UOL Notícias Internacional
 

22/01/2005

Abbas desloca tropas para conter o grupo Hamas

The New York Times
Greg Myre, em Beit Hanun, e

Steve Erlanger, em Jerusalém
As forças de segurança palestinas, em números modestos, assumiram posições na Faixa de Gaza e em outras partes do norte da região nesta sexta-feira (21/01), com ordens de impedir o Hamas e outros grupos militantes de dispararem morteiros e foguetes Qassam contra assentamentos israelenses e cidades israelenses próximas, como Sederot.

A disposição de forças, por palestinos em vários uniformes e algumas delas em novas picapes, foi ordenada pelo novo presidente, Mahmoud Abbas, depois que Israel ameaçou entrar em Gaza em peso para conter os ataques.

A ação foi o sinal mais visível até o momento de que Abbas tentará controlar os militantes e desmilitarizar a intifada, como ele prometeu em sua campanha. A ação foi bem recebida por Israel, que tem exigido que Abbas tome medidas concretas para deter os ataques contra civis israelenses antes que os contatos políticos sejam retomados.

Mas a disposição de forças de sexta-feira, incompleta e um tanto simbólica, não fornece garantias de um fim dos ataques, e Israel prometeu responder "com grande força" se continuarem.

Abbas deixou claro que não está disposto a confrontar os radicais armados do Hamas ou da Jihad Islâmica, muito menos desarmá-los e destruir seus depósitos de armas e fábricas de foguetes, como Israel insiste que ele faça como parte do compromisso palestino no plano de paz chamado de 'roteiro para a paz' (map of the road). Em vez disso, ele quer atrair os militantes e negociar um cessar-fogo com eles.

Ainda assim, a sexta-feira marcou uma importante mudança de tom.

O antecessor de Abbas, Iasser Arafat, fez pouco para conter os militantes desde que a atual intifada, ou levante, teve início em setembro de 2000. Israel acusava regularmente Arafat de usar o terrorismo como tática, enquanto Abbas era contra, considerando seu uso como contraproducente na negociação de um Estado palestino independente.

A sexta-feira fez parte do feriado muçulmano de quatro dias Id Al Adha, de forma que Gaza esteve tranqüila. Cerca de 10 membros das forças de segurança palestinas ocuparam um posto nos limites da cidade, um pequeno aumento, enquanto outros foram dispostos perto da barreira de Erez. Os números aumentaram ao longo do dia.

Outro grupo de 75 homens em nove picapes forneceu uma oportunidade de foto para a imprensa, e então se dispersou por vários pontos, com um grupo se posicionando no norte de Gaza, em um campo freqüentemente utilizado para lançamento de foguetes. Em Beit Lahiya, cerca de 70 membros da inteligência militar palestina, em boinas vermelhas, patrulhavam em caminhonetes.

Eles são os primeiros do que os palestinos disseram que serão 2.500 soldados dispostos por toda Gaza, que tem sido uma zona quase sem lei, com forças de segurança rivais controlando esquinas e bairros.

Em respeito ao feriado Id Al Adha, o primeiro-ministro Ariel Sharon enviou mensagens a Abbas e ao primeiro-ministro Ahmed Qurei dizendo esperar por paz e prosperidade. Abbas respondeu que os dois lados devem trabalhar para um acordo de paz.

O vice-primeiro-ministro israelense, Shimon Peres, elogiou Abbas por dar os primeiros passos e disse que Israel deve agora começar a aliviar a pressão sobre os palestinos. "É uma ponte muito estreita, e é preciso cuidado para não sobrecarregá-la", disse Peres para a rádio Israel. Ele sugeriu que Israel alivie seus bloqueios de estradas e trabalhe para solucionar os problemas de água, luz e criação de empregos para beneficiar Abbas.

"Eu sou contra manter balas no cano da arma, contra ameaças", disse Peres. "Não há necessidade. Todos sabem que não aceitaremos foguetes Qassam caindo em Sederot e seus arredores. E se os palestinos podem impedir isto, assim é melhor. Caso contrário, nós teremos que nos proteger."

Resistência enquanto dignidade

Beit Hanun está se preparando para eleições locais na próxima semana, e bandeiras verdes do Hamas estão penduradas nos postes. Nos limites da cidade, Said Abu Salah, um agricultor palestino de 39 anos, expressou profunda ambivalência sobre a disposição das forças de segurança.

"A disposição nos deixará mais seguros?" disse ele. "Eu não sei. Eu temo que os palestinos poderão estabelecer uma zona de segurança ao longo da fronteira e tomar parte de nossas terras. Mas se vier a calma, eu serei o primeiro a apoiá-la." Mas ele estava cético. Segundo ele, Abbas não tinha o direito de dizer, "Pare da intifada", e oferecer segurança a Israel.

Sua fazenda e a de seu irmão, onde cultivam cítricos, são adjacentes e ficam a menos de 1,5 quilômetro da fronteira. Os israelenses destruíram as fazendas em 2001 durante uma incursão para impedir disparos de foguetes, de forma que os dois homens agora trabalham em outras fazendas. O filho de Salah, Eid, atualmente com 19 anos, foi atingido por fogo israelense dois anos atrás enquanto trabalhava no campo e perdeu dois dedos.

"Enquanto houver ocupação, a resistência precisa estar presente", disse Salah. "É a única dignidade que nos resta."

Abbas continua suas negociações com o Hamas e com a Jihad Islâmica, que seu gabinete descreveu como "positivas", por um cessar-fogo e acordo de divisão de poder, parte de um novo "consenso nacional palestino" para poder negociar com Israel.

Para tal fim, um porta-voz local do Hamas, Mushir Al Masri, disse na sexta-feira que o grupo estava suspendendo seus ataques de foguetes e morteiros enquanto prosseguem as negociações com Abbas.

"Não é possível negociar e disparar foguetes ao mesmo tempo", disse Masri. "Não funciona."

Ele falou no dia em que Ella Abuksis, uma jovem de 17 anos de Sederot, morreu devido a um ferimento em sua cabeça provocado por estilhaços de um foguete disparado pelo Hamas no sábado passado. Abuksis se jogou sobre seu irmão de 10 anos, que escapou com ferimentos leves. Seus pais mudaram o nome dela enquanto ela estava em coma, para Ayala Chaya --"chaya" significa vida-- para tentar mudar seu destino. Ela foi enterrada em Sederot na tarde de sexta-feira.

Masri descreveu as negociações com Abbas como seguindo em "uma direção positiva". Mas o Hamas insiste como condições para um cessar-fogo que Israel concorde em suspender a atividade militar dentro da Faixa de Gaza e pare de matar os líderes do Hamas. Israel ainda não está disposto a atender tal pedido, dizendo apenas que tranqüilidade será respondida com tranqüilidade.

Em um esforço para chegar a um novo consenso palestino e encontrar uma base comum com o movimento Fatah de Abbas e a Autoridade Palestina, os líderes do Hamas na Cisjordânia e em Gaza disseram estar dispostos a aceitar o estabelecimento de um Estado palestino independente, soberano, em todo o território além das linhas de fronteira de Israel de 1967, incluindo Jerusalém Oriental.

O Hamas argumenta que tal Estado seria um estágio intermediário para um Estado palestino em todo o território da Palestina --em outras palavras, que Israel um dia desaparecerá. Mas mesmo um Estado palestino segundo as fronteiras de 1967 é inaceitável para Israel.

A nova posição do Hamas, realista ou não, marca uma mudança em relação à sua posição tradicional, e segundo o jornal israelense "Haaretz", o Hamas a expôs por escrito em um documento entregue ao Fatah e a outras facções palestinas.

O documento enfatiza a "legitimidade da luta armada" para colocar um fim "à ocupação em todas as suas formas na Palestina, Iraque, Afeganistão e cada centímetro ocupado por forças estrangeiras". E declara que o "inimigo sionista é o principal inimigo do povo palestino, porque conquistou nossa terra e expulsou nossa nação". Forças palestinas são enviadas a Gaza para impedir ataque a Israel George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    15h29

    -0,58
    3,261
    Outras moedas
  • Bovespa

    15h33

    1,33
    73.474,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host