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02/02/2005

Limões gigantes ou sem sementes aumentam o lucro de produtores

The New York Times
David Karp

Em Nova York
David Karp/The New York Times

Limão Ponderosa tem dimensão de uma laranja ou de um grapefruit
Por mais de um século, os limões só vinham em um tipo nos EUA: ovais, amarelos e azedos. A próspera indústria do limão da Califórnia e do Arizona não precisava mudar.

Recentemente, entretanto, novos estilos vistosos chegaram, com bagaço rosa e casca verde, ou casca e bagaço laranja forte. Um é do tamanho de um grapefruit (foto), outro é suave e delicioso o suficiente para comer como fruta fresca. E variedades sem caroços despertam grande interesse.

"Quando comecei aqui em 1995, os plantadores só queriam produzir grandes quantidades de limões uniformes", disse Tracy L. Kahn, curadora da Citrus Variety Collection, na Universidade da Califórnia.

"Agora o mercado especializado é muito mais importante, e as pessoas estão falando sobre sabor e características incomuns."

E, é claro, em preços mais altos. Pressionados pela concorrência estrangeira, aumentos nos custos e redução das margens, alguns produtores vêem os limões incomuns como um nicho de mercado lucrativo.

Em Terra Bella, Califórnia, um produtor independente de frutas cítricas, Lisle Babcock, estimulado por um comprador iraquiano em Detroit, plantou meio hectare de limões Ponderosa, um híbrido de limão-cidra do tamanho de um melão, e está colhendo sua primeira colheita substancial neste ano.

Os clientes do Oriente Médio fazem geléia com a casca grossa, disse Babcock, um homem atarracado, enquanto mordia um pedaço perto do prédio de embalagem. Ele ofereceu um pedaço da polpa, que era tão azeda quanto a de um limão normal, mas com um ressaibo floreado.

A alternativa mais provocante é o matizado rosa. Um mutante encontrado em um pé de limão Eureca comum em Burbank, Califórnia, por volta de 1930, sua fruta não madura possui listras verdes e brancas; a fruta mais velha perda as listras e desenvolve um bagaço de pigmentação rosa pela licopene, que também dá a cor rosada ao grapefruit. Os pés geralmente produzem poucos frutos, talvez devido às suas folhas matizadas serem pobres em clorofila.

Os poucos matizados rosas disponíveis chegam a US$ 13 o quilo no atacado em Nova York, onde são agarrados por restaurantes como DavidBurke & Donatella. O gosto é parecido com o dos limões normais, apesar de que quando estão maduros são menos ácidos, com um sabor de tutti-frutti.

O tipo mais surpreendente de limão, conhecido apenas por poucas pessoas, é um mutante Eureca com casca e bagaço laranja. Ele foi descoberto há 10 anos em uma plantação da Saticoy, Califórnia, de propriedade da Paramount Citrus, uma grande produtora comercial.

A certa altura a empresa tinha três hectares de árvores em Ventura County, Califórnia, mas não via muito potencial e as derrubou, disse David W. Krause, o presidente, em uma entrevista por telefone. Apenas uma árvore jovem da variedade, batizada de Golden Eureka, existe ema plantação de 222 hectares de limões normais em Somis. A fruta é uma espécie de gato que late: ela tem gosto de limão, mas tem a cor de uma laranja.

Os limões doces são o oposto: eles parecem limões normais, mas têm gosto diferente, com acidez baixa o suficiente para serem comidos frescos. Os melhores ainda têm toque azedo refrescante, mas não o ressaibo saponáceo que estraga o limão-doce mais comum.

Quando era garoto eu desfrutava dos limões-doces de uma árvore em La Quinta, Califórnia, mas ela e a maioria dos pés foram derrubados para dar espaço a campos de golfe e condomínios fechados. O pé de limão-doce na Citrus Variety Collection, chamado Faris, produz bizarros galhos mutantes que dão frutas sem acidez, ácidas e frutas intermediárias.

Neste ano está previsto o lançamento de um soberbo híbrido doce. Chamado de fruta Limonada, é um cruzamento do limão Meyer e da grapefruit da Nova Zelândia, uma fruta favorita em sua terra natal.

A ausência de caroços é valiosa em uma fruta comida fresca, como a laranja mandarim, mas ainda não se sabe se isto será importante para limões, que costumam ser espremidos.

Alex Teague, o vice-presidente de operações agrícolas da Limoneira Company e herdeiro de uma lendária dinastia de produtores de limão, disse que gastou 10 anos "perseguindo o sonho" de um limão sem caroços, mas que dois problemas provaram ser irritantes.

A variedade Lisboa sem caroço, importada da Austrália em 1953 mas por muito tempo ignorada pelos agricultores, dá uma boa colheita, mas muitos dos limões caem com o tamanho de uma noz, disse Teague durante uma visita à plantação de limão Lisboa em Santa Paula, Califórnia, em parte dos 49 hectares plantados por sua empresa.

"Eu as chamo de sem caroço e sem fruta", disse ele rindo. Além disso, ele acrescentou, "ainda não há mercado disposto a pagar mais por limões sem caroços".

Todavia, a Limoneira adquiriu os direitos de um limão turco sem caroços que supostamente é um produtor consistente. Os agricultores sul-africanos têm plantado, ou planejam plantar, cerca de 688 hectares do Eureca SL, outro limão sem caroço de grande produção, e os agricultores da Califórnia também estão pensando em plantá-lo. Assim, os dias dos limões com caroços podem estar contados. Algumas das novas modalidades chegam a ter sabor de tutti-frutti George El Khouri Andolfato

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