UOL Notícias Internacional
 

26/01/2005

Democratas atacam Condoleezza Rice e a guerra

The New York Times
Joel Brinkley e

Sheryl Gay Stolberg

Em Washington
Os democratas do Senado americano denunciaram nesta terça-feira (25/01) Condoleezza Rice como sendo a arquiteta da fracassada e enganadora política para o Iraque, transformando o debate que tomou todo o dia em torno de sua indicação como secretária de Estado em uma discussão prolongada sobre a condução da guerra.

Ao mesmo tempo em que reconheciam sua confirmação como certa, os democratas atacaram Rice --e por extensão ao presidente Bush-- acusando-a de ter exagerado a ameaça de armas não-convencionais antes da guerra e de ter fracassado em oferecer um retrato realista das dificuldades que as forças americanas estão enfrentando no Iraque.

O debate ocorreu em um raro dia dedicado exclusivamente à política externa pelo Senado, e mesmo alguns poucos republicanos o usaram para reconhecer as mudanças no Iraque à medida que se aproxima das eleições do próximo domingo no Iraque.

"Esperamos que o Iraque algum dia seja um exemplo democrático para o Oriente Médio", disse o senador Chuck Hagel, republicano de Nebraska. "Mas o Iraque também poderá se tornar um Estado fracassado. Nós não podemos permitir que isto aconteça." Ele disse que as próprias forças do Iraque ainda não estão preparadas para assumir o controle, o que permitiria a retirada das tropas americanas.

Outro republicano, o senador Lamar Alexander, republicano do Tennessee, ofereceu uma visão dura, não característica, da região. "Eu não acredito que precisamos de uma estratégia de saída no Iraque", disse ele. "Eu acho que precisamos de uma estratégia de sucesso. Mas tal estratégia poderá significar a adoção de uma visão um pouco mais realista do que entendemos por sucesso."

O senador Edward M. Kennedy de Massachusetts, que faz parte do grupo de pouco mais de meia dúzia de democratas que disseram que votarão contra a confirmação nesta quarta-feira, chamou a guerra de "um fracasso catastrófico, um atoleiro".

O debate ocorreu no momento em que o governo disse que pedirá US$ 80 bilhões adicionais para cobrir os gastos das operações no Afeganistão e Iraque até setembro --um pedido que provavelmente sofrerá intensa análise no Capitólio.

"Eu não gosto de questionar a integridade de ninguém, mas eu realmente não gosto que mintam para mim repetidamente, flagrantemente, intencionalmente", disse o senador Mark Dayton, democrata de Minnesota. "Está errado. Não é democrático, não é americano e é muito perigoso. É muito, muito perigoso. E está ocorrendo com freqüência demais neste governo."

O comentário provocou uma forte resposta dos republicanos, incluindo o senador John McCain do Arizona. "Você discorda de nossa política no Iraque", disse ele em uma entrevista. "Eu entendo o motivo das pessoas discordarem, mas eu acho que contestar a integridade de Condoleezza Rice está fora dos limites."

O líder dos republicanos, o senador Bill Frist, do Tennessee, chamou Rice de bem qualificada e a missão de bem justificada: "Regimes fora-da-lei devem ser confrontados. A proliferação de armas perigosas deve ser impedida. Organizações terroristas devem ser destruídas".

Os republicanos se queixaram de que os democratas estão usando políticas partidárias em um esforço para atrasar a confirmação da primeira mulher negra como secretária de Estado. Mas os democratas disseram que estão exercendo seu papel apropriadamente, para aconselhar e aprovar.

Os democratas também sugeriram ter encontrado uma questão política vencedora no Iraque. A senadora Barbara Boxer, democrata da Califórnia, enviou na terça-feira uma carta para arrecadação de fundos em nome do Comitê Democrata de Campanha Senatorial, chamando atenção para suas duras perguntas para Rice durante as 11 horas de audiências de confirmação da semana passada.

"Visando colocar freios em mais quatro anos de direção errada no Iraque e políticas imprudentes em casa, nós precisamos eleger mais democratas ao Senado durante as eleições de 2006", disse a carta. "Porque depois da confirmação da dra. Rice, o Senado enfrentará muitas outras decisões cruciais nos próximos meses: a confirmação do indicado pelo presidente Bush para secretário de Justiça, Alberto Gonzales, Seguro Social, Iraque e possivelmente uma indicação para a Suprema Corte."

A carta provocou fortes críticas dos republicanos. "Esta solicitação de arrecadação de fundos ultrapassa os limites", disse o senador John Cornyn, republicano do Texas. Ele acrescentou: "A dr. Rice merece um pedido de desculpas".

Bush esperava empossar Rice na quinta-feira passada, o dia em que tomou posse para o segundo mandato. Mas os democratas do Senado adiaram sua confirmação, depois de uma audiência contenciosa no Comitê de Relações Exteriores do Senado, na semana passada, na qual Boxer e o senador John Kerry, democrata de Massachusetts, entre outros, questionaram fortemente Rice sobre a justificativa e condução da guerra.

Kerry, que foi um dos dois democratas que votaram contra a nomeação no Comitê de Relações Exteriores do Senado na semana passada (Boxer foi a outra), não participou do debate no plenário. Nem o senador Joseph R. Biden Jr., democrata de Delaware, o líder da bancada democrata no comitê, que a criticou fortemente na semana passada mas votou a favor de sua nomeação.

Frist, o líder da maioria republicana, e o senador Harry Reid de Nevada, o líder democrata, previram uma rápida confirmação na quarta-feira por uma grande maioria bipartidária. Republicanos insistem na teoria das armas de destruição de massa George El Khouri Andolfato

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