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07/02/2005

Novo chip promete revolução na informática

The New York Times
John Markoff

The New York Times
Em um novo episódio na batalha pelo mercado de entretenimento digital doméstico, a IBM, a Sony e a Toshiba anunciarão nesta segunda-feira os detalhes relativos ao seu novo microprocessador, conhecido com Cell, que deverá proporcionar maior desempenho computacional do que os microprocessadores da Intel e da Advanced Micro Devices (AMD).

A antecipação do anúncio, que deverá ser feito em uma conferência local das empresas do setor, gerou uma especulação generalizada na indústria a respeito do impacto da nova tecnologia de chips, que promete melhorar a qualidade dos videogames e dos aparelhos domésticos digitais de entretenimento.

A Sony pretende utilizar o novo Cell no seu PlayStation 3, que provavelmente será lançado em 2006, e a Toshiba tem planos para usar o chip nas suas novas televisões de alta-definição, que também devem ser lançadas no ano que vem.

Porém, vários executivos e analistas do setor dizem que o impacto do Cell poderá ser bem maior, atrapalhando os planos dos fabricantes de computadores pessoais de dominar a sala de estar digital, e ao mesmo tempo criando um novo sistema digital de computação que inclui Hollywood, a sala de estar e os mercados científicos e de engenharia de alto desempenho.

"Há um novo jogo na área, e ele revitalizará uma indústria que tem estado adormecida nos últimos anos", afirma Richard Doherty, analista da indústria de computação e presidente da Envisioneering, uma empresa de pesquisa de mercado de Seaford, Nova York.

A chegada do Cell ocorre também em um momento em que a indústria de computadores praticamente desistiu de investir em desenhos de processadores fundamentalmente novos, tendo, em vez disso, optado por utilizar o espaço adicional disponível na mais nova geração de chips para a inserção de processadores múltiplos, incrementando assim a performance.

Segundo especialistas em computação, o chip Cell poderia teoricamente atingir um desempenho máximo de 256 bilhões de operações matemáticas por segundo. Com tanto poder de processamento, o chip ficaria entre os 500 supercomputadores mais poderosos em uma lista elaborada por cientistas da Universidade de Mannheim e da Universidade do Tennessee em junho de 2002.

"Isso é algo muito impressionante", diz Kevin Krewell, editor da "Microprocessor Report", uma publicação da indústria tecnológica. "É uma prova de que as inovações em arquitetura de computadores não morreram".

No entanto, vários líderes da indústria de computação dizem que, apesar das impressionantes especificações do Cell, o sucesso não é uma garantia para nenhum novo lançamento no setor. Por exemplo, a Intel e a Hewlett-Packard levaram mais de uma década e gastaram centenas de milhões de dólares na criação do Itanium, um chip que não encontrou um mercado receptivo.

O Cell possui um desenho modular baseado em um processador IBM pouco menos potente que atualmente opera nos microcomputadores G5 64-bit da Apple Computer. Além disso, a arquitetura do Cell é distinta pelo fato de controlar uma série de oito processadores adicionais que são chamados de elementos processadores sinergísticos pela equipe que projetou o artefato. Cada um deles é um processador de 128-bits.

O Cell possui alguns componentes que no laboratório são ativados a 5,6 GHz, e muita gente que conhece o projeto diz que ele é mais flexível do que geralmente se entende e que foi projetado para trabalhar com sistemas de comunicação de grande capacidade de transmissão de dados, como os links de dados de alta velocidade com residências.

"O Cell foi otimizado para aplicações em banda larga", explica Jim Kahle, diretor de tecnologia do Centro de Projeto da Tecnologia Cell, cuja sede fica em Austin, Texas, e que é uma parceria da IBM, da Sony e da Toshiba.

Segundo ele a IBM refinou uma tecnologia, também desenvolvida pela Intel, chamada de "virtualização", elaborada para isolar as aplicações umas das outras. Originalmente utilizada em aplicações de computadores de grande porte, a tecnologia é atualmente explorada por projetistas de equipamentos eletrônicos que possibilitem aplicações exigentes como descompressão de vídeo e decodificação simultânea.

Um risco significativo para a Sony e a IBM é que o PlayStation 3 da Sony deve ser lançado depois da próxima geração de Xbox da Microsoft. O PlayStation 2 chegou primeiro que o Xbox no mercado e a Microsoft jamais conseguiu acompanhar o sucesso da concorrente, o que significa que perdeu centenas de milhões de dólares na usa aposta no mercado de videogames.

Na sua próxima versão do Xbox, a Microsoft planeja trocar os chips Pentium da Intel por um microprocessador PowerPC da IBM. O chip terá dois processadores PowerPC, mas não será tão radicalmente novo como o projeto do IBM Cell que a Sony pretende usar, segundo um executivo familiarizado com o projeto da IBM.

E isso criará o campo para uma rivalidade fascinante: a Sony está apostando que a sua vantagem em potência computacional será suficientemente ampla para dar a ela uma dianteira qualitativa sobre a Microsoft, ainda que chegue mais tarde no mercado.

"O nosso objetivo com o Cell é estarmos uma ordem de magnitude mais rápidos", explica Lisa Su, a executiva da IBM encarregada do setor de desenvolvimento e licenciamento de tecnologias.

Vários executivos da indústria dizem acreditar que, devido ao custo relativamente baixo, o Cell seja um arauto de uma era fundamentalmente nova em computação que se traduzirá cada vez mais em aplicações que beneficiem o consumidor.

"Creio que ele ajudará a promover a convergência entre tecnologias de informação voltadas para o consumidor e as corporações, e que haverá uma aceleração impressionante do lado do consumidor", afirma Andrew Heller, ex-projetista de processadores da IBM que atualmente é presidente da Heller & Associates, uma firma de consultoria em Austin, Texas.

Há muita especulação quanto à possibilidade de no futuro a Apple se tornar parceira na aliança do Cell. A Apple já é a maior usuária do chip PowerPC, e seria simples para a companhia tirar vantagem do projeto do Cell. Vários indivíduos familiarizados com a estratégia da Apple, no entanto, dizem que a fabricante de computadores precisa ainda ser convencida de que a tecnologia Cell proporcionaria uma vantagem significativa em termos de desempenho. Processador Cell pode ser o futuro dos eletrônicos Danilo Fonseca

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