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04/02/2005

Surfe gelado é a moda do inverno americano

The New York Times
Bonnie Tsui

Em Narragansett, Rhode Island
Jodi Hilton/The New York Times

Para surfistas como Peter Panagiotis, surfar na água gelada é mais divertido que no verão
É um dos dias mais frios do inverno em Town Beach, um resort de Rhode Island. A neve cobre a areia com uma camada de branco, o vento frio faz a temperatura do ar parecer gélidos -11 graus Celsius, e há previsão de uma grande tempestade no dia seguinte, trazendo mais 1 metro de neve.

Peter Panagiotis, um surfista da Nova Inglaterra conhecido no mundo do surfe como Peter Pan, está estudando uma pequena série de ondas que avançam preguiçosamente até a praia. Ele se vira e sorri. "Não está muito ruim, não é?"

Em pé em uma praia coberta de neve, apertado dentro de um traje de mergulho da cabeça até os pés, segurando uma prancha de 2,7 metros e lutando para equilibrá-la no vento, é difícil questionar a resposta. O sol pode estar brilhante, mas a praia está deserta, e por um bom motivo. Está congelando do lado de fora.

Para a maioria dos surfistas, a lógica de surfar no inverno da Nova Inglaterra é semelhante a abrir uma banca de limonada na Sibéria no meio de janeiro. Não há nenhum dos elementos prazerosos da vida do surfe: palmeiras, sol quente, surfistas bronzeados de biquíni e shorts havaianos.

Mas para surfistas da Nova Inglaterra como Panagiotis, 54 anos, que morou e surfou na Costa Leste por mais de 25 anos e já conquistou muitos títulos em sua carreira como surfista profissional, a idéia de pegar uma onda em tempo gélido é bem mais atraente do que o surfe de verão.

"Para mim, é muito simples", disse ele. "Não há ninguém na água. Surfe é um esporte egoísta, avaro, e qualquer um que disser o contrário está mentindo." Panagiotis foi membro fundador do clube de surfe da Universidade de Rhode Island em 1968 e é diretor distrital da Associação de Surfe do Leste desde 1972. "A melhor coisa sobre a Nova Inglaterra é que você pode pegar a onda perfeita no inverno, e ela será só sua. É frio e desagradável, mas eu adoro."

A possibilidade de estar sozinho em uma praia vazia e com uma onda excelente é o que atrai os entusiastas de surfe de inverno para pontos isolados ao longo da costa da Nova Inglaterra. Muitos dos surfistas de ondas frias são criaturas solitárias, saindo à procura da onda perfeita sozinhos, ou acompanhados de apenas um ou dois amigos de confiança (e igualmente obcecados).

Jodi Hilton/The New York Times

Surfistas caminham na neve até atingir o mar gelado, no frio nordeste dos Estados Unidos
Mas todos concordam que no Nordeste, o período de novembro a maio é a época ideal para o surfe. No verão as praias ficam lotadas de pessoas, e o surfe trivial empalidece diante das ondas de 3,5 metros que podem surgir quando uma tempestade atinge a região no inverno. Enquanto os demais na região trancam as escotilhas e esquecem do oceano por seis meses, os surfistas de inverno aguardam as tempestades para criarem as condições ideais para grandes ondas.

Ryan Richer, 21 anos, trabalha na Gansett Juice Surf & Skate, uma loja de surfe a poucas quadras da praia de Narragansett, com vista para o Atlântico azul e suas cristas de onda agitadas. Para ele, não há melhor praia para surfar no Nordeste do que aquela que ele vê da loja.

"Nossas ondas são as melhores na Nova Inglaterra", disse Richer, um surfista de Woonsocket, Rhode Island, que já venceu torneios regionais, incluindo títulos dos Campeonatos de Surfe de Inverno anuais da Associação de Surfe do Leste, realizados desde 1967 em Town Beach.

Devido ao seu formato de ferradura e bancos de areia mutáveis, que pegam ondulações de muitas direções, a praia freqüentemente apresenta ondas que podem ser surfadas enquanto os arredores estão sem ondas. Richer voltou recentemente de uma viagem para surfe na Costa Rica, mas saltar direto em temperaturas abaixo de zero não o perturbou.

"Quando há ondas, eu estou lá fora, e me sinto muito mais aquecido quando estou surfando do que praticando snowboard", disse ele. "Mas você tem que tentar evitar que seu rosto fique molhado, caso contrário, é como uma dor de cabeça provocada por sorvete."

Para entrar nesta água, cuja temperatura fica em torno de 0 grau durante grande parte do inverno, os surfistas precisam de mais do que uma prancha e um bronzeado. Melhorias radicais na tecnologia de trajes de mergulho ocorreram ao longo da última década.

Os surfistas de inverno atualmente usam um traje de mergulho de neoprene de 5-4-3 milímetros, o que significa que possuem 5 milímetros de espessura no corpo, 4 nas extremidades e 3 nas juntas, com costuras vedadas -e capuz, luvas e botas de neoprene. Um calção e camiseta de polipropileno sob o traje aumentam o conforto. O toque final é vaselina no rosto para proteger contra a água salgada e queimaduras provocadas pelo vento. Para muitos, a nova prática é mais excitante do que a tradicional George El Khouri Andolfato

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