UOL Notícias Internacional
 

21/01/2005

Na posse, Bush diz que vai disseminar liberdade

The New York Times
David Stout e

John O'Neil

Em Washington
O presidente Bush começou seu segundo mandato, nesta quinta-feira (20/01), declarando que os EUA atenderão "ao chamamento de nossa era", a missão de disseminar a liberdade a todas as regiões do globo.

O presidente, na primeira posse desde os ataques de 11 de setembro de 2001, disse que a liberdade não é apenas o direito de todos os povos, e por isso causa transcendente, mas um motor que mantém os EUA seguros.

"Somos levados pelos fatos e pelo bom senso a uma conclusão: a sobrevivência da liberdade em nossa terra cada vez mais depende do sucesso da liberdade em outras terras", disse Bush. "A maior esperança de paz em nosso mundo é a expansão da liberdade em todo o mundo."

Sem mencionar o Iraque ou o Afeganistão, sem usar a palavra "terror", Bush deixou claro que tem uma visão maior da missão americana. "Assim, a política dos Estados Unidos é a de procurar e apoiar o crescimento de instituições e movimentos democráticos em todos os países e culturas, com o objetivo final de acabar com a tirania em nosso mundo", disse ele.

O presidente não se referiu especificamente aos ataques de 11 de setembro, mas a alusão foi clara. "Meu dever mais solene é o de proteger esta nação e seu povo de outros ataques e ameaças emergentes", disse ele. "Alguns escolheram tolamente testar a determinação dos EUA, e viram que é firme."

Bush procurou, também, reforçar o relacionamento com os antigos aliados, que ficaram consternados com a atitude unilateral de Washington, particularmente no Iraque.

"Todos aliados dos EUA devem saber o seguinte: honramos nossa amizade, contamos com seu conselho e dependemos da sua ajuda", disse Bush.

Em um discurso que durou muito mais do que os 17 minutos previstos, Bush disse que seus objetivos seriam guiados pela necessidade de "reformar grandes instituições para servir às necessidades de nossos tempos".

Quando falou de promover "uma sociedade de propriedade", estava se referindo, em parte, a sua meta de reformar a previdência social para que os jovens trabalhadores possam desviar parte de seus impostos descontados em folha para contas privadas --"tornando cada cidadão um agente de seu próprio destino", como ele disse.

O juiz da Suprema Corte William H. Rehnquist, fragilizado com câncer de tireóide, administrou o juramento da posse. O juiz caminhou de bengala e sua voz estava rouca. Entretanto, recitou as palavras do juramento claramente e recebeu uma saudação calorosa da multidão reunida, assim como do presidente Bush.

Desta vez, a cerimônia foi só de Bush, diferentemente de quatro anos atrás, quando teve que dividir o palco com a administração de saída, da oposição, formada pelos democratas Bill Clinton e Al Gore, presidente e vice. Em 2000, Bush perdeu a eleição para Gore no voto popular e só se tornou presidente devido a uma discutível decisão no Colégio Eleitoral, em uma das eleições mais amargas da história americana.

Bush prestou juramento minutos depois do vice-presidente Dick Cheney. O mais poderoso vice da história americana foi empossado pelo presidente da Câmara, J. Dennis Hastert, de Illinois, que é segundo na linha para a presidência.

Mantendo a tradição presidencial, Bush começou o dia participando da missa, na manhã de quinta-feira, da Igreja Episcopal de St. John, na frente do parque Lafayette. Com ele estavam seu pai, o ex-presidente George H. W. Bush, e outros membros de sua família.

Membros do Congresso, governadores e outros dignitários lotaram a área em frente ao Capitólio antes da cerimônia. Três ex-presidentes foram escoltados aos seus assentos com a aproximação do momento do juramento: o primeiro presidente Bush e o homem que o derrotou, Bill Clinton, junto com Jimmy Carter. Clinton estava acompanhado de sua mulher, a senadora Hillary Rodham Clinton, de Nova York.

Também tomando seus assentos, com sorrisos escondendo quaisquer pensamentos do que poderia ter sido e sonhos do que ainda poderá ser, três senadores que tentaram a presidência, John S. McCain, republicano do Arizona, John Kerry de democrata de Massachusetts e Joseph I. Lieberman, democrata de Connecticut.

Muitos acreditam que Kerry, que perdeu para Bush há menos de três meses, e McCain ainda têm ambições para a Casa Branca.

Protestos

Durante o dia, centenas de manifestantes se reuniram na área destinada a eles na praça John Marshall, na rota que Bush seguiria depois da cerimônia.

Um homem ficou em pé, em uma plataforma elevada, com um capuz preto sobre a cabeça, os braços esticados, imitando a foto que ficou famosa de um preso iraquiano na prisão de Abu Ghraib. Cartazes levavam mensagens como "Seu mandato não foi dado por mim" e "Guerra começa com G" [em inglês, "War begins with W", uma alusão à letra "W", incial do segundo nome de Bush (Walker), usada em sua propaganda eleitoral]..

Em meio aos manifestantes estava o ex-advogado geral da nação, Ramsey Clark, que tem sido crítico persistente da postura de Bush no Iraque e disse que os EUA estariam melhores se houvesse outra pessoa na Casa Branca.

"O mundo é mais perigoso que nunca por causa do que fizemos e o que estamos fazendo", disse Clark a uma multidão de manifestantes, ao longo da rota da parada inaugural. "O impeachment agora é essencial para a integridade do governo americano e do povo dos EUA."

Na quinta-feira pela manhã, o vice-presidente Cheney fez uma rara admissão de erro na política no Iraque. Ele disse que o governo superestimou a rapidez com que o país ia se recuperar depois da deposição de Saddam Hussein.

Falando no programa de rádio "Imus in the Morning", Cheney disse que os iraquianos foram mais intimidados pelas brutalidades do regime de Saddam do que se imaginava antes da invasão.

"Acho que centenas de milhares de pessoas massacradas na época, inclusive qualquer uma que tivesse a coragem de se levantar para desafiá-lo, tornaram a situação mais difícil do que eu teria imaginado", disse Cheney, de acordo com a Associated Press. "Eu marcaria isso como um erro de cálculo, já que pensei que as coisas se recuperariam mais rapidamente."

O Iraque também dominou as audiências de confirmação de Condoleezza Rice, no início da semana. A assessora nacional de segurança foi nomeada por Bush para a chefia da Secretaria de Estado. Democratas, na quarta-feira, se recusaram a permitir uma votação sumária da nomeação, atrapalhando os planos republicanos empossá-la no mesmo dia que Bush.

Apesar do frio, com temperaturas próximas de zero, centenas de pessoas se reuniram para testemunhar o juramento no Capitólio. Milhões certamente assistiram a cerimônia pela televisão. Grupos pequenos de manifestantes se reuniram para protestar contra vários aspectos das políticas interna e externa de Bush.

Apesar de ter sido frio para o inverno em Washington, o tempo ruim no dia de posse não é incomum; certamente estava frio e úmido na primeira posse de Bush e frio e seco para a segunda de Clinton, em 1997. Há 20 anos, estava tão frio em Washington que a cerimônia da segunda posse de Ronald Reagan foi cancelada.

A segurança em Washington foi extremamente rígida por dias. A posse de quinta-feira foi a primeira desde os ataques de 11 de setembro de 2001, um evento divisor de águas que formatou muitas prioridades do primeiro mandato de Bush.

A presença de Rehnquist foi um lembrete marcante de uma questão importante aguardando Bush em seu segundo mandato: a composição da Suprema Corte. A corte não muda desde que o juiz Stephen G. Breyer assumiu sua cadeira, no dia 3 de agosto de 1994, e o atual time é um dos que mais duraram em toda a história.

Mas Rehnquist, cuja doença o manteve distante da Suprema Corte por semanas, está com 80 anos. O juiz mais velho, John Paul Stevens, está com 84. Então, acredita-se que Bush poderá nomear ao menos uma pessoa para a corte, em seu segundo mandato.

Bush disse que pretende gastar o capital político que recebeu em sua vitória sobre Kerry. É provável que não tenha quatro anos para gastá-lo. Haverá uma nova leva de congressistas no Capitólio em dois anos, com suas próprias opiniões políticas e ambições presidenciais. Presidente inicia segundo mandato com pompa e em meio a críticas Deborah Weinberg

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