UOL Notícias Internacional
 

05/02/2005

Carnaval gera lucros para as empresas brasileiras

The New York Times
Todd Benson

Em São Paulo
Antônio Gaudério/Folha Imagem

Atriz Viviane Araújo é madrinha da bateria da escola de samba Mancha Verde, que abriu os desfiles de SP
Para as grandes corporações, o famoso Carnaval do Brasil é um imã anual de milhões de dólares em patrocínios, assim como o Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano, nos Estados Unidos. E, igualmente, tem sido criticado como uma orgia de comercialismo rude.

Mas, para milhares de empresas menores, a festa que antecede a Quaresma, que começa nesta semana, é uma proposta de vai ou racha. De agências de turismo a fabricantes de confete e lojas de fantasias, empresas grandes e pequenas passaram os últimos meses promovendo vendas em ritmo frenético, enquanto todas as demais pessoas no Brasil desfrutavam de suas férias de verão.

"A folia é muito mais do que apenas diversão -é um grande negócio", disse um exausto Elias Ayoud, dono de uma rede de lojas em São Paulo chamada Palácio das Plumas, que estoca mais de 15 mil itens associados ao Carnaval.

"Mas para mim, o Carnaval já acabou", disse ele. "Eu apenas abasteço todo o circo e deixo que todos os demais comemorem."

Desde meados de outubro, as lojas de Ayoub têm funcionado a todo vapor, vendendo de tudo, de contas e penas exóticas até glitter e tecidos para especialistas em Carnaval de todo o país. Apesar de Ayoub, como os proprietários da maioria dos estabelecimentos privados do Brasil, não divulgar números de vendas, ele disse que obtém metade de sua receita anual nos quatro meses que antecedem a festa.

Grande parte disto, ele acrescentou, vem das vendas para grupos conhecidos como escolas de samba, que gastam anualmente o equivalente a milhões de dólares em fantasias luxuosas e carros alegóricos elaborados.

Muitos dos maiores clientes de Ayoub são do Rio de Janeiro. O desfile de lá, com suas dançarinas seminuas e baterias trovejantes, é a face global do Carnaval, apesar de ele ser celebrado em todo o Brasil. Por duas noites, as 14 principais escolas de samba do Rio disputam o título de melhor do Carnaval diante de 70 mil espectadores no Sambódromo, um estádio construído especialmente para o desfile, com outros milhões assistindo pela televisão.

Contando com dinheiro dos patrocinadores corporativos, cada grupo gasta em média cerca de R$ 4 milhões por ano em parafernália para o evento, segundo a Liga Independente das Escolas de Samba.

E, segundo um estudo recente da Social Democracia Sindical, uma associação nacional de sindicatos trabalhistas, muitas das escolas de samba do Rio compram grande parte do material para o desfile em São Paulo, a principal cidade do Brasil em praticamente todos os campos de atividade, exceto o Carnaval.

"Pode parecer engraçado, mas São Paulo é um dos locais que mais se beneficia com nosso Carnaval", disse Fernando Horta, o presidente da Unidos da Tijuca, uma das escolas de samba de elite do Rio. "É lá que está a indústria."

Certamente o Rio também fatura sua parcela do dinheiro do Carnaval. A cidade está esperando mais de 770 mil turistas de todas as partes do mundo para a festa deste ano, trazendo cerca de US$ 557 milhões em receita de turismo, segundo a Riotur, a agência municipal de turismo.

A enxurrada de turistas, muitos chegando bem antes do Carnaval para desfrutar do sol nas praias, é uma boa notícia para varejistas como Jorge Francisco. Um ex-diretor da escola de samba Mocidade, Francisco abriu uma loja de artigos de Carnaval chamada Babado da Folia no centro do Rio há 15 anos, na esperança de transformar seu hobby em um ganha-pão.

Apesar das dificuldades fora da temporada, Francisco disse que luta para dar conta do movimento nos meses que antecede o Carnaval, que corresponde a cerca de 80% de suas vendas anuais.

"Eu fico aberto o ano todo, mas provavelmente só trabalho de fato por cinco meses do ano", disse Francisco. "Não é uma boa forma de ficar rico, mas paga as contas."

Para algumas empresas, como a Aergi Indústria e Comercio de Papel, no Estado de São Paulo, o Carnaval é uma chance de aumentar as vendas em uma época do ano em que sua atividade principal é baixa. A Aergi começou produzindo materiais para embalagens para uso industrial, mas ao longo dos anos ela entrou no ramo de confete para ganhar um dinheiro adicional durante o Carnaval. Ela agora vende cerca de 2 mil toneladas de confete por ano, quase tudo nos meses que antecedem o Carnaval.

"No nosso mercado, o começo do ano é sempre de baixo movimento", disse Roberto Toledo, o gerente administrativo da empresa. "Mas as vendas de confete compensam grande parte disto. Não é nossa atividade principal, mas é uma parte importante de nossos negócios."

Fabricantes de camisetas também estabeleceram um nicho durante o Carnaval. Isto é particularmente verdadeiro em Salvador, uma cidade na região Nordeste do Brasil e a terceira maior do país, onde o Carnaval ainda é comemorado nas ruas, à moda antiga.

Para poder dançar atrás dos barulhentos trios elétricos que tocam em cima de caminhões que cruzam as ruas da cidade, os foliões devem primeiro comprar uma abada, um tipo de camiseta de poliéster que exibe o logotipo do grupo.

A Loygus Camisetas, uma pequena fabricante de camisetas em Salvador, começou a produzir abadas há poucos anos, e as vendas têm crescido constantemente desde então, disse José Loyola Neto, o dono da empresa. A Loygus aumenta sua força de trabalho em cerca de 60% durante a temporada de Carnaval, ele disse, elevando sua produção mensal de 20 mil, fora de temporada, para 70 mil peças. Neste ano, a fábrica da empresa tem trabalhado dia e noite para atender os muitos pedidos de última hora.

"Este é uma época maluca do ano", disse Loyola. "Mas minha receita combinada de dezembro, janeiro e fevereiro equivale quase à receita do restante do ano, então certamente vale a pena."

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