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25/01/2005

De olho em 2008, Hillary elogia críticos do aborto

The New York Times
Patrick D. Healy

Em Albany, Nova York
Procurando ampliar seu apelo na questão altamente polarizadora do aborto, a senadora Hillary Rodham Clinton disse nesta segunda-feira (24/01) que aqueles que discordam de sua posição devem encontrar um "terreno comum" de formas para impedir "gestações indesejadas" e reduzir os abortos, que ela chamou de "uma escolha triste e até trágica para muitas, muitas mulheres".

Em um discurso para cerca de 1.000 defensores dos direitos do aborto, perto da Câmara de Nova York, a família Clinton reafirmou seu apoio à resolução da Suprema Corte dos EUA, chamada de Roe contra Wade, que legalizou o aborto no país. Depois, entretanto, ela mudou rapidamente de marcha, oferecendo palavras calorosas aos opositores do aborto e elogiando a influência de "valores religiosos e morais" para retardar a atividade sexual das meninas.

Ela exortou defensores e oponentes ao aborto a formarem uma ampla aliança para apoiar a educação sexual, inclusive o aconselhamento à abstinência, ao planejamento familiar e ao uso do contraceptivo de emergência, a pílula do dia seguinte, para vítimas de violência sexual, como forma de reduzir o número de gestações não desejadas.

"Podemos todos reconhecer que o aborto, de muitas formas, representa uma escolha triste e até trágica para muitas, muitas mulheres", disse a
senadora à conferência anual dos Defensores do Planejamento Familiar do Estado de Nova York.

"O fato é que a melhor forma de reduzir o número de abortos é reduzir o número de gestações não desejadas, para começar."

Antes das eleições de 2004, Hillary era defensora visível e pública dos direitos do aborto. Na última primavera, ela participou de um comício enorme, em Washington, e denunciou o que chamou de esforços republicanos de demonizar o movimento de direitos do aborto. Em suas observações de segunda-feira, ela parecia admitir que essa imagem era famosa entre os opositores do aborto, enquanto acrescentava que não era toda sua opinião.

"Sim, temos diferenças profundas de opinião na questão do aborto. Eu, por exemplo, respeito os que acreditam com todo o coração e consciência que não há circunstâncias sob as quais um aborto deve ser disponível", disse a senadora. Ela acrescentou que mesmo alguns críticos ao aborto apóiam o procedimento em alguns casos, tais quando como a vida da mãe está em risco.

Considerada possível candidata à presidência dos EUA em 2008 pelo Partido Democrata, Hillary parecia estar tentando ampliar sua base, suavizando sua anterior identificação com o movimento dos direitos de aborto, enquanto ressaltava suas opiniões sobre a prevenção de gravidez não planejada, promovia a adoção e reconhecia a influência da religião na abstinência adolescente. Ela defendeu o que há muito chama de "celibato adolescente".

"Nosso foco no discurso era manter sua defesa da escolha --ela não quer minar isso-- e, ao mesmo tempo, mostrar que ela também pensa que pode haver um território comum entre todos os lados, e isso tornar o aborto raro", disse Neera Tanden, diretora legislativa da senadora, em entrevista telefônica.

As observações de Hillary foram feitas no mesmo dia de um protesto em Washington em oposição ao aborto. Enquanto isso, o Partido Democrata começa a reavaliar a forma como lidou com a questão, depois da perda da disputa presidencial pelo senador John Kerry. Os senadores democratas, como Harry Reid e Dianne Feinstein, também defenderam o foco na redução de gestações indesejadas.

Alguns consultores democratas sugeriram que os líderes do partido renovassem sua linguagem e retórica para atingir eleitores que identificaram os valores morais como a principal questão na eleição presidencial de 2004.

A senadora Hillary Clinton também afirmou a questão de valores na segunda-feira, elogiando as organizações religiosas que promovem abstinência.

"A pesquisa mostra que a principal razão que as meninas se abstêm de iniciar a atividade sexual cedo é por seus valores religiosos e morais", disse Clinton. "Devemos apoiar os programas que reforçam a idéia de que a abstinência quando jovem não é só a coisa inteligente a fazer, mas a única."

Ao mesmo tempo, ela deixou claro que não favorecia programas de educação sexual que só falavam da abstinência. "Devemos também reconhecer o que funciona e o que não funciona --para ser franca, ainda não se conhece a eficácia dos programas de abstinência", disse Clinton.

"Acho que este debate não deve ser ideológico, mas sobre fatos e evidência. Temos que lidar com as escolhas que os jovens fazem, não só as escolhas que gostaríamos que fizessem."

Críticas

Opositores aos direito do aborto, tanto em Nova York quanto no resto do país, criticaram Hillary, suspeitando de seu "terreno comum", dado que seu apoio aberto aos direitos ao aborto durante os anos.

"Acho que ela está tentando adotar uma linguagem voltada para os valores, mas não tem substância, não se você comprar com seu histórico", disse Tony Perkins, presidente do Conselho de Pesquisa da Família, em Washington.

"Se você olhar o histórico de votações da senadora Clinton, é como as camisinhas da Planned Parenthood --defeituoso". Ex-primeira dama pode ser candidata democrata para Casa Branca Deborah Weinberg

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