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03/02/2005

Dificuldades na Alemanha ressaltam a fragilidade econômica da União Européia

The New York Times
Mark Landler

Em Frankfurt
Enquanto a União Européia inicia sua mais recente campanha para rejuvenescer a velha economia do continente, a Alemanha fornece evidências da profundidade dos problemas.

O número de desempregados na Alemanha cresceu para 5 milhões, no mês passado, o maior desde a Segunda Guerra Mundial. O aumento deveu-se a uma transferência das pessoas que se beneficiavam do seguro desemprego há muito tempo para as listas de desempregados.

A mudança na classificação decorreu de novos regulamentos para o mercado de trabalho adotados em janeiro. As regras, conhecidas como as reformas Hartz, também colocarão maior pressão sobre os desempregados para que encontrem trabalho.

Líderes da oposição fizeram comparações com a República de Weimar, nos anos 20, que precedeu a subida do nazismo ao poder. Apesar do triste simbolismo de 5 milhões de desempregados, alguns analistas viram algo de positivo nos números. Eles disseram que a Alemanha estava, finalmente, enfrentando o ponto fraco de sua economia, o mercado de trabalho.

"Estamos trazendo à tona a parte do iceberg que estava debaixo da água. Agora, podemos adotar medidas para derretê-lo", disse Thomas Mayer, principal economista da Europa do Deutsche Bank em Londres.

Sob os novos regulamentos, os alemães não podem mais sacar eternamente o seguro desemprego, que pode chegar até a 60% do salário original do beneficiado. Depois de 12 meses, eles só podem sacar pensões menores. Também podem ser persuadidos a aceitar empregos no setor público.

As novas regras devem elevar ainda mais o índice de desemprego, disseram as autoridades alemãs, antes de a economia começar a gerar novos empregos e derrubar o atual índice de 11,4%.

Wolfgang Clement, ministro de economia e trabalho, disse aos repórteres em Berlim que o relatório fornecia "5 milhões de razões para a reforma do mercado de trabalho". Ele negou referências à depressão de era de Weimar, dizendo: "Longe dessas comparações histéricas e às vezes absurdas, os números refletem a realidade da Republica Federal há anos."

De fato, o alto desemprego é um problema crônico em grande parte da União Européia -um fato que foi admitido pelo presidente da Comissão Européia, Jose Manuel Barroso, quando descreveu o novo programa econômico para o continente em Bruxelas, na quarta-feira (02/2).

Barroso, ex-primeiro-ministro português que foi nomeado chefe da comissão no último verão, disse que a Europa precisava se concentrar mais na restauração do crescimento econômico e na criação de empregos, reduzindo a burocracia e aumentando o investimento em pesquisa e desenvolvimento.

"Temos que mover nossa economia, para que mais pessoas encontrem o emprego que desejam e para preservar e desenvolver nosso modelo único de sociedade", disse ele em um discurso ao Parlamento Europeu.

Críticos disseram que a vontade da comissão de agradar as empresas ia minar as questões de bem estar social e proteção ambiental -áreas em que a Europa historicamente foi líder. Barroso, entretanto, preferiu concentrar-se em áreas onde a Europa tornou-se lenta nos últimos anos.

No ano passado, o crescimento econômico da União Européia foi de 2,2%, contra 4,3% dos EUA e 4,4% do Japão. O índice de desemprego foi de 8,9%, contra 5,4% nos EUA e 4,4% no Japão.

Com o novo foco da comissão, caiu a declaração ambiciosa conhecida como o programa de Lisboa, emitida em 2000, que prometia tornar a Europa a "economia baseada no conhecimento mais competitiva e dinâmica" do mundo até o final da década.

A intenção de "Lisboa foi descarrilada por uma combinação de condições econômicas, incertezas internacionais, progresso lento nos Estados membros e uma perda gradual de foco político", disse a comissão.

O fato de o programa de Lisboa ter sido engavetado meramente confirma os limites da Europa unida, disseram os economistas. A mudança econômica não pode ser ditada por Bruxelas, na forma de um plano de 10 anos, disseram, mas deve ser desenvolvida pelos governos nacionais, que então têm que vendê-lo ao povo e ao setor corporativo.

"Tenho dúvidas do alcance que a EU pode ter nessa área. Ninguém quer dizer que o imperador, basicamente, está nu", disse Daniel Gros, diretor do Centro de Estudos de Política Européia em Bruxelas.

A Alemanha está começando a reformar sua economia, disse Gros, mas não como resposta a uma diretriz de Bruxelas. Com a competição dos novos membros da União Européia e sem muito espaço para afrouxar suas políticas monetárias e fiscais, o governo alemão não teve escolha se não trabalhar em suas rigidez subjacente, incluindo o mercado de trabalho.

O chanceler Gerhard Schroeder está promovendo seu plano de 10 anos, conhecido como Agenda 2010, do qual as reformas Hartz fazem parte. Mayer, o economista do Deutsche Bank, disse que o plano era movido principalmente por medo de empresas alemãs transferirem suas fábricas e empregos para fora do país.

"Os políticos agora são forçados a encarar os problemas", disse ele. "É como um processo de purificação." O que foi estranho para os que seguem a política alemã é que a popularidade de Schroeder aumentou, em vez de cair, durante esse período difícil. Em uma recente pesquisa de opinião conduzida pela revista Stern e pela televisão RTL, o governo de coalizão de Schroeder derrotou a oposição conservadora por um ponto percentual, mesmo depois de adotar as medidas muitas vezes dolorosas.

"Sua recuperação mostra que essas reformas compensam, ao contrário do que muitos dizem", disse Gros. Oposição compara a situação atual com a da República de Weimar Deborah Weinberg

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