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22/01/2005

Mulheres talvez não saibam nada de matemática

The New York Times
Maureen Dowd

Em Nova York
Fred R. Conrad/NYT

Maureen Dowd é colunista
Lawrence Summers, reitor da Universidade Harvard, a mais prestigiosa do mundo, foi massacrado por sugerir que as mulheres podem ser biologicamente menos aptas para a matemática. Mas talvez ele esteja certo.

Exemplo disso é Condoleezza Rice, nova secretária de Estado dos EUA.

Claramente, ela é uma mulher inteligente e bem formada, versada em Brahms e bolcheviques, e acaba de ser recompensada por sua lealdade com o cargo mais atraente do segundo mandato de Bush.

No entanto, seu talento em matemática, infelizmente, é inadequado.

Ela não consegue resolver equações simples. Não sabe nem que X vezes zero é igual a zero. Se você multiplica 1.370 soldados mortos vezes zero armas de destruição em massa, isso dá zero de resultado para Rice, que ajudou o presidente e o vice a enganarem o país para que entrassem em guerra.

Será que ficou patinando no gelo, quando deveria estar estudando os números? Não deve ter passado muito tempo tentando resolver problemas clássicos, tipo: Se dois trens deixam Chicago ao meio dia, um indo para o sul a 20 km/h e outro para o norte a 30 km/h, onde estarão quando der meia noite?

De outra forma, ela teria compreendido que, se dois carros saem do aeroporto de Bagdá ao meio dia, na principal estrada para a capital do Iraque, nenhum dos dois vai chegar lá com passageiros vivos. Em 22 meses de guerra, eles não conseguiram dar segurança a esta importante avenida.

A sorte de Rice é que está trabalhando com homens que são tão ruins nos números quanto ela. O vice-secretário de defesa, Paul Wolfowitz, não conseguiu dar o total exato de soldados mortos em seu testemunho ao Congresso. Seu chefe, Donald Rumsfeld, não compreendeu que usar uma assinatura automática em mais de 1.000 cartas aos parentes dos soldados mortos resulta em consolo zero.

Nossa nova diplomata-chefe, obviamente, não domina as frações. Quando ela afirmou, durante sua audiência de confirmação, que 120.000 soldados iraquianos tinham sido treinados, o senador democrata Joe Biden a corrigiu, dizendo que se enganara ligeiramente. Ele tinha calculado 4.000 iraquianos treinados --o número dela era 30 vezes maior. Talvez ela esteja confundindo uma hipérbole com uma hipotenusa.

Sua geometria está enganada, se ela acha que agora será mais poderosa que Rummy e Dick Cheney. Ela não sabe que o Pentágono tem mais lados do que seu triângulo Crawford, com George e Laura?

Ela poderia ao menos ter lido "O Código Da Vinci". Então saberia sobre os números Fibonacci, um padrão matemático recorrente na natureza. Quando você invade um país, deve esperar uma insurgência. Ou, como Fibonacci teria calculado, se você matar um guerreiro do jihad, outros dois virão tomar seu lugar; se matar três, cinco outros surgirão; se pegar cinco, oito aparecerão, e assim por diante.

A nova secretária de Estado e seus colegas são, infelizmente, também ruins em economia. Depois das promessas dos assessores de Bush que as despesas do pós-guerra seriam cobertas pela receita do petróleo iraquiano, estamos gastando US$ 1 bilhão (em torno de R$ 3 bilhões) por semana de nosso próprio dinheiro.

Rice e seus colegas imperialistas sabem tão pouco de física que, arrogantemente, entraram em uma "ação fantasma à distância". Eles transformaram o país que deveria ser um modelo de democracia em um campo internacional de treinamento de terroristas, um núcleo para uma nova geração de fanáticos radioativamente perigosos.

Como poderiam esquecer a terceira lei de Newton, que para cada ação, há uma reação igual e oposta? O governo precisa de uma lição em subtração. Como subtraímos nossas tropas e as substituímos com tropas iraquianas, enquanto os terroristas continuam subtraindo tropas iraquianas com carros-bomba e granadas lançadas por foguetes?

Condi talvez não conheça a teoria da relatividade de Einstein, mas ela tem uma boa compreensão da teoria da relatividade moral de Cheney. Como eles são os mocinhos, podem fazer qualquer coisa: ludibriar o povo para entrar em guerra; destruir cidades iraquianas para salvá-las; substituir as Convenções de Genebra com formas não convencionais de fazer os prisioneiros falarem. A única equação que os bushies conhecem é essa: ter o poder de fazer algo é igual a ter o direito de fazê-lo.

O curioso é que, se você adiciona X (nenhuma estratégia de saída) com Y (por que estamos lá?), você tem W ao quadrado: a segunda posse de George W. Bush.

Na audiência de Condi, ela justificou os infortúnios do governo Bush dizendo que a história provaria os acertos. "Sei o suficiente sobre história para dar um passo atrás e reconhecer que não se deve julgar decisões no momento, mas no somatório total", disse ao cético senador Biden.

O problema é que ela está calculando, mas não sabe somar. Por enquanto, Sam Cooke tem razão sobre os bushies. Eles não sabem muito de história. Caso clássico é o da nova secretária de Bush, Condoleezza Rice Deborah Weinberg

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