Bill Clinton e Ronald Reagan. E 56% disseram que o país está no caminho errado, a pior avaliação que Bush recebeu neste item desde que chegou à Casa Branca.

Ainda assim, enquanto Bush entra no que a Casa Branca considera como uma janela crítica de dois anos antes de seu poder começar a minguar, a pesquisa sugere que o esforço de Bush para estabelecer a base para uma reforma do sistema do Seguro Social já teve algum sucesso. 50% disseram que o Seguro Social está em crise, repetindo a afirmação feita por Bush e que tem sido contestada por democratas e analistas independentes.

Respondendo outra questão, 51% disseram que apesar de haver boas coisas no Seguro Social, o sistema precisa de "mudanças fundamentais", enquanto 24% disseram que ele precisa de uma reforma total.

Mas 50% disseram ser uma "má idéia" permitir que os trabalhadores desviem parte dos descontos em folha para o mercado de ações, como Bush deverá propor. Tal número salta para 70% quando a pergunta inclui a possibilidade de que futuros benefícios garantidos serão reduzidos em até um terço.

Quase 60% dos entrevistados disseram que provavelmente não aplicarão seus fundos do Seguro Social no mercado de ações, e a maioria disse que ao buscar a reforma do Seguro Social, Bush está mais interessado em ajudar Wall Street do que em proteger o americano comum.

"Eu acho que é uma má idéia", disse Tina DeSantis, 46 anos, da Pensilvânia, que se identificou como sendo republicana. "As pessoas que encontrou não necessariamente dispõem das ferramentas necessárias para tomar as decisões apropriadas e perderão dinheiro."

E Islene Bernards, 46 anos, uma republicana de Clinton, Utah, disse temer que a permissão para investimento em contas privadas acabará desestabilizando o sistema. "Nós afundaremos ainda mais no buraco em que estamos no Seguro Social, porque a certa altura, se as pessoas usarem e perderem seu dinheiro e estiverem velhas, então alguém terá que cuidar delas", disse ela.

A pesquisa nacional por telefone foi realizada entre sexta-feira e terça-feira com 1.118 adultos e apresenta margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

A pesquisa sugere que, de certa forma, muitos americanos estão esperando que Bush terá sucesso em promover grandes mudanças no cenário político nos próximos quatro anos. Isto é mais notável na pergunta sobre o aborto; 71% esperam que Bush nomeará juizes para a Suprema Corte que votarão pela proibição do aborto. A maioria dos americanos, 71%, apóia alguma forma de aborto legal, apesar de que com mais restrições do que as existentes no momento.

"Ele é contra, então obviamente os juízes que ele escolher vão decidir a seu favor", disse Tony Rhoden, 53 anos, um independente do Queens. "Ele quer alguém que pense como ele. Me parece que com tantos que ele está nomeando, seja lá o que ele quiser, eles vão conseguir para ele."

A pesquisa também revelou que a preocupação em relação à guerra no Iraque também está aumentando: 75% disseram que Bush não possui plano claro para sair do Iraque, um grande aumento em comparação a 58% no outono passado, e a maioria disse que ele rotineiramente exagera as condições lá. E 75% disseram acreditar que um número significativo de tropas americanas ainda estará disposto no Iraque quando Bush deixar a presidência.

A pesquisa também revelou que 53% dos americanos acham que a guerra no Iraque não valeu a perda de vidas americanas já que as armas de destruição em massa nunca foram encontradas.

A maioria dos americanos disse que o Iraque, que tem sido atormentado por violência ao longo da última semana, não está seguro o suficiente para a realização de eleições em duas semanas, como previsto. Mas estão divididos sobre se as eleições devem ser adiadas na esperança de que alguma ordem seja restaurada lá.

De qualquer forma, apenas 15% disseram que as eleições produzirão um declínio da violência no Iraque; 40% disseram que ela criará mais violência.

Os americanos não parecem compartilhar a preocupação de Bush sobre a urgência do problema do Seguro Social, diante dos outros problemas que a nação enfrenta. Ao serem perguntados sobre qual o problema mais importante que o país enfrenta, apenas 3% citaram o Seguro Social, enquanto 11% citaram o Iraque e Osama Bin Laden, e 10% indicaram a "guerra" e a economia.

Ainda assim, 54% dos entrevistados disseram que não esperam que o sistema terá dinheiro suficiente para lhes pagar as pensões quando se aposentarem, um número que não tem variado muito desde que a Times/CBS News começou a fazer a pergunta em 1981. E as pessoas mais jovens apresentaram maior probabilidade de apoiar a mudança proposta por Bush do que os americanos mais velhos.

Sobre impostos, outra área onde o governo Bush espera realizar um grande esforço ao longo dos próximos quatro anos, 54% disseram que o investimento e a renda de juros deveriam ser tributados no mesma taxa que os salários; os republicanos têm buscado reduzir os impostos sobre os investimentos e os juros como forma de reformar o sistema tributário e encorajar investimentos das empresas.

Ao mesmo tempo, por uma margem de 47% contra 40%, os americanos acham que os cortes temporários de impostos que foram aprovados em 2001, e que deveriam expirar neste ano, devem se tornar permanentes.

*Colaborou Fred Backus. O presidente não tem o apoio popular que julga ter para 2º mandato George El Khouri Andolfato

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