UOL Notícias Internacional
 

02/02/2005

Howard Dean desponta como o virtual presidente do Partido Democrata

The New York Times
Adam Nagourney* e

Anne E. Kornblut

Em Washington
John M. Mantel/The New York Times

Howard Dean ri durante evento da campanha para liderança do partido
Howard Dean despontou nesta terça-feira (1/2) como o quase certo novo líder do Comitê Nacional Democrata, já que um de seus principais rivais abandonou a disputa e muitos democratas se uniram para anunciar o apoio a um homem cuja campanha presidencial ruiu um ano atrás.

O domínio de Dean foi assegurado depois que Martin Frost, um ex-deputado do Texas e que muitos democratas consideravam como um oposto institucional para Dean, desistiu após fracassar --no que se tornou um esforço cada vez mais distante-- em obter o apoio dos sindicatos trabalhistas. A central sindical AFL-CIO preferiu anunciar que se manteria neutra, liberando seus afiliados a fazerem o que quisessem, o que em muitos casos foi apoiar Dean.

"É assunto encerrado: o cargo será de Dean", disse Gerald McEntee, chefe da Federação Americana de Funcionários Municipais, Provinciais e Estaduais, que dirige a organização política que cobre todos os sindicatos na AFL-CIO.

Na verdade, a palavra final caberá aos 447 membros do Comitê Nacional Democrata, que votarão em Washington, em 12 de fevereiro, quem sucederá Terry McAuliffe. E Dean enfrenta apenas um último obstáculo na candidatura de Donnie Fowler Jr., um democrata da Carolina do Sul.

Seus assessores disseram que esperam se beneficiar disto como sendo uma disputa entre dois homens, uma corrida de 10 dias contra um oponente com um retrospecto de comportamento político às vezes heterodoxo, apesar de reconheceram que a possibilidade de uma disputa real está cada vez menor.

Ainda assim, há poucos democratas em Washington que duvidam que Dean, o ex-governador de Vermont, está prestes a assumir o comando do partido, com apoio de grande parte de seu establishment, apesar de certamente não todo.

Eles se surpreenderam em como alguém que era visto como símbolo do que estava errado com os democratas --McEntee descreveu Dean como "maluco" depois de retirar seu apoio a ele no meio da campanha presidencial-- agora está prestes a se tornar a face da oposição ao presidente Bush.

Os democratas disseram que Dean superou os obstáculos de sua fracassada candidatura presidencial ao cortejar intensamente os líderes democratas, assegurando que não era a caricatura liberal e indisciplinada que muitos disseram ter visto no ano passado.

Ele também fez livremente as promessas básicas que sempre ajudaram os políticos a vencer eleições neste país, prometendo canalizar pelo menos US$ 11 milhões em fundos democratas para pagar os salários nos diretórios estaduais do partido, segundo funcionários familiarizados com as discussões.

E Dean prometeu que trará ao Comitê Nacional Democrata a base de eleitores jovens e entusiásticos, assim como os generosos doadores pela Internet que ajudaram a alimentar sua forte, porém curta, campanha presidencial.

Tais aberturas foram abraçadas pelos líderes democratas, muitos dos quais ainda desmoralizados pela enorme máquina eleitoral republicana, que conseguiu superar o que os democratas consideravam como sendo um extraordinário sucesso de McAuliffe no desenvolvimento da organização do partido e arrecadação de fundos.

Não por acaso, Dean também se beneficiou de um campo relativamente fraco. Os democratas incomodados com a candidatura de Dean tiveram dificuldade para encontrar uma pessoa em torno da qual pudessem se unir; Fowler, com 37 anos, é visto como sendo um jovem democrata que até mesmo seus aliados reconhecem ainda não ter estatura para liderar o partido.

Dean está se movendo para a dianteira na política em Washington no momento em que o partido, visto como carente de qualquer líder óbvio após a derrota em novembro de Tom Daschle, o líder da minoria democrata no Senado, está lutando para definir seu argumento contra Bush na guerra no Iraque e na reforma do Seguro Social.

Dean já mostrou que poderá não estar disposto a exercer o tradicional papel respeitoso de líder de partido, declarando, por exemplo, que fará oposição à indicação de Alberto R. Gonzales para secretário de Justiça e criticando o senador Harry Reid, o líder da minoria no Senado, por ter dito que apóia o ministro Antonin Scalia para ministro-chefe da Suprema Corte.

Sem causar surpresa, há sinais de que os dois líderes democratas no Congresso --nenhum deles apoiou Dean e até mesmo encorajaram um de seus rivais, Timothy J. Roemer de Indiana-- não estão dispostos a ceder espaço para Dean. "Eu acho que o governador Dean seguirá nossa liderança", disse Nancy Pelosi, a líder na Câmara.

E Reid disse: "O presidente do Partido Democrata tem um eleitorado de 447 pessoas. Nosso eleitorado é muito maior que este".

Do outro lado, os republicanos que já retratavam o partido como obstrucionista e extremista, pareciam estar entre encantados e confusos por ter novamente Dean para atacar, citando instantaneamente o momento definidor em sua carreira.

"Após 10 anos, você se pergunta se os democratas esgotaram as formas de dizer não", disse Tom DeLay, o líder da maioria republicana na Câmara. "Mas se elegerem Howard Dean como presidente do partido, eu acho que eles poderão dizer gritando."

* Colaborou Carl Hulse. Ex-candidato à Casa Branca poderá ser maior opositor de Bush George El Khouri Andolfato

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