UOL Notícias Internacional
 

28/01/2005

Presidente brasileiro defende seu governo no Fórum Social Mundial

The New York Times
Todd Benson
Em Porto Alegre
Entre vivas e vaias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu seu retrospecto na quinta-feira perante milhares de céticos ativistas antiglobalização, dizendo que seu governo está meticulosamente estabelecendo a fundação para erradicar as grandes disparidades sociais do Brasil.

Falando no quinto Fórum Social Mundial anual, aqui nesta cidade próspera de 1,5 milhão de habitantes no Sul do Brasil, Lula usou a inauguração de uma campanha global para eliminar a pobreza mundial para responder ao crescente coro de críticos na esquerda, que argumentam que ele abandonou suas raízes trabalhadoras e se vendeu ao capitalismo global.

Vestindo calça jeans e uma jaqueta branca, Lula insistiu que seu governo está reduzindo constantemente os males sociais do Brasil, citando um punhado de programas assistenciais de destaque para os pobres e recentes dados que mostram que o desemprego caiu para o ponto mais baixo em três anos. Ele também argumentou que o país se posicionou com sucesso no cenário internacional como campeão dos países pobres, ao liderar uma campanha global contra as barreiras comerciais e subsídios agrícolas em países ricos como os Estados Unidos.

Mas ele teve que lidar com a constante cacofonia das vaias de um grupo pequeno mas barulhento de manifestantes, alguns deles ex-membros da ala mais radical do seu Partido dos Trabalhadores (PT). Por volta da metade de seu discurso, ele fez uma pausa para responder aos manifestantes, que também distribuíram panfletos mostrando ele apertando a mão do presidente Bush e ridicularizando o líder brasileiro como "aliado chave do imperialismo ianque".

"Aqueles de vocês que não são daqui, não se assustem", disse Lula.

"Estas pessoas que não querem escutar são os filhos do PT que se rebelaram", ele prosseguiu. "São jovens, um dia eles amadurecerão e a casa retornarão, e nós os receberemos de braços abertos."

A resposta de Lula aos manifestantes foi recebida com um estrondoso aplauso de milhares de partidários do Partido dos Trabalhadores, que vestiam camisetas vermelhas com "100% Lula" estampado nas costas, muitos deles convidados pela liderança do partido para compensar quaisquer protestos potenciais. Os simpatizantes do presidente abafaram as vais dos manifestantes com cantos de "Lula!"

"Quando uma minoria da população se manifesta, isto é democracia", disse Luiz Dulci, um dos principais conselheiros do presidente, quando questionado antes do evento sobre a possibilidade de protestos. "Mas não vamos esquecer de escutar a vasta maioria que aplaude."

Todavia, o protesto marcou um forte contraste em relação aos fóruns sociais anteriores em Porto Alegre, onde Lula era saudado quase por unanimidade como um herói da esquerda. Desde que assumiu a presidência há dois anos neste mês, ele irritou muitos de seus antigos seguidores ao abraçar as políticas econômicas de livre mercado e ao respeitar os termos de um acordo de empréstimo com o Fundo Monetário Internacional, que muitos dos delegados do Fórum Social acusam de enterrar os países em desenvolvimento em dívidas.

Mas ao mesmo tempo, Lula, um ex-metalúrgico e líder sindical, tem conseguido vender a si mesmo com sucesso como um embaixador dos pobres, capaz de estabelecer uma ponte entre eles e a elite política e financeira do mundo, que está se reunindo nesta semana em Davos, Suíça, para o Fórum Econômico Mundial.

"Ele representa a voz dos países em desenvolvimento", disse Salil Shetty, o diretor da Campanha de Metas de Desenvolvimento do Milênio da ONU, que está ajudando a organizar a campanha global contra a pobreza.

Lula, que deveria viajar em um novo avião luxuoso de US$ 56,7 milhões até os Alpes Suíços para o fórum econômico ainda na quinta-feira, disse que transmitirá a mesma mensagem que transmitiu aqui aos principais autores de política do mundo.

"A certa altura, a liderança em Davos e a liderança do Fórum Social terão que se unir para discutir concretamente os passos necessários para atacar a pobreza mundial", disse ele. George El Khouri Andolfato

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