UOL Notícias Internacional
 

26/01/2005

Guerras mantêm alto o déficit público dos EUA

The New York Times
John O'Neil* e

Edmund L. Andrews

Em Washington
Membros da Casa Branca divulgaram nesta terça-feira (25/01) suas previsões para o déficit no orçamento, que devem atingir um recorde de US$ 427 bilhões (em torno de R$ 1,28 trilhão) neste ano. O número inclui mais US$ 80 bilhões (aproximadamente R$ 240 bilhões) que o presidente Bush vai pedir para cobrir os custos da guerra no Iraque.

As autoridades disseram hoje que ainda estão tentando cumprir a promessa de campanha de Bush de cortar o déficit pela metade até 2009.

Entretanto, neste ponto, o governo está bem atrasado. A Casa Branca previu, no último verão, que o déficit no orçamento cairia em 2005 e continuaria caindo depois disso.

No próximo mês, quando submeter seu projeto de orçamento para o ano fiscal de 2006 Bush pedirá ao Congresso US$ 80 bilhões extra, segundo as autoridades. Isso elevará o custo total da guerra para mais de US$ 200 bilhões (cerca de R$ 600 bilhões) até o final do ano. Além disso, os gastos devem se manter nos níveis atuais ao menos durante o ano de 2006.

A nova estimativa envolve um aumento ligeiro no orçamento. O Escritório de Orçamento do Congresso, suprapartidário, mostra que os déficits continuarão acima de US$ 350 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão) durante 2009 e terão drástico aumento depois disso.

O Escritório de Orçamento do Congresso estima que os custos da guerra no Iraque e outros aspectos do combate ao terrorismo podem aumentar em US$ 285 bilhões (aproximadamente R$ 855 bilhões) nos próximos cinco anos.

A agência do Congresso também observou que os déficits vão expandir muito mais drasticamente nos cinco anos subseqüentes. A extensão dos cortes de impostos de Bush custará US$ 1,8 trilhão (em torno de R$ 5,4 trilhões) nos próximos 10 anos. Uma restrição à expansão do imposto mínimo alternativo, uma tarifa paralela criada para impedir os ricos de tirarem vantagens das falhas na lei, custaria em torno de US$ 500 bilhões (aproximadamente R$ 1,5 trilhão).

Mesmo sem as guerras no Iraque e no Afeganistão, e apesar das expectativas de forte crescimento econômico para os próximos dois anos, o Escritório de Orçamento do Congresso disse que as perspectivas para o orçamento federal pioraram desde o ano passado.

Analistas do Congresso previram que os custos dos juros sobre a dívida federal vão dobrar, na próxima década, para mais de US$ 300 bilhões (em torno de R$ 900 bilhões) por ano.

Os democratas aproveitaram o anúncio do governo e do Congresso para acusarem Bush de piorar as coisas, pedindo amplos cortes de impostos em época de guerra.

"O governo continua evitando ver esses resultados fiscais", disse o deputado John W. Spratt, da Carolina do Sul, principal democrata do Comitê de Orçamento da Câmara.

A Casa Branca defendeu seu balanço fiscal, e o porta-voz do presidente, Scott McClellan, disse em uma conferência com a imprensa que o plano de redução do déficit do presidente se baseava "em um crescimento econômico forte e controle de gastos".

"Com as medidas que tomamos para tornar nossa economia mais forte e criar empregos, também estamos vendo um aumento na receita", disse ele. "Ao trabalhar junto ao Congresso para exercitar o controle de gastos responsável, temos um plano para cortar o déficit ao meio em cinco anos."

O Escritório de Orçamento do Congresso estimou que, excluindo o pedido de US$ 80 bilhões em verbas adicionais, o governo federal terá um déficit de US$ 368 bilhões (em torno de R$ 1,1 trilhão) neste ano.

O déficit de 2004 foi de US$ 412 bilhões (aproximadamente R$ 1,2 trilhão), representando 3,6% da economia nacional. A projeção para este ano, excluindo o crescimento em gastos militares e outras mudanças no orçamento, representaria 3% do PIB americano, disse o escritório.

Em dólares, o déficit do ano passado foi o maior da história, apesar de, na era Reagan, nos anos 80, ter sido maior em termos de percentagem da economia. O presidente Bush prometeu, durante a campanha do ano passado, diminuir o déficit, e assessores disseram que seu novo orçamento incluirá uma série de cortes de gastos.

Mas os gastos com operações militares devem continuar crescendo.

O pedido de US$ 80 bilhões elevaria as projeções de gastos no conflito com o Iraque e Afeganistão para US$ 105 bilhões (em torno de R$ 315 bilhões) para o ano fiscal de 2005 --um número que excede em muito as estimativas do governo anteriores à guerra.

O Escritório de Orçamento do Congresso estimou o déficit de 2006 em US$ 296 bilhões (cerca de R$ 888 bilhões). Segundo a projeção fiscal, o rombo na próxima década ficará em US$ 855 bilhões (aproximadamente R$ 2,5 trilhões), menos do que calculado no ano passado (US$ 2,3 trilhões, cerca de R$ 6,9 trilhões).

No entanto, o novo relatório observou que tanto o número referente a 10 anos quanto a projeção para o próximo ano seriam maiores se fosse levada em conta a quantia total usada nos conflitos.

Privatização da previdência e redução de impostos

As estimativas orçamentais de longo prazo são notoriamente pouco confiáveis, já que são baseadas em premissas sobre a atividade econômica e decisões políticas ainda por vir. A agência de orçamento ressaltou que os números não significam uma previsão a ferro e fogo, mas uma base que os políticos podem usar para fazer decisões informadas sobre novas propostas.

As estimativas também excluem o custo de medidas que o presidente planeja introduzir quando submeter seu orçamento ao Congresso, no mês que vem. Essas incluem a privatização parcial da Previdência Social, que requererá até US$ 2 trilhões (aproximadamente R$ 6 trilhões) durante a próxima década, para compensar o desvio do dinheiro para contas pessoais; a extensão das reduções nos impostos aprovados no primeiro mandato de Bush, o que cortaria a receita em cerca de US$ 1,8 trilhão (em torno de R$ 5,4 trilhões) nos próximos 10 anos, e os US$ 350 milhões (aproximadamente R$ 1 bilhão) prometidos pelo presidente Bush aos esforços humanitários para o desastre da tsunami.

A agência de orçamento disse que seus números se basearam na previsão de forte crescimento econômico nos próximos dois anos, admitindo que a economia vem tendo desempenho abaixo da sua capacidade nos últimos anos. Entretanto, mais tarde na década, acredita que haverá uma desaceleração da economia, enquanto um número maior de pessoas da geração do "Baby Boom" deixarem a força de trabalho e os custos de saúde aumentarem junto com a população mais velha.

Como em outros anos, os números excluem o efeito do superávit da Previdência Social, que usa seu excesso para comprar bônus do governo, com os quais planeja pagar os benefícios daqui a alguns anos. A diferença entre a receita que não vem da Previdência Social e os gastos projetados para 2005 é de US$ 541 bilhões (ou seja, R$ 1,6 trilhão), sem incluir os custos esperados para a guerra no Iraque e no Afeganistão. O verdadeiro rombo de 2004 foi de US$ 547 bilhões (em torno de R$ 1,64 trilhão).

A deputada Nancy Pelosi, da Califórnia, líder democrata da Casa, indicou que é provável que seu partido aprove o pedido da Casa Branca por mais verbas para operações militares no Iraque e no Afeganistão.

Os democratas "prometeram dar às nossas forças armadas o apoio de que precisam", disse ela. Ao mesmo tempo, a deputada prometeu que o governo Bush enfrentará duros questionamentos sobre as políticas no Iraque, especificamente no que diz respeito as dificuldades em treinar e equipar mais homens iraquianos.

Pelosi disse que os novos dados de déficit "confirmam que o presidente Bush e os republicanos no Congresso abandonaram completamente a responsabilidade fiscal".

O presidente do Comitê de Orçamento do Senado, Judd Gregg, do Estado de New Hampshire, chamou o déficit de "alto demais" e disse que o relatório do Escritório de Orçamento do Congresso mostrava que era hora de "levar (o assunto) a sério, e colocar as contas em ordem, a começar com a redução do déficit de curto-prazo e depois o controle no longo prazo de gastos com benefícios sociais."

"Se não fizermos nada, nossos filhos e netos serão sobrecarregados pelos custos de nossa inação", disse o senador Gregg.

Brian Riedl, analista de orçamento da conservadora Fundação Heritage, disse que os números mostram forte crescimento no recolhimento de impostos, mas um aumento ainda maior nos gastos do governo e da saúde. A partir de 2006, quando começa a vigorar o novo benefício de remédios receitados pelo Medicare, o custo dos programas Medicare e Medicaid, pela primeira vez, excederá o custo da Previdência Social, disse Riedl.

O Escritório de Orçamento do Congresso prevê que os gastos do Medicare vão aumentar a um ritmo de 9% ao ano até 2015, e do Medicaid, em 7,8% ao ano.

Além do aumento nos custos de programas de saúde e de segurança social, haverá os pagamentos dos juros para financiar a crescente dívida nacional. Assim, a percentagem do orçamento usada para o desenvolvimento de programas específicos --ou seja, todo o resto-- encolherá na próxima década, de acordo com nova previsão.

Colaborou David E. Sanger, de Washington. Casa Branca prevê prejuízo de US$ 427 bi, com os custos militares Deborah Weinberg

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