UOL Notícias Internacional
 

21/01/2005

Líder rebelde promete "guerra santa" no Iraque

The New York Times
Edward Wong

Em Bagdá, Iraque
O rebelde mais procurado no Iraque prometeu em uma mensagem de áudio pela Internet, postada nesta quinta-feira (20/01), continuar travando a guerra santa contra os americanos, mas também reconheceu que um alto líder da guerrilha foi morto em combate contra as forças americanas.

A mensagem de 75 minutos que alega ser do líder da insurreição, Abu Musab Al Zarqawi, apareceu no primeiro dia do feriado muçulmano Id Al Adha e horas antes do presidente Bush fazer seu discurso de posse em Washington.

Enquanto Bush falava de levar a paz a países oprimidos, e enquanto a violência continuava a se espalhar pelo Iraque antes das eleições de 30 de janeiro, Al Zarqawi afirmou que a guerra santa "poderá durar meses ou anos".

"Na luta contra o arrogante tirano americano que carrega a bandeira da cruz, nós descobrimos que, apesar de seu poderio militar, ele está sendo esmagado emocional e moralmente", disse Al Zarqawi, segundo uma tradução da agência de notícias "Reuters". "Nossa batalha com o inimigo é uma batalha de ruas e cidades, e possui muitos métodos táticos, defensivos e ofensivos. Guerras ferozes não são decididas em dias ou semanas."

A mensagem de áudio não pôde ser imediatamente autenticada. Al Zarqawi postou mensagens de áudio semelhantes na Internet em outros momentos chaves do conflito, como logo após a ofensiva americana em Fallujah, em novembro. Em sua mensagem na quinta-feira, a mais longa que ele gravou até o momento, Al Zarqawi disse que seu principal assistente militar, Omar Hadid, que também era um dos combatentes mais procurados pelos americanos, morreu na fortaleza rebelde de Fallujah após ajudar a matar soldados americanos.

Um proeminente líder tribal da província de Anbar, que inclui Fallujah, disse ao NYT no sábado passado que ouviu que Hadid tinha sido morto, mas que não recebeu confirmação.

Os americanos estão oferecendo uma recompensa de US$ 25 milhões pela captura ou morte de Al Zarqawi, que empenhou sua lealdade a Osama Bin Laden. Bin Laden declarou subseqüentemente Al Zarqawi como seu representante no Iraque.

O grupo de Al Zarqawi, a Al Qaeda na Mesopotâmia, antigamente conhecido como Monoteísmo e Jihad, supostamente é responsável pelas mortes de centenas de pessoas em emboscadas, atentados a bomba e execuções, incluindo decapitações, muitas delas gravadas em vídeo para divulgação pública. As autoridades americanas disseram que esperam que Al Zarqawi e outros líderes rebeldes aumentem a violência à medida que se aproxima a eleição da assembléia constituinte de 275 cadeiras, no final deste mês.

Uma porta-voz militar americana e uma empresa de segurança britânica disseram na quinta-feira que um inglês e um guarda de segurança iraquiano foram mortos, e que um brasileiro que trabalhava para uma das maiores empresas de construção da América do Sul, foi seqüestrado em uma emboscada de estrada ao norte da capital, na quarta-feira.

Na cidade de Ramadi, capital da província de Anbar, os rebeldes realizaram seis disparos de artilharia contra áreas residenciais, disseram os marines. Não se sabe se civis foram feridos. Ramadi é cenário de alguns dos combates urbanos mais ferozes da guerra, com os rebeldes atacando as bases americanas dentro da cidade e disparando regularmente contra o centro de governo ao longo da rua principal.

Na ameçada cidade de Mossul, no Norte, os guerrilheiros tentaram tomar um hospital, mas foram repelidos pelas forças de segurança iraquianas, disseram militares americanos. O ataque ao Hospital Al Salam, no leste de Mossul, forçou funcionários e pacientes a fugirem.

A emboscada na estrada ao norte de Bagdá ocorreu perto da cidade de Bayfi, onde há refinarias de petróleo, que fica ao sul de Tikrit, cidade natal de Saddam Hussein. A área é repleta de rebeldes, e a infra-estrutura de petróleo e eletricidade existente lá é alvo de freqüentes ataques.

Na emboscada, as vítimas foram atacadas enquanto viajavam em um comboio perto da usina de força na qual trabalhavam, segundo uma declaração da Janusian Security Risk Management, uma empresa com sede em Londres e que opera no Iraque desde abril de 2003. O inglês e o iraquiano trabalhavam para a Janusian, que se recusou a divulgar seus nomes.

O brasileiro trabalha para a Odebrecht, uma empresa de construção com sede em São Paulo, Brasil. Seus captores não fizeram nenhuma exigência pública.

As tentativas de seqüestro de estrangeiros cresceram após uma diminuição em novembro, durante a sangrenta ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra a fortaleza rebelde de Fallujah. Os seqüestros são freqüentemente organizados por gangues criminosas que tentam vender as vítimas de volta a seus países ou empregadores, ou para grupos de resistência com motivação política.

Um jornalista francês seqüestrado em Bagdá, no início de janeiro, ainda está desaparecido, enquanto um arcebispo seqüestrado no início desta semana na cidade de Mossul, foi libertado um dia depois sem que qualquer resgate fosse pago, segundo o Vaticano.

O governo chinês disse estar negociando a libertação de oito trabalhadores chineses que foram seqüestrados recentemente na área do triângulo sunita e foram vistos na terça-feira em um vídeo divulgado pelos rebeldes. Seus captores estão exigindo que o governo chinês assuma uma posição na guerra no Iraque.

O ataque próximo de Bayji ocorreu no mesmo dia em que os rebeldes semearam medo por toda a capital, detonando pelo menos cinco carros-bomba e um caminhão-bomba, que os militares americanos disseram que mataram pelo menos 26 pessoas.

As autoridades americanas e iraquianas previram um aumento da violência antes das eleições de 30 de janeiro para escolha de uma assembléia nacional, que redigirá uma constituição permanente. Seqüestros são reação dos insurgentes à ofensiva dos americanos George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host