UOL Notícias Internacional
 

25/01/2005

Casamento de GM e Fiat pode acabar no dia 1º

The New York Times
Danny Hakim

Em Detroit
A General Motors e a Fiat irão concluir até o dia 1º de fevereiro as negociações sobre seu complexo e fragmentado processo de aliança. Foi o que declararam as duas empresas nessa segunda-feira (24/01). Resta saber o que irá ocorrer no dia 2.

As empresas estão embaraçadas devido à situação conflitante do setor de negócios automobilísticos da Fiat. De acordo com os termos de um amplo acordo de parceria estabelecido em 2000, a Fiat negociou uma opção de negócios, válida desde esta segunda até o final da década, para a venda à GM da Fiat Automóveis.

A GM argumentou que essa opção de venda --conhecida como "put option" em Wall Street-- foi anulada devido a mudanças na estrutura da Fiat em 2002. A Fiat já contestou essa argumentação.

A resolução desse impasse pode ter amplas implicações para a GM, maior fabricante mundial de automóveis. A maioria dos analistas afirma que a GM --que mal estaria se equilibrando acima dos títulos de mais alto risco nos rankings de crédito, e que tem suas operações européias entrando no vermelho-- estaria mal aparelhada para absorver mais problemas.

"Acreditamos que se a GM vier a fundir suas operações européias com a Fiat Auto, os desafios seriam amedrontadores, em parte devido à abrangência do produto e à convergência geográfica entre as duas fabricantes", avaliou a Standard & Poor's, agência classificadora de dívidas, num relatório emitido no mês passado.

A maioria dos analistas diz que possivelmente haverá um acordo financeiro, ou então uma prolongada batalha judicial. Como a GM recentemente previu uma acentuada queda no faturamento de 2005, a empresa não está em condições de desembolsar uma grande quantia.

No mês passado, a GM iniciou um processo de mediação que é requerido antes que as empresas possam entrar em ação legal; um provável próximo passo, se não se chegar a uma acomodação quando a negociação terminar na próxima semana, seria a GM abrir processo, buscando estabelecer que essa opção do negócio de compra não é mais válida.

Essa planejada aliança com a Fiat, uma das várias já acertadas pela GM, no começo foi vista como uma oportunidade para cortar custos de bilhões de dólares, pela possibilidade de desenvolver projetos e comprar componentes em conjunto. Mas, nos últimos anos, essa opção pesou para a GM, já que ambas as empresas experimentaram duras batalhas no altamente competitivo mercado automobilístico europeu.

Agora em janeiro, a GM relatou sua quinta perda anual consecutiva nas operações européias. A operação de carros da Fiat vem deteriorando há algum tempo o rendimento global do grupo italiano, e a empresa não espera ter lucros operacionais com automóveis até 2006. Entre as outras divisões da Fiat estão as que cuidam de caminhões comerciais, de equipamentos agrícolas e o setor de editoração.

A GM já deixou evidente sua visão pessimista sobre a Fiat, ao reduzir o investimento na fábrica italiana em seus livros contábeis, de US$ 2,4 bilhões para apenas US$ 220 milhões em 2002. Esse mês, o grupo americano declarou que reavaliou esse investimento mais uma vez, e concluiu que o negócio não vale nada.

Se a GM fosse forçada a comprar a Fiat, o preço da aquisição seria determinado por um consórcio de bancos de investimentos.

Em curtas declarações emitidas nessa segunda-feira, ficou claro que em nenhum lado da questão ocorreram mudanças quanto ao principal ponto de desentendimento --saber se a opção de venda ainda é válida ou não. A GM declarou que o acordo ficou anulado quando a Fiat recapitalizou sua divisão de automóveis, em 2002.

"A Fiat cometeu violações materiais no acordo soberano firmado entre as empresas", reiterou a GM na segunda-feira.

Numa entrevista concedida em dezembro, o atual presidente da Fiat, Sergio Marchionne, rebateu esse argumento, dizendo que a GM foi convidada a participar desse processo de recapitalização e não aceitou. Nessa segunda-feira, a Fiat afirmou novamente que sua opção de vender a divisão automobilística para a GM é "válida e viável".

Ambas as empresas disseram que as negociações prosseguirão nesta terça-feira, sendo que a Fiat declarou que não consideraria efetuar a opção de venda de seu setor automobilístico até quarta-feira, 2 de fevereiro. Esse é o prazo para montadoras resolverem impasse sobre a fusão Marcelo Godoy

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h16

    -0,05
    3,173
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h23

    1,12
    65.403,25
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host