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28/01/2005

Rice começa novo cargo no Departamento de Estado prometendo "programa audacioso"

The New York Times
Sheryl Gay Stolberg*

Em Washington
Efervescente, Condoleezza Rice começou seu primeiro dia como secretária de Estado na manhã de quinta-feira (27/1), prometendo ajudar os diplomatas americanos a promoverem o "programa audacioso" do presidente Bush, para fazer avançar a liberdade em torno do mundo.

Os EUA "defenderão a liberdade", declarou.

Condoleezza, que estudou a guerra fria e foi assessora de política externa de Bush durante sua campanha de 2000 e em seu primeiro mandato, foi recebida com aplausos no mesmo mezanino em que seu predecessor, Colin L. Powell, se despediu na semana passada.

"Quero agradecer por esta recepção realmente calorosa", disse ela. "Quero começar dizendo como admiro e aprecio o papel do secretário Colin L. Powell nos últimos quatro anos. Acabo de ligar para ele para dizer isso."

Depois de prometer manter a porta aberta para que pudesse se beneficiar do "capital intelectual" dos funcionários do Departamento de Estado, Condoleezza disse: "O presidente descreveu um programa audacioso e espera muito de nós. Quero que vocês saibam, também, que tenho um compromisso com vocês, homens e mulheres do Serviço Exterior, Serviço Civil e funcionários no exterior."

Condoleezza tomou posse na noite de quarta-feira, horas depois do Senado confirmá-la no cargo, por 85 votos contra 13. A secretária é a segunda mulher e primeira negra a se tornar chefe do Departamento de Estado. Ela foi empossada em uma cerimônia privada na Casa Branca, logo após as 19h, pelo chefe de gabinete da Casa Branca, Andrew H. Card Jr. Logo depois, seu ex-vice, Stephen J. Hadley, sucedeu-a como assessor nacional de segurança. Bush não participou do evento.

Em suas observações hoje, Condoleezza lembrou que esta não é a primeira vez que trabalha no Departamento de Estado: em 1977, durante o governo Carter, ela foi estagiária do Escritório Educacional e Assuntos Culturais. "Há uma lição nessa história", disse a sua nova equipe: "Trate bem seus estagiários."

No final da próxima semana, depois do discurso de Bush sobre o Estado da União, Condoleezza deve viajar para a Europa e possivelmente para o Oriente Médio, de acordo com diplomatas europeus que já estão planejando a viagem.

A ampla agenda, eles disseram, concentrar-se-á em discussões de paz entre Israel e os palestinos, a guerra no Iraque, o programa nuclear iraniano e tentativas de disseminar a democracia na região. As relações com a Rússia e a China também seriam discutidas, inclusive os planos da Europa de flexibilizar as restrições de vendas de armas para a China, que Washington se opõe.

A mudança de Condoleezza da Casa Branca para o Departamento de Estado deu-se depois de uma semana de intenso debate sobre a política do governo Bush no Iraque. Senadores Democratas usaram o processo de confirmação para acusá-la de ter se enganado ou, pior, mentido.

"Condi Rice é uma boa servidora pública, altamente admirada aqui nos EUA e grandemente admirada no mundo", disse Bush aos repórteres em uma conferência com a imprensa na quarta-feira. Assim, colocou de lado as acusações de alguns Democratas de que o governo mentira sobre a ameaça de armas não convencionais antes da guerra. Ele disse que ela daria "uma secretária de Estado maravilhosa".

Dos 44 senadores Democratas, 12 votaram por não confirmar Condoleezza, além de um senador independente. Este foi o maior número de votos contra em uma nomeação para o Departamento de Estado desde 1825, quando Henry Clay foi confirmado depois de uma votação de 27 votos a 14. (Dois senadores Republicanos não participaram da votação na nomeação de Condoleezza Rice). Depois que 31 soldados americanos morreram na quarta-feira em um acidente de helicóptero, as discussões foram um anúncio das intensas batalhas sobre política externa no Congresso nos próximos meses.

"Como todos sabemos, nossa estratégia no Iraque se baseia na habilidade dos iraquianos se defenderem, e estamos todos trabalhando para este dia. No entanto, não dá para fazer isso se não formos honestos sobre como o processo está caminhando", disse a senadora Barbara Boxer, Democrata da Califórnia que liderou a oposição à Condoleezza.

Outros Democratas disseram que, apesar de terem sérios problemas com Rice, concluíram que o presidente tinha o direito de escolher seus assessores e votaram a favor.

"Ela tem os ouvidos do presidente", disse a senadora Hillary Rodham Clinton, Democrata de Nova York, acrescentando que foi persuadida pelas promessas de Condoleezza de priorizar o controle da proliferação de armas nucleares e melhorar a diplomacia pública.

Republicanos defenderam Condoleezza Rice como eminentemente qualificada para ser o rosto público da diplomacia americana. "Ela é culta, inteligente e honrada", disse o senador Richard G. Lugar, Republicano de Indiana e diretor do Comitê de Relações Exteriores.

A última nomeação ao Departamento de Estado a receber tantos votos negativos foi de Alexander M. Haig Jr., em 1981. Condoleezza gerou forte reação, em parte, por suas afirmativas de que Saddam Hussein estava tentando adquirir armas nucleares.

Em sua audiência de confirmação, na semana passada, ela defendeu vigorosamente a si mesma e à casa Branca, apesar de admitir que o governo fracassou em antecipar as dificuldades em reconstruir e pacificar o Iraque.

Em 2000, na revista Foreign Affairs, ela descreveu como poderia ser a política externa de Bush, caso fosse eleito presidente. O artigo citou a questão de nações que desafiavam normas internacionais e falou sobre a relação com países poderosos como Rússia e China. Entretanto, não se concentrou na promoção da democracia -tema central da atual política externa de Bush, desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Em conferência com a imprensa na quarta-feira, o presidente disse que não tinha lido o artigo. "Posso assegurar-lhes que Condi Rice concorda comigo que é necessário promover a democracia", disse ele, acrescentando: "Não li o artigo. Obviamente, não fazia parte da sua entrevista para o cargo."

Com os debates dos últimos dias esquecidos, Condoleezza disse hoje como se sentia sortuda e agradecida. "Tive sorte suficiente para ser a especialista soviética da Casa Branca no final da Guerra Fria", disse ela. "É difícil encontrar situação melhor. Participei da unificação da Alemanha, da liberação da Europa Oriental e do colapso pacífico da União Soviética."

"Mas, sabe", prosseguiu, "compreendi que só estava colhendo os frutos das boas decisões que tinham sido feitas em 1946, 1947 e 1948". Um dia, disse ela, é possível que um presidente americano sente-se diante de um líder eleito democraticamente de um país que, no ano de 2005, ainda não conhecia a democracia. "E agora", disse ela terminando, "vou procurar meu escritório, se vocês permitirem".

*Com a contribuição de David Stout. Deborah Weinberg

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