UOL Notícias Internacional
 

26/01/2005

Rebeldes ameaçam banho de sangue na eleição

The New York Times
Dexter Filkins

Em Bagdá, Iraque
Lynsey Addario/The New York Times

Jornal traz propaganda política para as eleições gerais deste domingo
O sedã preto cruzou a Rua Madaris, com jovens em seu interior jogando panfletos pela janela. "Este é um alerta final para todos aqueles que planejam participar da eleição", dizia o panfleto. "Nós juramos lavar as ruas de Bagdá com o sangue dos eleitores."

Assim foi cristalizada a guerra em torno das eleições nacionais de domingo (30/01) em um único incidente na terça-feira (25), em Mashtal, um bairro etnicamente misto no extremo leste de Bagdá, onde muitos iraquianos dizem que gostariam de votar, e onde um grupo pequeno e determinado de pessoas está fazendo tudo o que pode para impedi-los.

Os panfletos, como muitos que aparecem nas calçadas e portas por toda a capital, são assustadores em seus detalhes: eles alertam os iraquianos a ficarem a pelo menos 500 metros de distância dos locais de votação, pois cada centro de votação será um alvo potencial de foguete, morteiro ou carro-bomba. O panfleto sugeriu que os iraquianos também devem ficar longe de suas janelas, em caso de explosões.

"Para aqueles de vocês que acharem que podem votar e fugir", alertou o panfleto, "nós vamos segui-los e pegá-los, e nós cortaremos suas cabeças e as cabeças de seus filhos".

O efeito de tal intimidação, que está ocorrendo por todo o país, só será conhecido no domingo. As estimativas variam, mas as autoridades iraquianas dizem que ficariam satisfeitas com um comparecimento de 50% dos 14 milhões das pessoas aptas a votar. Em algumas cidades, como Ramadi e Fallujah, de domínio sunita, até mesmo um pequeno comparecimento seria bem-vindo.

Na Rua Madaris, os homens no sedã preto tiveram uma recepção hostil: policiais iraquianos avistaram o carro e abriram fogo, matando dois dos homens em seu interior, disseram os moradores. Os demais fugiram, depois de matarem três policiais.

Os grupos guerrilheiros prometeram intensificar seus ataques para minar as eleições.

Na terça-feira, em Al Jededa, no sudeste de Bagdá, homens armados atiraram e mataram Qais Hashem Al Shamari, um alto juiz do Ministério da Justiça, enquanto ele dirigia para o trabalho, e feriram um dos guardas do juiz. O Ansar Al Sunna, um dos grupos rebeldes mais ativos, assumiu a responsabilidade pelo ataque em uma mensagem postada na Internet, alegando que o assassinato de Shamari "deixaria Deus e o Profeta muito contentes".

"Nossos heróis emboscaram um dos líderes da infidelidade e da apostasia no novo governo iraquiano", disse a declaração.

Entre as operações reivindicadas pelo Ansar Al Sunna está o atentado suicida do mês passado a uma tenda de refeitório em Mossul, que matou 21 pessoas, incluindo 18 americanos, e feriu 69 outras.

Os comandantes americanos e as autoridades iraquianas disseram que estão se preparando para um aumento dos ataques à medida que as eleições se aproximam. Alguns estão prevendo que o pior poderá acontecer antes do domingo, quando as ruas do país estarão fechadas para quase todo tráfego de veículos e um toque de recolher entrará em vigor às 20 horas.

Na terça-feira, o Exército Islâmico do Iraque, outro grupo rebelde, convocou seus seguidores a lançarem ataques para interromper as eleições. "Ó bravos mujahedeen! Ó leões! Ó povo do zelo! Vão e lutem e Deus estará com vocês", disse o grupo em uma mensagem postada na Internet.

Na terça-feira, um total de 11 policiais iraquianos foram mortos e nove ficaram feridos em confrontos por toda a Bagdá, disseram diretores de hospitais. Um deles ocorreu na Rua Madaris, menos de três horas antes da passagem do sedã preto, quando uma bomba explodiu em uma escola que seria um dos 1.200 pontos de votação da capital. Escolas servirão como centros de votação por todo o país. Soldados americanos também encontraram e desarmaram uma bomba perto de uma escola primária no oeste de Bagdá.

Na Rua Madaris, não se sabe que efeito os panfletos provocaram. Os moradores disseram que não apóiam os guerrilheiros, mas alguns disseram estar apavorados com a violência que as eleições poderão causar.

"Eu quero votar", disse Khalidayah Lazem, uma sunita de 40 anos, em pé do lado de fora de sua casa. "Mas como você pode ver, a situação está piorando. Nós vemos estes panfletos todo dia."

Lazem, que mora em frente à escola que sofreu o atentado, disse que planeja deixar sua casa antes das eleições porque a escola provavelmente será atacada de novo.

A maioria dos iraquianos entrevistados expressou desaprovação aos rebeldes. Eles disseram que os homens no sedã preto, por exemplo, vieram de fora do bairro. E enquanto alguns, como Lazem, estavam claramente assustados com os panfletos, outros iraquianos na Rua Madaris disseram que planejam votar independente do preço.

"Nós não temos medo destes panfletos", disse Mohammed Adel, 24 anos. "Eu vou ao centro de votação para votar. Eu quero segurança e estabilidade para meu país."

Um porta-voz da Comissão Eleitoral do Iraque disse na terça-feira que os resultados provavelmente serão conhecidos em cerca de 10 dias após as eleições de domingo. Os resultados preliminares serão divulgados em uma semana, disse ele. Insurgentes distribuem panfletos com ameaças a eleitores no Iraque George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host