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25/01/2005

Garotas aumentam a audiência de "One Tree Hill"

The New York Times
Kate Aurthur

Em Nova York
Divulgação/Fox

Série é considerada sucessora de "Dawson's Creek" na rede WBTV
Em um restaurante em Wilmington, na Carolina do Norte, em uma fria noite de dezembro, dois produtores de televisão discutiam.

"Não há como uma nova temporada não acontecer", disse Joe Davola.

"Não fique gorando", respondeu Mark Schwahn.

"Eu sou o sujeito mais pé-no-chão do mundo", respondeu Davola. "E não há como não sermos renovados."

Schwahn é o criador da série adolescente "One Tree Hill" da emissora WB TV dos EUA (no Brasil, a série é apresentada pelo canal pago Fox). Davola é um dos produtores executivos da série.

"One Tree Hill" é filmada em Wilmington, e eles vieram de Los Angeles para visitar o elenco e a equipe antes de partirem para desfrutar o feriado. Schwahn e Davola falaram com o NYT enquanto celebravam a conclusão de uma temporada de outono bem-sucedida para sua série, agora em seu segundo ano.

No outono passado a história foi diferente. A série teve uma estréia desastrosa: apenas 2,5 milhões de espectadores assistiram ao primeiro episódio. Mas em sua segunda temporada, "One Tree Hill" despontou como um dos sucessos da Warner, particularmente entre o público jovem que a rede corteja. "De todas as séries que eles lançaram nos últimos dois anos, esta é que embalou melhor", disse Stacey Lynn Koerner, vice-presidente executiva da Initiative, uma agência de planejamento de mídia. "Ela tem um público com o qual se conecta --uma audiência leal que volta toda semana."

Entre as mulheres com idades entre 12 e 34 anos --o público alvo da Warner-- "One Tree Hill" vence em seu horário de terças-feiras às 21h. E em todo o horário nobre da televisão, esta é a série Nº 1 entre as garotas adolescentes, um grupo que alguém poderia comparar a artistas se mudando para um bairro ruim: se elas estão assistindo, mais espectadores o farão em breve.

Na noite de terça-feira, a série volta após um intervalo de dois meses, e a caixa de DVDs dos episódios da primeira temporada, assim com a trilha sonora da série, serão lançadas no mesmo dia.

"One Tree Hill" gira em torno de Lucas (Chad Michael Murray), que no início da primeira temporada era um solitário pensativo de Tree Hill, Carolina do Norte, recrutado para jogar no time de basquete do colégio ao lado de Nathan (James Lafferty), o meio-irmão ressentido, briguento, que nunca conheceu.

A todo momento, Lucas era frustrado por Nathan e o pai (Paul Johansson) que o abandonou, mas era confortado por sua mãe (Moira Kelly), várias namoradas e seu único referencial masculino, o tio Keith (Craig Sheffer). Quando os dois irmãos se tornam amigos no final da primeira temporada, o grande elenco se estabeleceu em meio a jogos de basquete, escapadas para bebedeiras e triângulos amorosos.

Segundo David Janollari, o presidente de entretenimento da rede Warner, em junho passado a evolução da série em sucesso tardio derivou em parte do fato de "One Tree Hill" ter mudado seu foco de uma trama de esportes conduzida por garotos para uma expansão das histórias de suas garotas. "Neste ano, eu acho que eles tiveram tempo para dar um passo para trás e aprender com a resposta do público", disse Janollari em uma entrevista por telefone, de Los Angeles. "Mark realmente ajustou a série sob medida para seu público central."

Schwahn concorda: "As garotas assistem à série em grandes números. No ano passado, as garotas eram apenas complementos para os rapazes".

O tempo menor dedicado às quadras de basquete dá para "One Tree Hill" mais tempo para tramas alimentadas por sexo e drogas: as garotas aprenderam "dança do poste" em um strip club, várias personagens tiveram flertes lésbicos e Peyton (Hilarie Burton) provou cocaína.

"Sexo vende", disse Davola no restaurante da Carolina do Norte.

"Mais pele exposta para vencer", disse Schwahn.

Em outra rede "One Tree Hill" não teria tido tempo para encontrar seu público. Mesmo na Warner, uma rede conhecida por manter suas séries, ela parecia destinada a um cancelamento precoce. Ela foi programada como uma substituta de meio de temporada para o verão de 2004, mas foi colocada às pressas em produção quando outra série da Warner fracassou e teve que ser cancelada.

"A rede nos pediu oito episódios de uma só vez", disse Davola com o sotaque pesado do Brooklyn que inspirou Larry David a criar um personagem de "Seinfeld", "Crazy Joe Davola", batizado em sua homenagem. "Não era fisicamente possível."

Schwahn, um sujeito de 38 anos e aparência de garoto de Pontiac, Illinois, e que se mudou para Los Angeles nos anos 90 para tocar em uma banda, lembra do fato como uma experiência difícil. "Se esta fosse minha segunda série, eu teria dito: 'Isto é loucura, eu vou voltar para a minha bela casa'", disse ele. "Mas não havia bela casa."

Até a Warner comprar "One Tree Hill", Schwahn tinha trabalhado como roteirista de cinema em filmes como "Nota Máxima". (Ele ainda escreve roteiros para filmes e foi co-roteirista de "Coach Carter", atualmente nos cinemas.) "One Tree Hill" era originalmente um roteiro de Schwahn sobre uma equipe de basquete colegial.

A luta para finalizar os primeiros oito episódios se tornou um projeto de grupo para Schwahn e os produtores, que recebiam recados diários da rede. "Todo dia íamos para a sala de montagem e eu esperava que as portas estariam fechadas e a série cancelada", disse Brian Robbins, um produtor executivo, em uma entrevista por telefone, de Los Angeles. Mas então a audiência da série começou a melhorar.

"Eles tiveram um enorme e duradouro sucesso com 'Dawson's Creek [todos os dias, às 14h e às 18h no canal Sony]'", disse Mike Tollin, outro produtor executivo da série, se referindo a uma série anterior da Warner.

"Dawson's Creek" também foi filmada em Wilmington, e também exibia histórias de adolescentes bonitos e pensativos, tornando "One Tree Hill" um território familiar para a equipe de marketing da Warner. "Eles já sabiam quais botões apertar", disse Tollin.

Em janeiro passado, a rede iniciou uma ampla campanha promocional com propagandas em ônibus e outdoors. Os cartazes mostravam o elenco deitado langorosamente junto em um grande aglomerado libidinoso --promovendo a série como um sucesso ao estilo Warner.

"Durante o curso da primeira temporada, os números se tornaram alarmantemente encorajadores", disse Peter Roth, o presidente da Warner Bros. Television Productions, falando sobre o motivo do crescimento gradual da série ter convencido a rede a renová-la. Janollari acrescentou: "Os resultados estão nos dando um retorno imenso nesta temporada".

Mas ainda é possível que muitos telespectadores nunca tenham ouvido falar de "One Tree Hill".

"Nós temos uma série que está abaixo do radar", disse Murray, seu astro de 23 anos, em uma entrevista no set da série. Tal amor se deve bastante à popularidade de Murray, um garoto loiro, esguio e levemente vesgo, cuja posição de ídolo adolescente foi estabelecida em outras séries da Warner ­--"Gilmore Girls" e "Dawson's Creek"-- e em seus papéis no cinema ao lado de Lindsay Lohan (em "Sexta-Feira Muito Louca") e Hilary Duff (em "A Nova Cinderela").

Murray optou pelo papel do rebelde mas sensível Lucas de "One Tree Hill" em vez do rebelde e sensível Ryan de "The O.C.", para o qual foi considerado. "Não quero entrar nisto", disse Murray, quando questionado sobre o que motivou sua escolha. "Este aqui fez com que me sentisse em casa."

Comparando os dois melodramas adolescentes, "One Tree Hill" é certamente mais pé-no-chão do que "The O.C.". Enquanto a trama do mais popular "The O.C." é exagerada, e seu tom é irascivelmente autoconsciente, "One Tree Hill" é mais emotiva e séria. "Ela não conversa com o público", disse Janollari. "O som dos diálogos é autêntico."

Burton, 22 anos, que interpreta Peyton, a mal-humorada chefe de torcida e artista, disse: "Nós tentamos não ficar passando sermão. Você não quer isolar e julgar seu público".

Sophia Bush, 22 anos, que interpreta a encrenqueira da série, Brooke, também acredita na abordagem sem julgamento. Sobre alguns dos roteiros que recebe, Bush disse: "Eu fico sentada pensando comigo mesma: 'Não há como eu fazer isto e me deitar à noite me sentindo uma boa pessoa'. Mas quanto mais você assiste à nossa série, você percebe que não estamos promovendo nada em nenhuma direção".

Assim, a hormonalmente reforçada "One Tree Hill" tem garantida uma terceira temporada, como Davola prometeu a Schwahn?

"Está garantida", disse Janollari, o homem que decide estas coisas para a Warner. "E se continuar crescendo da forma como está crescendo, o que estamos determinados a garantir que aconteça, será um sucesso ainda maior nos próximos anos." Drama adolescente da Fox procura ser mais realista que "The O.C." George El Khouri Andolfato

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