UOL Notícias Internacional
 

27/01/2005

Queda de helicóptero mata 31 marines no Iraque

The New York Times
John F. Burns

Em Bagdá, Iraque
Trinta e um marines morreram na quarta-feira quando um helicóptero de transporte caiu no deserto, no oeste do Iraque, disseram as forças armadas americanas.

Em Washington, o general John P. Abizaid, o comandante geral das forças americanas no Oriente Médio, confirmou a queda e disse que não havia sobreviventes. As forças armadas em Bagdá disseram anteriormente que uma operação de busca e resgate estava em andamento.

Abizaid disse que o tempo estava ruim no momento, e que não havia sinais de fogo inimigo. "Não era uma missão especial", disse ele. "Era uma missão de rotina em apoio às eleições."

O número de mortos é o maior para as forças armadas americanas em um único incidente desde que a guerra do Iraque teve inicio, 22 meses atrás. Somadas às cinco mortes em combate, a quarta-feira foi o dia mais caro na guerra em termos de perda de soldados americanos.

Oficiais em Bagdá também disseram anteriormente que o mau tempo pode ter contribuído. Também é possível, eles disseram, que a nave tenha atingido uma linha de transmissão de energia, o que as forças armadas chamam de "wire strike" (ataque, golpe de fiação).

Os militares disseram que a queda na quarta-feira ocorreu sobre a cidade de Rutbah, uma estação intermediária para as forças americanas na província de Anbar, a um terço do caminho entre a fronteira jordaniana e Ramadi, a oeste de Bagdá, no chamado Deserto Negro.

Uma grande movimentação de tropas está em andamento à medida que se aproximam as eleições de domingo. Um funcionário do Pentágono disse que o incidente de quarta-feira envolveu um helicóptero CH-53 Sea Stallion de transporte de marines, segundo a agência de notícias "The Associated Press", apesar de não ter sido informado imediatamente quantos estavam a bordo.

Desde uma série de incidentes no final de 2003, os helicópteros militares passaram a seguir novos procedimentos de vôo. Eles agora voam rotineiramente em baixas altitudes -eles são freqüentemente vistos voando pouco acima do junco no Rio Tigre- e mantêm um padrão de vôo em ziguezague para evitar disparos. Tais procedimentos diminuíram acentuadamente o número de incidentes.

Uma equipe de busca e resgate chegou ao local da queda, disseram as forças armadas em uma declaração, e uma investigação está sendo conduzida.

Em Washington, na quarta-feira, o presidente Bush disse que foi informado do incidente mas se recusou a dar qualquer detalhe, dizendo que ainda está sendo investigado. "Obviamente, sempre que perdemos vidas é um momento triste", disse ele.

Ao ser perguntado sobre as pesquisas que mostraram uma queda do apoio à guerra no Iraque entre os americanos, ele disse: "A história de hoje será muito desanimadora para o povo americano".

"Nós valorizamos a vida", disse ele, "e lamentamos quando nossos soldados perdem suas vidas. Mas nosso objetivo de longo prazo é disseminar a liberdade".

Ele destacou novamente a importância da realização das eleições previstas para domingo. Ao ser perguntado que grau de comparecimento de eleitores ele consideraria um sucesso, Bush disse: "O fato de estarem votando é por si só um sucesso".

Os acidentes de helicóptero mais mortais no Iraque ocorreram em novembro de 2003. No primeiro, um helicóptero Chinook que transportava soldados que estavam saindo de férias foi abatido por um míssil terra-ar, deixando 16 soldados mortos. No segundo, 18 soldados morreram quando dois helicópteros que se esquivavam de fogo rebelde no solo colidiram sobre a cidade de Mossul, no Norte.

Uma explosão em uma tenda refeitório em Mossul, no final do ano passado, matou 18 americanos e 4 outros; 14 dos americanos eram membros das forças armadas.

O incidente de helicóptero na quarta-feira ocorreu em outro dia de violência no Iraque. Quatro marines foram mortos na província de Anbar enquanto conduziam operações de combate contra as forças rebeldes, disseram as forças armadas, sem fornecer maiores detalhes.

Um soldado da Primeira Divisão de Infantaria do Exército foi morto e dois ficaram feridos em um ataque rebelde com granada propelida por foguete, perto da cidade de Duluiya, disse uma declaração das forças armadas.

O número combinado de mortes do incidente de helicóptero da quarta-feira e combate com os rebeldes -um total de 36 mortos- ultrapassa o número mais elevado anterior de mortes em um único dia. O anterior foi em 23 de março de 2003, quando 29 soldados americanos foram mortos durante os primeiros dias da invasão no Iraque.

Na quarta-feira, dois ataques com carros-bomba contra comboios militares americanos ocorreram na estrada que leva ao Aeroporto Internacional de Bagdá, um alvo freqüente de ataques rebeldes.

Quatro soldados ficaram feridos no primeiro ataque, por volta das 10h25 da manhã, disseram as forças armadas. Um segundo carro-bomba feriu três soldados na mesma estrada por volta das 14h35 e um jipe Humvee foi danificado, disseram as forças armadas.

Cinco pessoas, incluindo três policiais, foram mortos quando três carros-bomba foram detonados em Riyadh, ao norte de Bagdá, segundo informaram as agências de notícias.

Em Sadr City, uma área xiita altamente populosa no leste de Bagdá, as forças americanas e iraquianas prenderam 19 suspeitos em uma incursão na noite de terça-feira perto da Mesquita Rasoul, disseram as forças armadas.

No ano passado a área foi local freqüente de confrontos pesados entre as forças americanas e Muqtada Al Sadr, um inflamado clérigo xiita, até que um acordo de paz foi fechado após a intervenção do grão-aiatolá Ali Al Sistani. Este é o maior número de mortos em um único incidente desde 2003 George El Khouri Andolfato

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