UOL Notícias Internacional
 

31/01/2005

Diminui o ritmo da expansão econômica norte-americana

The New York Times
John O'Neil

The New York Times
O governo dos Estados Unidos anunciou que o ritmo da expansão econômica do país diminuiu nos últimos três meses do ano passado, mas que o crescimento total em 2004 foi o maior desde 1999.

O Departamento do Comércio disse que o produto interno bruto (PIB) do país - a produção total de bens e serviços - cresceu segundo um índice anual de 3,1% no quarto trimestre de 2004, menos do que os 3,5% previstos pela maioria dos economistas. O departamento enfatizou que o número representa a sua estimativa inicial da atividade econômica, estando sujeito a uma revisão. Ele recalculou o número relativo ao período de julho a setembro, que passou de 3,7% para 4%.

Os novos índices significam que a economia cresceu 4,4% em 2004, comparados a 3% em 2003 e a 1,9% em 2002.

O departamento anunciou que o fator mais importante para a desaceleração do crescimento no quarto trimestre foi a ampliação do déficit comercial do país, que atingiu níveis recordes. "Tivemos menos exportações e mais importações, e isso causou um impacto nos índices", disse Carol Moylan, a diretora da divisão de investimentos nacionais e de bens do Departamento de Análise Econômica, que preparou o relatório divulgado na sexta-feira.

Anthony Chan, economista do JPMorgan Fleming, uma companhia de gerenciamento de bens, disse que os novos números demonstraram que a economia "está rumando para uma fase de crescimento mais lento, porém mais sustentável".

Chan disse que a desaceleração implica um benefício em especial. "Ela vai praticamente eliminar as especulações quanto à possibilidade de o Federal Reserve se sentir compelido a elevar as taxas de juros mais rapidamente do que vinha fazendo", afirmou. Essa é uma mudança que o banco central norte-americano disse que seria implementada se houvesse qualquer sinal de que a inflação estivesse aumentando devido à rápida expansão da economia.

"Os novos números significam que o Federal Reserve continuará a se sentir confortável com o seu plano declarado de aumentar as taxas de juros em um ritmo moderado", afirmou Chan. A situação da economia foi um dos principais assuntos da campanha do ano passado, e o presidente Bush acenou com uma retomada do crescimento, o que segundo ele seria o resultado das suas reduções de impostos. Já os democratas chamaram atenção para a persistente debilidade do governo quanto à criação de empregos, além de terem apontado para o déficit federal crescente.

Recentes índices econômicos revelam uma economia que nitidamente saiu da situação ruim que se seguiu à recessão de 2001. Mas os números ainda fornecem munição tanto para democratas quanto para republicanos.

Além do forte crescimento do PIB durante o ano, os republicanos podem apontar para os números divulgados no início do mês, que demonstraram que mais empregos foram criados em 2004 do que em qualquer ano desde 1999. Os democratas retrucaram dizendo que o número de novos empregos mal acompanha o aumento da população em idade produtiva, e que o número de empregos ainda não atingiu os valores correspondentes ao período em que Bush assumiu o governo.

E um outro relatório econômico divulgado na sexta-feira revelou que os salários e benefícios dos trabalhadores aumentaram apenas 0,7% no quarto trimestre, tendo caído em relação aos 0,9% registrados no terceiro trimestre.

Os consumidores continuaram a gastar bastante, segundo indicam os números divulgados na sexta-feira, embora tenham gastado menos do que durante o verão, já que o aumento dos gastos com consumo pessoal caíram de 5,1% no terceiro trimestre para 4,6% no quarto. A renda pessoal aumentou, embora uma grande proporção desse aumento seja relativa ao pagamento de dividendo especial da Microsoft efetuado no mês passado, disse Moylan.

Chan disse ter ficado "muito impressionado" com os índices relativos aos consumidores. "Todas as vezes que há um aumento dos gastos dos consumidores acima dos 4% temos um grande trimestre", afirmou.

A inflação subiu de 1,9% no terceiro trimestre para 2,7% no quarto, em grande parte devido aos aumentos nos preços dos alimentos e da energia.

Os gastos governamentais diminuíram, com a exceção dos militares, que aumentaram 10%, o mesmo índice registrado no verão. E o empresariado investiu mais no incremento dos seus estoques. A produção de veículos automotivos aumentou, embora as vendas de carros tenham caído.

Ian Shepherdson, diretor de economia da High Frequency Economics, de Valhalla, Nova York, disse em uma mensagem de e-mail aos seus clientes que, embora os novos números estejam um pouco abaixo das expectativas, eles ainda assim criaram condições suficientes para um crescimento neste ano, "possibilitando a geração de índices de empregos robustos".

Por outro lado, Shepherdson apontou para os índices salariais, que segundo ele são os mais baixos desde 1999. "Com ganhos salariais tão pequenos, aumentos maiores no consumo dependem da aceleração do crescimento do valor dos salários nos próximos meses", alertou.

Houve outros sinais de debilidade, particularmente no setor de moradia, disse Chan, acrescentando que é bem possível que os números relativos ao quarto trimestre sejam mais tarde ajustados para baixo.

Os números relativos à poupança durante o ano revelaram um declínio contínuo, embora ela tenha crescido ligeiramente no último trimestre do ano. As poupanças pessoais como porcentagem da renda disponível caíram de 1,4% em 2002 para 1% em 2004. Em 2002 o índice registrado foi de 2%. Danilo Fonseca

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    10h10

    -0,20
    3,263
    Outras moedas
  • Bovespa

    10h15

    0,19
    63.885,22
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host