UOL Notícias Internacional
 

03/02/2005

Vietnã quer ajuda para conter a gripe do frango

The New York Times
Keith Bradsher

Em Hanói
Doan Bao Chau/The New York Times

Criador Nguyen Khac Tuoc alimenta frangos em Tien Yen, no interior
O Vietnã apelou para a assistência internacional no final da quarta-feira (2/2) diante da disseminação da gripe de aves.

O ministro da agricultura interino Cao Duc Phat, diretor do comitê nacional que supervisiona a gripe de aves, enviou uma carta à Organização Mundial de Saúde e à Organização de Agricultura e Alimentação (FAO) pedindo às duas agências da ONU, assim como a governos internacionais, que dessem assistência técnica para combater a doença. A cepa A(H5N1) do vírus devastou as granjas do Vietnã e matou 13 das 14 pessoas infectadas nas últimas cinco semanas.

Anton M. Rychener, representante da FAO no Vietnã, disse que as autoridades do país querem a ajuda de epidemiologistas, patologistas, toxicologistas, veterinários e técnicos de laboratório, além de equipamentos para diagnosticar a doença. O Vietnã suspendeu muitas restrições impostas sobre a assistência que aceitara durante um surto da doença há um ano, disse ele.

Especialistas em gripe advertiram várias vezes que, se o surto não for controlado, poderá algum dia causar uma pandemia global e matar milhões de pessoas. No entanto, também admitiram que é impossível saber se o vírus desenvolverá a capacidade de ser transmitido de pessoa para pessoa, pré-requisito para uma pandemia.

Bui Quang Ahn, diretor geral do departamento de saúde animal do Vietnã, confirmou que o país está pedindo ajuda internacional. O vice-diretor do departamento, To Long Thanh, disse que exames de sangue em patos mostraram que o vírus vinha se disseminando em pequenas criações, onde frequentemente as aves vivem próximas às pessoas.

"O vírus está, de alguma forma, mais forte e virulento", disse Than.

Anh disse que o governo está pensando em fechar todas as granjas de patos, principal indústria de aves no sul do Vietnã, com uma diminuição gradual até junho. A indústria então seria recomeçada com melhores condições sanitárias, para impedir infecções das aves e das pessoas.

O Vietnã quer assessoria internacional para fazer isso, acrescentou Anh. Na segunda-feira, a cidade de Ho Chi Minh, antes Saigon, determinou o abate imediato de cerca de 210.000 patos criados dentro dos limites urbanos e proibiu fazendeiros de trazerem patos vivos para a cidade.

A gripe ressurgiu como problema na Tailândia, onde aves morreram da doença em seis províncias neste inverno. No inverno passado, 12 das 17 pessoas infectadas morreram, antes de a doença ceder com o clima mais quente na primavera. O primeiro-ministro Thaksin Shinawatra fez da gripe de aves e da inquietação muçulmana no Sul da Tailândia suas prioridades nas eleições parlamentares de domingo.

O ministro da saúde do Vietnã confirmou, na quarta-feira, que uma mulher cambojana cruzou a fronteira na última quinta-feira e morreu no domingo em um hospital no Vietnã. Ela apresentou resultado positivo para a gripe de aves, tornando o Camboja o segundo país no qual surgiram casos humanos neste ano.

Em entrevistas aqui e na província vizinha de Hatay, nos últimos três dias, veterinários, médicos, criadores e vendedores fizeram avaliações variadas sobre a gravidade da disseminação do vírus da gripe de aves em relação ao inverno passado. Alguns estão muito preocupados.

"A doença está se disseminando rápido demais. Todos nós reconhecemos como é perigosa a gripe de aves, porque o vírus está sempre evoluindo", disse Nguyen Huy Dang, veterinário da província de Hatay.

Mas outros especialistas questionam se os riscos aumentaram. O ritmo de surgimento de casos humanos confirmados neste inverno, dois ou três por semana, é similar a do ano passado, disse o epidemiologista da OMS aqui, Dr. Peter Horby.

Houve um caso de provável transmissão entre seres humanos na Tailândia, em agosto, e dois conjuntos de casos em famílias no Vietnã desde dezembro, que agora estão sendo investigados. A maior parte dos casos, entretanto, ainda parece ser causada pelo contato pessoal com aves infectadas e vivas.

Muitas das vítimas humanas neste inverno, assim como no inverno passado, foram tratadas no Instituto de Doenças Tropicais, um hospital de elite pelos padrões vietnamitas, mas com equipamentos limitados, segundo padrões ocidentais.

Nguyen Thi Tuong Van, vice-diretora do departamento de emergência e chefe do tratamento de gripe de aves, disse que os laboratórios locais foram incapazes de analisar amostras rapidamente para determinar se os pacientes tinham gripe.

Os resultados dos exames podem demorar uma semana, apesar de o teste só demorar seis ou sete horas, disse Van, sentada na recepção do hospital, onde um enorme altar budista entalhado em madeiras tropicais está coberto de rosas, bananas e outras oferendas deixadas por membros das famílias dos pacientes.

Se os países ocidentais doarem equipamentos e técnicos, isso permitirá uma análise mais rápida das amostras, ajudando o hospital a decidir a quem isolar e quando receitar remédios aos membros das famílias, caso tenham sido expostos à doença.

O mais importante, disse ela, é um esforço imediato para compreender como a doença se dissemina. Médicos vietnamitas ainda estão tendo dificuldades para compreender porque algumas pessoas contraem a doença enquanto muitas outras, em contato com os mesmos animais, não são infectadas. Se o surto não for controlado, poderá provocar pandemia mundial Deborah Weinberg

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