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09/02/2005

Rice pede "novo capítulo" com a Europa

The New York Times
Steven Weisman

The New York Times
PARIS - A secretária de Estado Condoleezza Rice instou a Europa, na terça-feira (08/1), a colocar de lado as diferenças do passado e trabalhar com os EUA para expandir a liberdade no mundo árabe, estabilizar o Afeganistão e o Iraque e apoiar as negociações de paz emergentes no Oriente Médio.

Rice disse em um discurso em Paris, na tarde de terça-feira, que estava buscando um "novo capítulo" nas relações transatlânticas. A secretária de Estado fez seu discurso diante de centenas de intelectuais e líderes civis no Instituto de Ciências Políticas. Seus assessores chamaram a ocasião de ponto central de sua turnê de uma semana pela Europa e Oriente Médio, sua primeira viagem ao exterior no novo cargo.

"Os EUA estão prontos para trabalhar com a Europa em nossa agenda comum, e a Europa deve estar pronta para trabalhar com os EUA", disse Condoleezza. "Afinal, a história certamente nos julgará não por nossas antigas desavenças, mas por nossas novas conquistas."

O discurso tinha a intenção de estabelecer o fundamento intelectual do que os membros do governo chamaram de um tom fresco na política, diante do cepticismo europeu. As autoridades disseram que o presidente Bush quer genuinamente trabalhar com os europeus em uma série de frentes, em vez de se deter nas várias desavenças pendentes, entre elas o meio-ambiente, o papel do Tribunal Criminal Internacional e as estratégias para lidar com a ameaça nuclear do Irã.

Outro propósito de sua visita era pavimentar o caminho para a viagem do próprio Bush à Europa no final do mês, disseram as autoridades.

Os membros do governo americano, porém, disseram que Rice escolheu Paris para esclarecer um conjunto de temas, alguns deles quase abstratos, em uma capital que gosta de desafios no nível das idéias. As autoridades concordam que Paris poderá ser o coração e a alma da oposição política, ideológica e talvez cultural aos EUA no Ocidente.

A ênfase dos comentários de Condoleezza foram os valores comuns, e não as diferenças, disseram seus assessores. Ela quis assegurar aos europeus que os EUA compartilham o objetivo de uma Europa unida, que trabalha em conjunto com os EUA, em vez de servir como contrapeso, opinião promovida por muitos intelectuais franceses e europeus.

"Os EUA têm tudo a ganhar com a parceria de uma Europa mais forte na construção de um mundo mais seguro e possante", disse a secretária de Estado. "Então vamos levar à mesa idéias, experiências e recursos -e vamos discutir e decidir, juntos, a melhor forma de empregá-los para a mudança democrática."

"Algumas vezes em nossa história comum, americanos e europeus usufruíram de nossos maiores sucessos, para nós e para os outros, quando recusamos um status quo inaceitável e, em vez disso, colocamos nossos valores para trabalharem para a causa comum da liberdade", disse Condoleezza.

Em todas as suas aparições na Europa desde a última sexta-feira, a secretária exortou os ouvintes aceitarem que o presidente Bush busca uma transformação genuína na abordagem ocidental ao mundo, enfatizando a democracia e a liberdade em bases iguais. Ela pediu que o Ocidente promovesse os valores ocidentais e aumentasse o desenvolvimento econômico para as áreas mais conturbadas do mundo, onde o terrorismo é fomentado.

"O desenvolvimento, a transparência e a democracia se reforçam reciprocamente", disse ela. "É por isso que a disseminação da liberdade em um Estado de Direito é nossa melhor esperança de verdadeiro progresso."

Condoleezza chegou a Paris na terça-feira, depois de uma noite em Roma, onde se reuniu com o ministro de relações exteriores italiano, Gianfranco Fini, e um alto representante do papa João Paulo II. Ela chegou a Roma depois de completar a fase mais ocupada e produtiva de sua viagem, o Oriente Médio. Ela trabalhou com líderes palestinos e israelenses na preparação de seu principal anúncio em Sharm El Sheik, onde declarou a cessação efetiva das hostilidades entre israelenses e palestinos, em um acordo preliminar para eventualmente estabelecer um Estado palestino.

A acusação entre europeus que os EUA foram excessivamente pró-Israel, por razões de política interna, e indiferentes ao processo de paz no Oriente Médio foi uma das mais duras críticas ao governo Bush na Europa. No entanto, as autoridades americanas, exaltadas com a notícia de progresso no Oriente Médio, estão certas que tais críticas serão caladas, ao menos por enquanto. Secretária de Estado dos EUA quer colocar as diferenças de lado Deborah Weinberg

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