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05/02/2005

Economia norte-americana começa 2005 gerando poucos empregos

The New York Times
David Leohhardt

Em Nova York
A economia dos Estados Unidos continuou a gerar empregos em um ritmo inesperadamente modesto neste início de 2005, fazendo com que a previsão de um grande aumento no índice de emprego fosse adiada para um futuro indeterminado.

Na manhã desta sexta-feira (4/2), o Departamento do Trabalho anunciou que em janeiro foram acrescentados 146 mil novos empregos à economia, um número que mal é suficiente para acompanhar o crescimento populacional. Os salários semanais para trabalhadores de baixa qualificação --que compõem cerca de 80% da força de trabalho-- diminuíram porque as companhias reduziram a duração média da jornada semanal de trabalho.

O índice de desemprego caiu de 5,4% para 5,2%, o nível mais baixo desde antes dos ataques de 11 de setembro de 2001. Mas essa queda se deveu em grande parte ao aumento do número de pessoas que não estão mais procurando emprego, e que não são classificadas como desempregadas.

"A redução do desemprego não é um fato tão bom quanto aparenta ser", diz Ian Shepherdson, especialista da High Frequency Economics, uma empresa de pesquisas do setor econômico.

Analistas econômicos esperavam para janeiro a geração de 200 mil empregos. Durante grande parte do ano anterior, eles afirmaram que o saudável índice de crescimento econômicos seria um sinal claro de que as companhias teriam que contratar mais funcionários em um ritmo mais rápido.

Um pouco antes de o Departamento do Trabalho divulgar o seu relatório na manhã da sexta-feira, John E. Silvia, economista do Wachovia, enviou uma nota aos seus clientes dizendo: "Os astros estão alinhados para provocar entusiasmo".

Embora o mercado de trabalho esteja nitidamente mais saudável que em 2002 e 2003, ele ainda não chegou nem próximo ao patamar atingido durante as expansões ocorridas nos anos 80 e 90.

Isso fez com que alguns economistas especulassem que a relação entre crescimento e emprego pode ter mudado, conforme a tecnologia e a globalização fizeram com que diminuísse a necessidade de trabalhadores norte-americanos.

Talvez a melhor notícia contida no relatório da sexta-feira tenha sido aquela relativa às revisões governamentais periódicos dos dados oficiais do ano passado, revelando que o quadro empregatício em 2004 foi melhor do que o inicialmente previsto.

Segundo o Departamento do Trabalho, a economia apresentou no final do ano passado 173 mil empregos a mais do que o que foi anunciado anteriormente. O departamento ajusta regularmente esses números segundo as flutuações sazonais normais.

O aumento do número de empregos foi consideravelmente mais acelerado na primavera do ano passado do que aquilo que se anunciou previamente. Esse aumento diminuiu de ritmo nos últimos meses de 2004.

O Departamento do Trabalho calcula o índice de desemprego e o aumento do número de empregos com base em duas pesquisas distintas, e é possível que se comprove que o quadro mais otimista apresentado pelo índice de desemprego seja correto, conforme dos dados continuem sendo revisados nos próximos anos.

"Esse relatório foi um desapontamento em termos de criação de empregos", afirmou aos seus clientes na manhã de sexta-feira Joshua Shapiro, economista do MFR Incorporation, de Nova York. "Tendo dito isso, outras medidas apontam para melhores condições no mercado de trabalho do que as refletidas nesses números". Outras medidas poderiam incluir inscrições iniciais para o auxílio-desemprego, ou estatísticas relativas ao índice de confiança do consumidor.

Mesmo assim, os economistas, incluindo Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve, tendem a acreditar mais nos números referentes ao crescimento do número de empregos, que são derivados de uma pesquisa em 400 mil empresas que empregam 45 milhões de trabalhadores, do que no índice de desemprego, que é calculado segundo uma pesquisa realizada em 60 mil domicílios.

Além disso, o declínio do índice de desemprego nos últimos anos ocorreu em grande parte devido ao crescimento do número de pessoas que não procuram trabalho.

A percentagem de norte-americanos adultos que não trabalham --que inclui gente que deixou de procurar emprego, assim como pais que trabalham em casa e aposentados-- na verdade aumentou nos últimos três anos, passando de 37,3% para 37,6%.

Durante o mesmo período, o índice de desemprego caiu de 5,7% para 5,2%, à medida que diminuiu a parcelas de pessoas inseridas na força de trabalho - aquelas trabalhando ou buscando trabalho.

No decorrer do ano passado, o mercado de trabalho melhorou para indivíduos com diploma universitário e aqueles que não concluíram o segundo grau mas piorou para os que concluíram o curso secundário sem, entretanto, terem feito universidade.

"O índice de desemprego diminuiu e, mesmo assim, o crescimento do número de empregos foi modesto", disse Sílvia após a divulgação do relatório. "Isso sugere que estamos ficando sem trabalhadores aptos a atender às demandas de um mercado de trabalho que exige conhecimentos computacionais e diploma universitário".

Em janeiro, indústrias, empresas de construção e escritórios de direito reduziram a sua folha de pagamento, segundo os números ajustados segundo variações sazonais divulgados pelo Departamento do Trabalho. Esse foi o quinto corte mensal seguido feito pelas empresas, que no início de 2004 acrescentaram ampliaram a sua folha de pagamento pela primeira vez em quatro anos.

O comércio varejista, incluindo grandes lojas, farmácias, companhias aéreas, bancos, corretoras de imóveis, restaurantes e agências de governo, contratou mais funcionários. As empresas do setor de saúde, incluindo clínicas médicas e hospitais, também geraram novos empregos, e atualmente respondem por 9% da força de trabalho norte-americana, contra os 7% registrados em 1990.

O quadro melhorou um pouco em janeiro para os indivíduos desempregados a muito tempo. O número de pessoas que estão desempregadas e procurando trabalho há mais de 15 semanas caiu de 3 milhões em dezembro para 2,8 milhões em janeiro.Desde o início de 2004, a duração média do período de desemprego entre os desempregados caiu de 10,6 para 9,4 semanas.

A remuneração da hora de trabalho para trabalhadores pouco qualificados subiu ligeiramente, passando de US$ 15,85 em dezembro para US$ 15,88 em janeiro. Mas um ligeiro declínio na duração média da jornada semanal de trabalho foi suficiente para impedir que houvesse aumento nos contracheques semanais, que registraram reduções de 57 centavos, ficando em uma média de US$ 535,16. No decorrer do ano passado, o aumento do salário mensal foi de 2,3%, enquanto a inflação aumentou um pouco mais de 3%.

"O declínio da jornada de trabalho sugere que é improvável que ocorra uma melhora no mercado de trabalho em um futuro próximo", opina Drew T. Matus, economista da Lehman Brothers.

Matus acrescentou que a redução do número de pessoas no mercado de trabalho poderia influenciar os elaboradores de políticas públicas do Fed tanto quanto o aumento do índice de emprego, dando algum motivo para que se reflita a respeito da elevação das taxas de juros por parte do Fed.

Nesta semana o Fed aumentou as taxas em 0,25 pontos percentuais, fixando-as em 2,5%. Os analistas esperam que esse índice continue aumentando, chegando a 3,5% ou 4%. Acréscimo de 146 mil vagas mal absorve expansão populacional Danilo Fonseca

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