UOL Notícias Internacional
 

04/02/2005

Resultados da primeira eleição iraquiana mostram grande vantagem para os xiitas

The New York Times
John F. Burns e

Dexter Filkins

Em Bagdá, Iraque
As autoridades eleitorais iraquianas divulgaram nesta quinta-feira (3/2) resultados parciais das eleições de domingo, que deram ao principal grupo xiita, a Aliança Unida Iraquiana, uma grande vantagem na votação.

Dos 1,6 milhão de votos contados, a Aliança xiita ficou com aproximadamente 75%, segundo um levantamento do NYT dos resultados parciais fornecidos na quinta-feira pela Comissão Eleitoral Iraquiana.

A votação --de cerca de um décimo dos 5.216 centros de votação por todas as seis províncias, incluindo Bagdá- mostra que a aliança fundada pelo primeiro-ministro interino do Iraque, Ayad Allawi, conhecida como Lista Iraquiana, ficou em segundo lugar com 19%. Dos outros 109 partidos individuais e alianças que disputaram o voto nacional, nenhum pareceu ter obtido mais que 2%.

Ao divulgar os números, as autoridades da comissão eleitoral alertaram os analistas políticos sobre fazer projeções. Mas com os xiitas correspondendo a 60% da população do Iraque, e com um comparecimento de até 80% nos principais centros xiitas no sul, parece cada vez mais provável que a principal aliança xiita despontará como a vencedora de forma esmagadora.

Membros da Aliança Unida Iraquiana disseram aos repórteres que sabem de resultados provisórios de outros lugares, incluindo alguns no oeste e norte do Iraque, que dão à Aliança perto de 60% do total nacional de votos, com a aliança curda em um distante segundo lugar, com 20% dos votos, e o partido de Allawi em terceiro, com cerca de 13%. Estes números não puderam ser confirmados.

Havia temores de que uma vitória esmagadora da Aliança xiita pudesse provocar fortes protestos por parte de muitos dos líderes sunitas do país, alegando que a não participação da população sunita tornou a eleição ilegítima.

Mas surgiu um sinal positivo na quinta-feira, quando líderes sunitas anunciaram que 13 dos maiores partidos que boicotaram as eleições concordaram em participar da redação da Constituição nacional. As autoridades eleitorais se recusaram a dar um número para o comparecimento geral dos eleitores nas eleições de domingo, dizendo que agora esperam dar os números apenas quando todos os votos forem contados e que não esperam concluir a apuração antes da próxima semana.

Na noite de domingo, após o encerramento da votação, as autoridades estimaram que 8 milhões dos 14,2 milhões de eleitores registrados do país votaram; tal comparecimento representaria aproximadamente 57%. Mas eles logo corrigiram, dizendo que a estimativa de 8 milhões foi obtida às pressas, com base em relatórios por telefone dos centros de votação por todo o país, e que tal número poderá mudar.

Correndo bem atrás dos dois principais grupos na votação nacional, segundo o levantamento preliminar, está um grupo leal ao clérigo inflamado Muqtada Al Sadr, com 1,5%; o Partido Iraquiano do presidente interino, Ghazi Al Yawar, um chefe tribal sunita, com 0,7%; uma aliança formada pelos dois principais partidos curdos, a Lista da Aliança do Curdistão, com 0,2%, e um grupo comunista, a União Popular, com 1%. Outro grupo xiita ficou com 0,9%. Um partido formado por Al Sharif Ali bin Al Hussein, o pretendente ao trono iraquiano que ficou vago com o assassinato do rei Faisal 2º, em 1958, ficou com 0,4%.

Os resultados parciais fornecidos por Bagdá mostraram que lá, também, a Aliança xiita estabeleceu uma enorme vantagem. Dos cerca de 550 mil votos contados na capital, a aliança ficou aproximadamente com mais de 350 mil, ou 64%, e o partido de Allawi com pouco mais de 140 mil, ou 26%.

Outros partidos ficaram com percentuais pequenos mas significativos dos votos de Bagdá, incluindo o grupo de Sadr, com 2%; a aliança curda com 1,8%, e o grupo comunista com 1%. Especialistas políticos alertaram contra extrapolações feitas a partir dos resultados parciais, apontando que cinco das seis províncias envolvidas nos números se localizam no sul, uma área onde predomina a Aliança xiita, que é dominada por dois dos principais grupos religiosos do país. Estes grupos entraram na eleição contando com a apoio do mais influente clérigo xiita do Iraque, o grão-aiatolá Ali Al Sistani.

Os números da comissão eleitoral não forneceram indicação dos padrões de votação nas áreas a oeste e norte de Badgá, onde se situam as duas principais minorias do país, os sunitas e os curdos.

Apesar das autoridades terem dito desde a votação que ficaram surpresas com o número de eleitores sunitas que desafiaram o pedido de boicote de líderes políticos e religiosos, representantes de partidos políticos que alegam dispor de algumas das primeiras parciais das áreas sunitas disseram que o comparecimento foi muito baixo, e que os resultados são surpreendentes apenas devido às expectativas iniciais de que quase ninguém votaria nestas áreas.

As projeções dos resultados parciais foram complicadas pelo fato de que a comissão eleitoral não forneceu detalhes, como de quais locais de votação e distritos em cada província vieram os números. Isto pareceu importar menos na interpretação dos números das cinco províncias do sul -Karbala, Najaf, Qadissiya, Nasiriya e Muthanna- onde as populações são predominantemente xiitas e a vantagem da aliança xiita era amplamente prevista.

Em Karbala, por exemplo, a Aliança ficou com 73% dos votos, seguida por 22% para o partido de Allawi; em Nasiriya, a Aliança xiita ficou com 83% dos votos contra 12% para Allawi. Os números são semelhantes nas demais províncias do sul.

Analisar os números de Bagdá, com sua população étnica diversa, foi mais difícil. Algumas áreas da cidade apresentam uma concentração maior de um ou outro grupo dos dois principais, sunitas e xiitas; outras são bem mais misturadas. Assim, sem saber quais centros de votação e distritos estão representados nos resultados parciais da comissão, fica impossível saber se as parciais apresentam um quadro distorcido da tendência geral.

A decisão de 13 partidos sunitas de participar da redação da Constituição é significativa em sua promessa de representação sunita, que estava em dúvida devido ao amplo pedido para que os sunitas boicotassem a eleição.

Segundo as regras elaboradas no ano passado para guiar o estabelecimento de um novo Estado iraquiano, dois terços de voto "não" em três províncias poderia derrotar a Constituição. Os sunitas são maioria em três províncias.

Para impedir isto, os líderes xiitas iraquianos, que provavelmente formarão um novo governo nas próximas semanas, disseram que estão determinados a negociar com os sunitas, lhes oferecendo altos cargos e um papel na redação da Constituição. Dos 1,6 milhão de votos contados, a Aliança xiita ficou com 75% George El Khouri Andolfato

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